Saúde

Cannabis em farmácias não agravou saúde mental na Suíça

Estudo acompanhou 374 consumidores por um ano; veja o que os dados revelaram sobre cannabis, ansiedade, depressão e uso problemático.

Cannabis em farmácias não agravou saúde mental na Suíça
Cannabis e saúde mental são analisadas em estudo suíço que acompanhou 374 consumidores durante um ano | CanvaPro

Suíça: acesso à cannabis via farmácia reduz ansiedade

  • Estudo com 374 adultos do projeto Weed Care, na Suíça, aponta pequenas reduções em sintomas de depressão, ansiedade e uso problemático após 1 ano de acesso regulado à cannabis via farmácias.

Quando uma mudança na forma de acesso à cannabis acontece, uma pergunta inevitavelmente aparece: o que isso significa para a saúde das pessoas? Na Suíça, pesquisadores acompanharam consumidores regulares durante um ano para observar justamente essa relação e os resultados trouxeram nuances importantes.

Cannabis em farmácias: o que foi analisado?

Publicado na revista científica Drug and Alcohol Dependence, o estudo acompanhou 374 consumidores regulares de cannabis participantes do projeto-piloto Weed Care, em Basileia, na Suíça.

Os participantes tinham média de 35,8 anos e 81% eram homens. Durante o período analisado, tiveram acesso à cannabis por meio de farmácias, com produtos contendo no máximo 20% de THC e limite mensal de 10 gramas de THC, além de aconselhamento farmacêutico.

A pesquisa avaliou sintomas depressivos, ansiedade, uso problemático de cannabis e padrões de consumo no início e após 12 meses.

Saúde mental e cannabis: o que mudou?

Ao final de um ano, os pesquisadores observaram pequenas reduções nos sintomas de depressão e ansiedade.

A pontuação média para sintomas depressivos, medida pelo questionário PHQ-9, caiu de 5,37 para 4,53 pontos. Também houve redução estatisticamente significativa nos indicadores de ansiedade e de uso problemático de cannabis.

É importante, porém, olhar para esses números com cuidado. Embora as mudanças tenham sido estatisticamente significativas, foram consideradas pequenas pelos próprios pesquisadores.

Além disso, a proporção de participantes acima dos limiares clínicos para uso problemático não apresentou uma redução estatisticamente significativa: passou de 32,7% para 28,6%.

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Cannabis medicinal e acesso regulado: frequência também mudou

Um dos resultados que chamaram atenção foi o comportamento do consumo.

A frequência de uso aumentou modestamente ao longo do período, passando de uma média de 18,7 para 20,1 dias por mês. Já a quantidade total consumida permaneceu praticamente estável.

O dado mostra que frequência de uso e quantidade consumida não necessariamente caminharam juntas nessa população.

O estudo prova que a cannabis melhora a saúde mental?

Não.

Essa é uma das informações mais importantes para interpretar corretamente a pesquisa. O desenho da análise não permite estabelecer que o acesso regulado à cannabis causou as mudanças observadas.

Os próprios autores destacam que a análise de 12 meses não utilizou um grupo de comparação da maneira prevista originalmente no projeto. Por isso, não é possível atribuir causalidade ao modelo de acesso em farmácias.

Outro ponto é que a pesquisa avaliou adultos que já eram consumidores regulares de cannabis. Os resultados, portanto, não podem ser automaticamente aplicados a adolescentes, pessoas que nunca consumiram ou outras populações.

O que os pesquisadores concluíram?

Na conclusão publicada no estudo, os autores apontam que o acesso regulado por farmácias esteve associado a pequenas reduções nos sintomas de depressão, ansiedade e uso problemático, sem evidência de deterioração da saúde mental durante o período observado.

Ao mesmo tempo, eles ressaltam as limitações do desenho da pesquisa e a necessidade de intervenções direcionadas para pessoas que apresentam maior risco de uso problemático.

O trabalho acrescenta uma peça a uma discussão ainda em construção: como diferentes modelos de acesso à cannabis podem influenciar padrões de consumo e indicadores de saúde pública.

Fonte: conteúdo originalmente publicado pelo portal CannaReporter.