Cannabis entra na rotina de jovens com depressão e acende debate sobre saúde mental
Levantamento com mais de 18 mil adultos norte-americanos diagnosticados com depressão, mostra que a cannabis faz parte da estratégia de autocuidado de metade da Geração Z, refletindo mudanças na forma como os jovens lidam com a saúde mental

A forma como a Geração Z enfrenta a depressão está mudando. Um novo levantamento internacional mostra que muitos jovens não aguardam apenas o atendimento tradicional em saúde mental para lidar com os sintomas. Entre eles, a cannabis aparece como uma das principais estratégias de autocuidado.
Segundo o portal espanhol Cañamo, que repercutiu o relatório The Self Medication Generation, desenvolvido pela empresa norte-americana NeuroKaire, 50% dos integrantes da Geração Z diagnosticados com depressão afirmam utilizar cannabis. O estudo analisou respostas de mais de 18 mil adultos nos Estados Unidos e investigou como diferentes gerações têm buscado alternativas para manejar a condição.
O relatório indicou ainda que mais de 51 milhões de adultos norte-americanos relatam já ter recebido diagnóstico de depressão. Diante das dificuldades de acesso, dos custos e da demora para encontrar um tratamento eficaz, muitos pacientes têm recorrido à chamada "automedicação", combinando diferentes estratégias para cuidar da saúde mental.
Cannabis aparece entre as principais estratégias de autocuidado
O uso de substâncias derivadas da cannabis é especialmente frequente entre os mais jovens. Além de metade da Geração Z relatar consumir cannabis, 70% dos jovens que utilizam CBD afirmam fazê-lo especificamente para promover o bem-estar mental, percentual considerado significativamente superior ao observado entre pessoas da mesma faixa etária sem diagnóstico de depressão.
O comportamento observado sugere que muitos pacientes estão construindo seus próprios "planos terapêuticos", reunindo recursos como cannabis, CBD, aplicativos de saúde, telemedicina, medicamentos para perda de peso e informações obtidas na internet.
Relatório aponta diferenças entre gerações
O levantamento também mostra que Geração Z e Millennials representam 52% de toda a população estudada com diagnóstico de depressão, indicando que a condição afeta predominantemente adultos mais jovens.
Além disso, a pesquisa identificou comportamentos distintos entre as gerações. Enquanto os Boomers aparecem como o grupo que mais utiliza serviços de telemedicina e aplicativos médicos, a Geração Z demonstra maior tendência a recorrer a comunidades online, videogames e ferramentas digitais como formas de enfrentamento emocional.
Os dados mostram comportamento, não relação de causa e efeito
Embora o estudo destaque a elevada prevalência do uso de cannabis entre pessoas com depressão, ele não estabelece uma relação de causalidade entre o consumo da planta e a melhora ou o agravamento dos sintomas.
A própria literatura científica aponta que a associação entre depressão e cannabis é complexa e pode ocorrer em diferentes direções. Estudos longitudinais sugerem que pessoas com sintomas depressivos podem recorrer com maior frequência à cannabis, ao mesmo tempo em que o uso frequente também pode estar associado ao aumento de sintomas em determinados grupos, dependendo de fatores individuais e do padrão de consumo.
Fonte: Cañamo.net
