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Cannabis medicinal: estudo aponta melhora por 12 meses

Estudo australiano acompanhou pacientes por 12 meses e encontrou melhora pós cannabis medicinal na qualidade de vida, sono, fadiga, dor e depressão.

Cannabis medicinal: estudo aponta melhora por 12 meses
Cannabis medicinal foi associada a melhorias sustentadas na qualidade de vida de pacientes acompanhados por 1 ano | CanvaPro

Às vezes, melhorar a qualidade de vida não significa apenas sentir menos dor. É conseguir dormir melhor, ter mais energia, lidar com a ansiedade e recuperar pequenos espaços de bem-estar na rotina. Um estudo australiano acompanhou pacientes por um ano e observou que usuários de cannabis medicinal mantiveram melhorias nesses diferentes aspectos da saúde.

Publicado na revista PLOS ONE, o estudo faz parte da Iniciativa QUEST, uma pesquisa observacional prospectiva que acompanhou adultos com condições crônicas que receberam prescrição de óleo de cannabis medicinal na Austrália.

Cannabis medicinal e qualidade de vida

A pesquisa começou com 2.744 participantes adultos recrutados entre novembro de 2020 e dezembro de 2021. Eles foram identificados por 114 profissionais de saúde em diferentes regiões da Austrália.

Dos participantes iniciais, 2.353 responderam a pelo menos um questionário de acompanhamento. Ao final de 12 meses, 778 pessoas haviam completado essa etapa.

Os pesquisadores utilizaram questionários validados para avaliar qualidade de vida relacionada à saúde, dor, fadiga, sono, ansiedade, depressão e função motora.

Entre as condições mais frequentes estavam dor musculoesquelética, dor neuropática, insônia, ansiedade e transtornos mistos de ansiedade e depressão.

Os resultados indicaram que os ganhos observados inicialmente permaneceram ao longo do período analisado entre os participantes que continuaram o acompanhamento.

SAIBA MAIS: Cannabis medicinal: entenda o que é, para que serve e as regras no Brasil
 

Cannabis medicinal para dor, sono e fadiga

Um dos principais achados envolveu a qualidade de vida relacionada à saúde.

A cannabis medicinal também esteve associada à redução da fadiga e dos distúrbios do sono ao longo dos 12 meses.

Entre os participantes com dor crônica, foram observadas melhorias nos indicadores de intensidade da dor e de interferência da dor na vida cotidiana.

O estudo ainda encontrou melhora nos sintomas de ansiedade e depressão entre participantes que apresentavam essas condições.

Apesar dos resultados, os pesquisadores não encontraram evidências conclusivas de melhora da função motora entre pessoas com transtornos do movimento.

O que o estudo diz sobre cannabis medicinal?

De acordo com os autores, as melhorias observadas nos primeiros três meses foram mantidas durante o acompanhamento de um ano.

A conclusão aponta que pacientes com condições crônicas que receberam cannabis medicinal apresentaram melhorias estatisticamente significativas e clinicamente relevantes em qualidade de vida, fadiga e alterações do sono.

Também foram observadas melhorias em dor, ansiedade, depressão e insônia nos grupos com essas condições específicas.

Os resultados, entretanto, não significam que a cannabis medicinal tenha causado diretamente todas essas mudanças.

Isso porque o trabalho é um estudo observacional. Não houve um grupo controle randomizado para comparar os resultados com pessoas que não receberam o tratamento. Além disso, a quantidade de participantes diminuiu consideravelmente até o acompanhamento de 12 meses.

Outro ponto importante é que a pesquisa envolveu pessoas que receberam prescrição de produtos de cannabis medicinal em condições reais de atendimento, o que amplia a compreensão sobre o uso na prática clínica, mas também traz variáveis que podem influenciar os resultados.

Cannabis medicinal precisa de acompanhamento médico

O estudo QUEST contribui para o crescimento das evidências sobre o uso de cannabis medicinal em pessoas com condições crônicas, especialmente por observar os participantes durante um período mais longo.

Ainda assim, os próprios pesquisadores destacam que os resultados devem contribuir para decisões clínicas e políticas públicas, e não ser interpretados como uma recomendação universal de tratamento.

A escolha de produtos, composição, dose, frequência e duração do uso depende da condição de saúde, do histórico do paciente e da avaliação de um profissional habilitado.

Mais do que uma promessa, os dados ajudam a construir uma fotografia de um campo científico que ainda está em expansão: o acompanhamento de pacientes que utilizam cannabis medicinal na vida real.

O que o estudo encontrou

  • Melhora clinicamente significativa na qualidade de vida.
  • Redução de indicadores relacionados à fadiga.
  • Melhora dos distúrbios do sono.
  • Redução de sintomas de dor entre participantes com dor crônica.
  • Melhora de ansiedade e depressão em grupos com essas condições.
  • Ausência de evidência conclusiva de melhora da função motora.