Política Internacional

Cannabis medicinal: Paraguai mira oportunidade nos EUA

Diego Barros, CCO da Pharma Industries, analisa as regras do Paraguai e o impacto da nova definição de cânhamo nos EUA. Leia mais.

Cannabis medicinal: Paraguai mira oportunidade nos EUA
Diego Barros, CCO da Pharma Industries: regulamentação no Paraguai abre portas para mercado internacional, mas exportação ainda exige atenção. (Foto: Divulgação)
O Paraguai vive um momento de maturação regulatória no setor de cannabis medicinal. Desde dezembro de 2025, novas resoluções ampliaram a prescrição médica e permitiram a comercialização de produtos derivados de cannabis sem exigência de registro sanitário individual por produto.

 

Avanço regulatório no Paraguai

 

De acordo com Diego Barros, CCO da Pharma Industries S.A., o país passou a oferecer um ambiente mais favorável para empresas interessadas na produção e na comercialização de derivados de cannabis.


 

“O Paraguai vive um momento de maturação regulatória no setor de cannabis medicinal. Desde dezembro de 2025, as Resoluções Nº 488/2025 (DINAVISA) e Nº 902/25 (Ministério da Saúde) ampliaram a prescrição médica — hoje qualquer especialidade pode prescrever — e permitiram a comercialização de produtos derivados de cannabis sem exigência de registro sanitário individual por produto, tanto para venda local quanto para exportação.”


 

O novo cenário regulatório alcança a venda local e as operações de exportação. A mudança amplia o espaço para empresas que pretendem desenvolver produtos derivados da planta no Paraguai.


 

O país também conta com empresas licenciadas para atuar no segmento, entre elas a Pharma Industries S.A., considerada uma das pioneiras do setor paraguaio.


 

“O país conta atualmente com 12 empresas licenciadas para operar no segmento, entre elas a Pharma Industries S.A., uma das pioneiras do setor no Paraguai.”

 

Exportação ainda enfrenta obstáculos

 

Apesar da evolução das regras, a ausência de um limite específico de THC para exportação continua sendo um dos pontos de atenção para o setor. A existência de um marco regulatório favorável não tem sido suficiente para liberar embarques de produtos com maior concentração.


 

“Apesar do avanço normativo, a legislação paraguaia não estabelece um limite específico de THC para fins de exportação — o que, na prática, não tem sido suficiente para destravar embarques de produtos de maior concentração.”


 

A questão mostra que a autorização para produção e comercialização no Paraguai não resolve, sozinha, as exigências relacionadas à saída dos produtos. Os desafios operacionais e administrativos continuam influenciando o fluxo de exportações.


 

Mudança regulatória nos Estados Unidos

 

O cenário paraguaio ganha relevância diante de uma mudança regulatória nos Estados Unidos. A partir de 12 de novembro de 2026, uma nova definição federal de cànhamo restringirá o teor de THC total a 0,4 miligrama por embalagem.


 

A medida deve retirar do mercado americano cerca de 95% dos produtos de cànhamo psicoativo atualmente disponíveis. A alteração foi sancionada em novembro de 2025 e é diferente da recente reclassificação da maconha medicinal de Schedule I para Schedule III.


 

A reclassificação da maconha medicinal não altera o novo limite federal de THC estabelecido para os produtos de cànhamo.


 

Interesse pelo modelo white label

 

Com parte da oferta doméstica americana se tornando inelegível, empresas do setor passam a avaliar alternativas de fabricação fora dos Estados Unidos. Nesse contexto, o Paraguai aparece como uma possibilidade para negócios interessados na produção sob o modelo white label.


 

“Com parte relevante da oferta doméstica americana se tornando inelegível, cresce o interesse por alternativas de fabricação fora dos Estados Unidos. Nesse contexto, o Paraguai — com um marco legal já favorável à exportação de derivados — desponta como opção para empresas que buscam produção sob o modelo white label, desde que os desafios operacionais e administrativos de saída dos produtos sejam equacionados.”


 

O modelo white label permite que uma empresa desenvolva sua operação com produtos fabricados por outra companhia, comercializando-os sob sua própria marca. No caso paraguaio, a oportunidade está associada à estrutura regulatória voltada para derivados de cannabis e à possibilidade de atender empresas interessadas em produzir fora dos Estados Unidos.


 

A consolidação desse movimento, contudo, depende da solução dos entraves relacionados à exportação. Para o setor, o Paraguai reúne condições regulatórias para atrair novos negócios, mas ainda precisa superar os desafios administrativos e operacionais que dificultam o embarque de produtos de maior concentração de THC.