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Cannabis na Dinamarca ganha espaço entre pacientes

Cannabis na Dinamarca cresce 64% em 2025. Veja o que os dados oficiais mostram sobre prescrições, pacientes e efeitos adversos.

Cannabis na Dinamarca ganha espaço entre pacientes
Cannabis na Dinamarca registra aumento de 64% nas prescrições para uso medicinal em 2025. | CanvaPro

Há momentos em que os números contam uma história antes mesmo de qualquer explicação. Na cannabis na Dinamarca, eles mostram um movimento claro: o número de prescrições de produtos para uso medicinal aumentou 64% em 2025, segundo dados da Agência Dinamarquesa de Medicamentos.

O levantamento aponta que foram registradas 22.410 prescrições para 2.465 pacientes ao longo do ano. Em 2024, haviam sido 13.665 prescrições para 1.605 pacientes.

A expansão acontece enquanto o país atravessa uma mudança importante em seu modelo de acesso à cannabis medicinal, com o encerramento do programa experimental e a entrada em vigor de uma legislação permanente em 2026.

Cannabis na Dinamarca cresce entre pacientes

Os dados mostram que o interesse pela cannabis medicinal avançou de forma significativa entre 2024 e 2025.

O número de prescrições passou de 13.665 para 22.410, uma alta de 64%. Já o número de pacientes aumentou de 1.605 para 2.465, crescimento de aproximadamente 54%.

A diferença entre o crescimento das prescrições e o de pacientes também chama atenção. Na prática, os dados indicam que, além de mais pessoas terem recebido prescrições, houve um aumento no número de prescrições realizadas para esses pacientes.

Segundo a Newsweed, que analisou os dados divulgados pelas autoridades dinamarquesas, 13 produtos estavam disponíveis dentro do programa em 2025, incluindo diferentes formulações e concentrações de THC e CBD.

Entre os produtos com maior número de prescrições estava o Bedrocan “Scanleaf”, utilizado por 935 pacientes em 7.460 prescrições. O Bedrocan “Canngros” aparece em seguida, com 780 pacientes e 5.430 prescrições.

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O cenário ajuda a dimensionar como a cannabis medicinal vem ocupando espaço dentro do sistema de saúde dinamarquês, ainda que os números de prescrição, isoladamente, não indiquem quais condições médicas foram responsáveis pela maior parte dos tratamentos.

Cannabis na Dinamarca medicinal e efeitos adversos

Enquanto o número de prescrições de cannabis na Dinamarca aumentou, a quantidade de notificações de suspeitas de efeitos adversos permaneceu baixa.

Em 2025, a Agência Dinamarquesa de Medicamentos recebeu três notificações relacionadas a suspeitas de efeitos adversos. O mesmo número havia sido registrado em 2024.

Duas notificações foram classificadas como graves e uma como não grave. Os relatos envolveram quatro eventos: fadiga, perda de consciência, visão turva e derrame pericárdico, condição caracterizada pelo acúmulo de líquido ao redor do coração.

Os casos envolveram pessoas entre 21 e 82 anos. De acordo com os dados divulgados, em dois casos a cannabis medicinal havia sido utilizada para tratar dores neuropáticas. No terceiro, o objetivo era estimular o apetite.

É importante, porém, separar dois conceitos: uma notificação de suspeita de efeito adverso não comprova que o produto tenha causado o evento.

A avaliação de segurança considera outros fatores, como condições de saúde, medicamentos utilizados simultaneamente e histórico clínico do paciente.

O que os dados dizem sobre a segurança?

A baixa quantidade de notificações pode parecer significativa diante do aumento das prescrições, mas não permite concluir que os produtos sejam livres de riscos.

A própria Lægemiddelstyrelsen afirma que os dados de notificações não podem ser utilizados para calcular a probabilidade de ocorrência de efeitos adversos ou para comparar diretamente a segurança entre diferentes produtos.

Isso acontece porque os sistemas de farmacovigilância dependem da identificação e comunicação dos eventos. Portanto, a ausência de uma notificação não significa necessariamente ausência de um efeito adverso.

Outro ponto destacado pela autoridade é que os produtos disponibilizados pelo programa dinamarquês de cannabis medicinal não foram estudados sistematicamente da mesma maneira que medicamentos aprovados.

Por isso, o acompanhamento dos pacientes continua sendo uma ferramenta importante para identificar possíveis sinais de segurança ao longo do tempo.

Dinamarca entra em nova fase regulatória

Os números de 2025 também são importantes porque representam o último ano do programa experimental de cannabis medicinal da Dinamarca.

O modelo foi encerrado em 31 de dezembro de 2025. A partir de 1º de janeiro de 2026, entrou em vigor uma legislação permanente para a cannabis medicinal no país.

A mudança altera o contexto em que os próximos dados serão analisados. Com a continuidade do acesso dentro de uma estrutura regulatória permanente, o acompanhamento de prescrições, pacientes e possíveis efeitos adversos pode ajudar as autoridades a observar como o uso medicinal evolui.

A expansão registrada em 2025, portanto, não deve ser lida apenas como um aumento de consumo. Ela também representa uma mudança no comportamento de pacientes e profissionais dentro de um sistema que passou de um modelo experimental para uma estrutura permanente.

O que os números revelam?

O avanço de 64% nas prescrições coloca a cannabis na Dinamarca no centro de uma transformação que combina maior utilização medicinal e mudanças regulatórias.

Ao mesmo tempo, os três relatos de suspeitas de efeitos adversos reforçam a necessidade de interpretar os dados com cautela. Eles não permitem afirmar que os produtos sejam seguros ou inseguros de forma geral.

O que os números mostram, de maneira objetiva, é que mais pacientes tiveram acesso à cannabis medicinal em 2025 e que o volume de prescrições cresceu de forma expressiva.

A partir de 2026, o desafio será acompanhar essa nova etapa com dados consistentes, transparência e monitoramento contínuo. Afinal, quando uma terapia passa a alcançar mais pessoas, também cresce a importância de entender, com precisão, seus benefícios, limitações e possíveis riscos.