Cannabis nos EUA: o que mudou na percepção dos americanos
Pesquisa revela que 55% dos adultos não consideram a cannabis nos EUA uma droga perigosa. 46% rejeitam a ideia de que ela é a mais perigosa. Veja!

Cannabis nos EUA - Há algo mudando na forma como os americanos enxergam a cannabis. Uma nova pesquisa nacional mostra que a maioria dos entrevistados não considera o uso da planta muito perigoso e que menos da metade acredita que ela necessariamente leve ao consumo de outras drogas. Os dados foram divulgados pela Rasmussen Reports em 15 de setembro de 2026.
O levantamento ouviu 1.234 adultos americanos entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, segundo a empresa responsável pela pesquisa.
Os números ajudam a desenhar um retrato interessante de uma sociedade em que a relação com a cannabis vem passando por transformações culturais, legais e comportamentais. Mas percepção pública e evidência científica não são a mesma coisa e essa diferença importa.
Cannabis nos EUA: maioria não considera uso perigoso
Segundo a Rasmussen Reports, 55% dos entrevistados sobre a Cannabis nos EUA afirmaram que consideram a planta não perigosa, sendo que 27% disseram que ela não é “perigosa de forma alguma” e 28% a classificaram como “não muito perigosa”.
No outro lado, 37% disseram considerar o uso perigoso. Desse grupo, 24% classificaram a cannabis como “um pouco perigosa” e 13% como “muito perigosa”.
O resultado sobre a Cannabis nos EUA representa uma mudança em relação ao levantamento realizado pela mesma empresa no ano anterior. Na pesquisa de setembro de 2025, 42% dos entrevistados consideravam o uso perigoso. Em 2026, esse percentual caiu para 37%.
A diferença, embora não permita concluir sozinha que a percepção da população esteja mudando de maneira permanente, chama atenção para a evolução do debate sobre a planta nos Estados Unidos.
Cannabis e a teoria da “porta de entrada”
Outro ponto investigado foi a percepção sobre a chamada teoria da “porta de entrada”, segundo a qual o uso de cannabis aumentaria significativamente a probabilidade de uma pessoa experimentar drogas consideradas mais perigosas.
Quando questionados sobre a possibilidade de o uso de cannabis levar ao consumo de drogas mais perigosas, 45% consideraram essa hipótese provável.
Desse total, 18% disseram que isso seria muito provável, enquanto 27% responderam que seria um pouco provável.
Por outro lado, 46% dos entrevistados consideraram a hipótese improvável: 27% disseram que seria “não muito provável” e 19% afirmaram que não seria “de forma alguma provável”. Outros 9% disseram não ter certeza.
É importante observar que a pesquisa mede a opinião dos entrevistados sobre essa relação, e não comprova ou refuta, por si só, uma relação causal entre cannabis e outras drogas.
O que os números mostram?
- 55% não consideram a cannabis perigosa;
- 37% consideram o uso perigoso;
- 45% consideram provável que a cannabis leve ao uso de drogas mais perigosas;
- 46% consideram essa possibilidade improvável;
- 9% não souberam responder sobre essa última questão.
Percepção sobre cannabis varia entre grupos políticos
A pesquisa também encontrou diferenças nas respostas de acordo com a identificação partidária dos entrevistados.
Entre republicanos, 50% disseram considerar a cannabis um pouco ou muito perigosa. Entre democratas, esse percentual foi de 33%.
A mesma diferença apareceu na pergunta sobre a teoria da “porta de entrada”: 60% dos republicanos consideraram provável que o uso de cannabis levasse ao consumo de drogas mais perigosas, contra 42% dos democratas.
Esses dados mostram uma divisão de percepção entre grupos políticos, mas não devem ser interpretados como uma explicação para as opiniões individuais de todos os eleitores de cada partido.
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Mudança também aparece nos dados de uso
A pesquisa de opinião ocorre em um cenário de transformação no comportamento da população americana.
Dados da National Survey on Drug Use and Health (NSDUH), divulgados pela Substance Abuse and Mental Health Services Administration (SAMHSA), mostram que 15,1% das pessoas com 12 anos ou mais relataram uso de cannabis no mês anterior em 2025, equivalente a cerca de 43,8 milhões de pessoas.
Entre adultos com 26 anos ou mais, o percentual chegou a 14,9%. Já entre jovens de 18 a 25 anos, foi de 23,3%.
No mesmo período, o percentual de pessoas com 12 anos ou mais que relataram ter fumado cigarros no mês anterior foi de 12,4%, ou 36,1 milhões de pessoas.
Os números ajudam a contextualizar uma mudança mais ampla nos padrões de consumo de substâncias nos Estados Unidos. Ainda assim, comparação de prevalência não significa comparação direta de riscos à saúde.
Fonte: Marijuana Moment.
