Saúde

Uso de cannabis reduz crises convulsivas de criança

Com mais qualidade de vida, Pedro abandona quatro medicamentos diários durante o tratamento com a planta.

Uso de cannabis reduz crises convulsivas de criança
Uso de cannabis reduz crises convulsivas de criança

Para tentar controlar as mais de 40 crises convulsivas diárias de seu filho, diagnosticado com paralisia cerebral e epilepsia refratária, Patrícia Sarruf medicava o Pedro todos os dias com quatro medicamentos anti convulsivos nas suas doses máximas, ainda no seu primeiro ano de vida.

Os efeitos colaterais deixavam Pedro adormecido quase o dia todo e como consequência da dosagem, ele desenvolveu uma gastrite medicamentosa e uma infecção por conta da secreção que esses medicamentos causam.

As pesquisas na internet em busca de uma alternativa menos danosa para controlar as crises de seu filho, mostraram à Patrícia que a cannabis era um caminho seguro e eficiente.

“Eu precisava encontrar uma forma de melhorar a vida do meu filho e pesquisando em artigos científicos eu me deparei com a cannabis medicinal que estava sendo utilizada nos EUA e em outros países. Consegui uma médica prescritora na minha cidade  e com a receita, comecei a  importar os óleos”, lembra Patrícia.

A Cannabis trouxe novas perspectivas

Após o primeiro mês de uso, as crises reduziram pela metade.

“A mudança foi da água pro vinho. Além de controlar as crises, ele passou a ficar mais acordado e mais alerta. Hoje, já tem cinco anos que ele toma cannabis e praticamente não tem mais crise e não usa nenhum outro medicamento, a não ser o canabidiol”,  conta Patrícia.

Antes do tratamento com seu filho, Patrícia só conhecia a cannabis para uso recreativo, porém as mudanças que ocorreram na família como um todo provaram que o potencial terapêutico da planta é capaz de transformar vidas.

“A nossa vida depois da cannabis é outra. Meu filho era totalmente dependente de mim, não havia perspectivas dele ir para a escola, por exemplo, dele ter outra cuidadora a não ser. São mudanças que impactam em todos nós e na sociedade à nossa volta”, pontua Patrícia.

Associativismo como caminho de acessibilidade

Os resultados do tratamento do seu filho despertaram o interesse de outras pessoas pela cannabis, que recorriam à patrícia em busca de informação.

Foi então, que ao lado de Kiara Cardoso, paciente de cannabis e doutora em Farmácia, decidiu fundar a AMO – Associação de Cannabis Medicinal.