Empresa australiana desenvolve comprimido de CBD de alta absorção para o tratamento da dor
Com o uso de nanotecnologia avançada, a biotecnológica Promethean BioPharma busca aprovação regulatória inédita para transformar o canabidiol em um medicamento padrão-ouro de prescrição.

Inovação em Nanotecnologia:
- Inovação em Nanotecnologia: A biotecnológica australiana Promethean BioPharma desenvolveu um comprimido de CBD seco sem THC que eleva a absorção do composto pelo corpo de 4% para 66%.
A corrida global pelo desenvolvimento de terapias à base de cannabis com rigor científico e padrão farmacêutico ganha um marco inovador na Austrália. A empresa de biotecnologia Promethean BioPharma, sediada em Sydney e liderada por Peter Comerford, protocolou junto ao órgão regulador australiano (Therapeutic Goods Administration – TGA) o pedido de registro de um inovador comprimido de canabidiol (CBD) isolado (sem THC), desenvolvido para o manejo de dores.
A iniciativa busca romper barreiras históricas de biodisponibilidade e padronização que ainda desafiam a prescrição médica em larga escala, marcando a transição do setor de cannabis artesanal para o universo farmacêutico tradicional.
O Desafio da Biodisponibilidade Superado por Nanotecnologia
Um dos maiores gargalos dos óleos e extratos tradicionais de CBD é a sua baixa absorção pelo organismo humano: estima-se que apenas cerca de 4% do canabidiol presente em óleos convencionais seja efetivamente absorvido pela corrente sanguínea.
Para solucionar esse problema, a Promethean BioPharma adaptou uma nanotecnologia originalmente empregada em antibióticos e medicamentos oncológicos. O processo decompõe o CBD em micropartículas encapsuladas com uma estrutura semelhante a carboidratos, compostos facilmente aceitos e absorvidos pelo corpo. Com isso, a biodisponibilidade do ativo salta para impressionantes 66%, viabilizando a eficácia necessária para a criação de um comprimido seco.
Ensaios Clínicos e Sinais Promissores
A empresa concluiu recentemente um ensaio clínico randomizado e duplo-cego com 155 participantes que sofriam de dor leve a moderada ao longo de quatro semanas. Embora o resultado global comparado ao grupo placebo não tenha alcançado significância estatística tradicional — um obstáculo clássico em pesquisas de dor devido ao forte efeito placebo —, os pesquisadores identificaram um subgrupo de "super-respondedores" (cerca de 10% dos participantes) que apresentaram alívio expressivo e duradouro desde a primeira semana de uso.
Além do controle da dor nos respondedores, os dados apontaram melhorias secundárias relevantes na qualidade do sono, redução da ansiedade e melhora no desempenho das atividades diárias. Com esses indícios, a empresa busca viabilizar o medicamento por meio de vias de registro regulatório aceleradas ou provisórias na Austrália.
Rumo à Maturação da Indústria Farmacêutica de Cannabis
Para Peter Comerford, CEO da companhia e com histórico na gestão de hospitais, a indústria de cannabis precisa amadurecer sua abordagem técnica e científica.
"Todo mundo na cannabis acredita que a planta é especial. Quando você quer que alguma coisa seja um medicamento, precisa transformá-la em um produto farmacêutico. Você não pode simplesmente cortar a parte de cima, espremer o óleo e dizer: isso é remédio. Isso precisa amadurecer", disse Comerford em entrevista à Forbes Austrália.
Caso a TGA aprove o registro, a Promethean BioPharma poderá não apenas dominar uma fatia significativa do mercado australiano de CBD — estimado em centenas de milhões de dólares —, mas também abrir caminho para acordos de reconhecimento mútuo com mercados globais na Europa, Reino Unido, Canadá e Ásia, consolidando uma nova geração de tratamentos seguros, padronizados e acessíveis em farmácias.
Créditos e Fonte: Com informações e adaptações da reportagem original publicada pela Forbes Brasil (Forbes Saúde).
