Flores de cânhamo ganham novo mercado na Argentina
Argentina regulamenta produção e comércio de flores de cânhamo com até 1% de THC e cria novas licenças para o setor. Confira!

A Argentina deu um passo decisivo para consolidar seu mercado agroindustrial e farmacêutico ao regulamentar a produção, a comercialização e a exportação de flores de cânhamo.
Com a publicação da Resolução 69/2026, o país amplia as oportunidades para produtores, traz segurança jurídica ao setor e atrairá investimentos estratégicos para toda a cadeia produtiva regional.
A mudança foi estabelecida pela Agência Reguladora da Indústria do Cânhamo e da Cannabis Medicinal (ARICCAME), publicada em 3 de setembro.
A norma estabelece um regime específico de licenças para atividades relacionadas ao cânhamo com fins hortícolas e inclui expressamente a biomassa e as flores de cânhamo destinadas a aplicações medicinais, nutricionais, cosméticas, veterinárias, industriais e de pesquisa científica.
O novo marco representa uma etapa madura da construção regulatória argentina, iniciada com a legislação de 2022 e ampliada progressivamente nos anos seguintes. Agora, a cadeia produtiva passa a contar com regras claras para uma matéria-prima que antes não possuía um caminho comercial e legal bem definido.
O que muda com a Resolução 69/2026?
A principal novidade está na criação de um sistema estruturado de licenciamento que contempla diferentes etapas operacionais. De acordo com a ARICCAME, o regime estabelece quatro categorias principais de licenças:
- Produção agrícola: dedicada ao cultivo de cânhamo com fins hortícolas;
- Elaboração de produtos: voltada ao processamento e obtenção de derivados;
- Prestação de serviços: cobrindo consultorias, análises e suporte operacional;
- Comércio exterior: autorizando operações de importação e exportação.
As autorizações emitidas terão validade de cinco anos, com a exigência de uma revalidação anual. Também foram fixadas exigências rigorosas quanto às boas práticas agrícolas, infraestrutura de processamento, testes laboratoriais periódicos, rastreabilidade e identificação detalhada dos lotes.
Na prática, isso garante um caminho claro e previsível para quem produz ou comercializa flores de cânhamo. A norma não significa uma liberação irrestrita, mas sim a criação de mecanismos oficiais de controle e fiscalização.
Limite de THC e segurança técnica
Um dos pilares técnicos mais importantes da legislação argentina diz respeito à concentração de tetrahidrocanabinol (THC). Desde o Decreto 405/2023, o país estabelece que o cânhamo industrial pode conter até 1% de THC em peso seco.
A Resolução 69/2026 mantém essa linha de corte para o manuseio de flores de cânhamo, mas introduce uma margem administrativa flexível para resultados laboratoriais que fiquem entre 1% e 2,5%. Nesses casos, o material não é automaticamente enquadrado como infração penal ou irregularidade grave.
O lote pode ser preventivamente imobilizado enquanto a ARICCAME realiza verificações técnicas, contraprovas e análises complementares. Esse mecanismo demonstra que a regulamentação entende as variações naturais da planta, priorizando a avaliação técnica contínua antes de aplicar sanções drásticas aos produtores.
Cannabis medicinal e articulação setorial
Embora a nova resolução tenha como foco o regime hortícola, o alcance do texto dialoga diretamente com o setor da cannabis medicinal. A norma prevê que o processamento de flores de cânhamo pode abastecer indústrias de cosméticos, suplementos, medicamentos e produtos veterinários.
Entretanto, é fundamental diferenciar o acesso à matéria-prima da aprovação automática de produtos farmacêuticos acabados. A comercialização de remédios e fitoterápicos extraídos a partir de flores de cânhamo continua sob a fiscalização de órgãos de saúde competentes, exigindo registros sanitários específicos.
A nova resolução cumpre o papel de organizar o elo inicial da cadeia — garantindo que a matéria-prima utilizada pela indústria farmacêutica ou cosmética seja cultivada sob rígidos padrões de qualidade e rastreabilidade.
O que muda para produtores e empresas?
Para empreendedores e investidores, a grande vantagem é a eliminação da insegurança jurídica. Anteriormente, a regulamentação cobria de forma clara apenas sementes, fibras e grãos. A inclusão expressa de biomassa e flores de cânhamo abre novas frentes de negócios de alto valor agregado.
O acompanhamento regulatório passa a cobrir diversas fases da operação:
- Cultivo e colheita;
- Secagem, acondicionamento e armazenamento;
- Testes de perfil de canabinoides e contaminantes;
- Transporte e comercialização interna;
- Logística para o comércio internacional.
Com essa clareza, os produtores que cultivam flores de cânhamo ganham respaldo para investir em tecnologia de ponta, melhoria genética e infraestrutura de pós-colheita, sabendo exatamente quais exigências devem cumprir perante o Estado.
De olho no comércio exterior
O comércio internacional é um dos aspectos mais estratégicos do novo texto. A licença dedicada à exportação e importação abrange o material vegetal seco e amostras de referência.
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Essa abertura permite posicionar a oferta de flores de cânhamo da Argentina no mercado global, atendendo à crescente demanda de países europeus e norte-americanos por fitoterápicos e insumos industriais. A medida faz parte de uma política governamental ampla, iniciada em 2022, que busca transformar o cânhamo em um motor de desenvolvimento econômico, geração de empregos qualificados e captação de divisas internacionais.
Um mercado em constante evolução
A publicação da Resolução 69/2026 representa um avanço expressivo, mas não encerra o debate regulatório no país. Ela faz parte de uma construção contínua para harmonizar exigências sanitárias, fiscais e produtivas.
Ao definir procedimentos claros para testes laboratoriais, armazenagem e transporte de flores de cânhamo, a Argentina estabelece um padrão rigoroso e atraente para o mercado da América Latina. Para as empresas, a previsibilidade de regras é o elemento mais valioso para o planejamento a longo prazo.
