Indústria da cannabis doa US$ 2 milhões a super PAC de Trump antes de ordem de reclassificação
Repasses financeiros de grandes empresas do setor ocorreram meses antes da medida executiva do presidente, visando a mudança na legislação federal
Publicada em 09/01/2026

Donald Trump. Imagem: Arquivo Casa Branca
Um comitê político financiado pela indústria da cannabis contribuiu com mais US$ 1,05 milhão para o super PAC MAGA Inc., ligado ao presidente Donald Trump, segundo informações do Marijuana Moment. Os repasses ocorreram nos meses que antecederam a ordem executiva de reclassificação da planta, segundo registros da Comissão Eleitoral Federal (FEC).
O American Rights and Reform PAC, inicialmente lançado como Legalize America, foi o responsável pelas doações. O tesoureiro do grupo é um executivo da Curaleaf, gigante da indústria da cannabis, o que demonstra a articulação do setor.
Em julho, o comitê doou US$ 1 milhão ao grupo político do presidente, seguido por mais US$ 50.000 em novembro. Somados aos valores do primeiro semestre, as contribuições totais da indústria da cannabis para a MAGA Inc. chegam a US$ 2,05 milhões.
A influência da indústria da cannabis na reclassificação
A doação mais recente ocorreu cerca de um mês antes de Trump assinar uma ordem executiva crucial para o setor. A medida instruiu a conclusão do processo de transferência da maconha da Lista I para a Lista III da Lei de Substâncias Controladas (CSA).
Embora os relatórios não indiquem uma finalidade explícita para as verbas, o comitê tem defendido ativamente essa reforma. A indústria da cannabis busca, através dessas ações, garantir um ambiente regulatório mais favorável nos Estados Unidos.
Em março, anúncios financiados pelo grupo atacaram o histórico do ex-presidente Joe Biden e as políticas do Canadá. A campanha argumentava que Trump seria o único capaz de implementar as reformas desejadas pela indústria da cannabis.
Estratégias de comunicação e apoio conservador
Os anúncios tinham como objetivo atrair diretamente Trump, apelando para sua imagem de defensor do empreendedorismo. “Esta é uma luta que prioriza a América”, dizia uma das peças publicitárias veiculadas.
“O presidente Trump teve a coragem de assinar a Lei do Direito de Tentar, ajudando pacientes americanos. Vamos fazer isso de novo. Vamos reclassificar a cannabis e colocar a América em primeiro lugar”, completava o anúncio, alinhado aos interesses da indústria da cannabis.
Além disso, a Curaleaf já havia buscado apoio anteriormente, doando US$ 250.000 para o comitê de posse de Trump. Essa contribuição foi intermediada por uma importante associação que representa a indústria da cannabis.
Perspectivas futuras para a indústria da cannabis
Paralelamente, a America First Agriculture Inc., uma organização conservadora, aplaudiu a ordem de reclassificação. O grupo argumenta que a medida destruirá o mercado ilícito e beneficiará veteranos militares e idosos.
Em um novo anúncio, a organização afirmou que o presidente "prometeu colocar a América em primeiro lugar, e sua palavra vale ouro". No entanto, o Departamento de Justiça ainda não divulgou um cronograma definitivo para a decisão.
Pesquisadores apontam que o processo ainda enfrenta incertezas. Existe a possibilidade de a agência reiniciar a análise ou interrompê-la, mantendo a indústria da cannabis em alerta quanto ao desfecho regulatório.
Com informações de Marijuana Moment



