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Legalização da cannabis pode render bilhões aos EUA

A legalização da cannabis nos EUA poderia gerar US$ 57,9 bilhões em receitas federais em dez anos, segundo estudo da Universidade Yale. Confira!

Legalização da cannabis pode render bilhões aos EUA
Legalização da cannabis pode gerar até US$ 57,9 bilhões em receitas federais nos Estados Unidos, segundo estudo da Universidade Yale | CanvaPro

Nos Estados Unidos, a legalização da cannabis voltou a ganhar espaço também sob uma perspectiva econômica: um estudo do The Budget Lab, da Universidade Yale, estima que uma eventual legalização federal poderia gerar US$ 57,9 bilhões em receitas para o governo em dez anos.

A projeção considera a legalização para uso medicinal e adulto, acompanhada de um imposto federal específico sobre produtos de cannabis. 

Em um cenário ainda mais abrangente, no qual todos os estados também legalizassem a atividade, a arrecadação poderia chegar a US$ 111,3 bilhões no mesmo período.

Publicado em agosto de 2026, o estudo chama atenção para uma particularidade do mercado norte-americano: a cannabis já movimenta bilhões de dólares, mas continua presa a uma espécie de quebra-cabeça regulatório, no qual leis estaduais e federais nem sempre caminham na mesma direção.

O cenário ajuda a entender por que a legalização da cannabis deixou de ser apenas uma discussão sobre política de drogas. Ela também envolve tributação, empregos, empresas, mercado consumidor e o tamanho da economia informal.

Segundo Yale, o mercado recreativo legal dos Estados Unidos movimentou cerca de US$ 25 bilhões em 2024. Sem mudanças importantes na legislação, a estimativa é que esse mercado possa alcançar quase US$ 40 bilhões em 2035.

O segmento medicinal representa uma parcela menor, mas ainda significativa: aproximadamente 20% da atividade, com vendas estimadas entre US$ 5 bilhões e US$ 8 bilhões por ano no período analisado.

Como funcionaria o imposto sobre cannabis?

No cenário elaborado pelos pesquisadores, o governo federal cobraria um imposto baseado na quantidade de THC presente nos produtos. A taxa considerada seria de US$ 0,00625 por miligrama de THC.

Na prática, isso equivaleria a aproximadamente US$ 1,31 de imposto por grama, considerando o preço médio utilizado no estudo. O tributo representaria cerca de 15% de aumento sobre o preço já com impostos.

A escolha do THC como referência segue uma lógica semelhante à tributação de produtos como álcool e tabaco, em que a cobrança pode considerar a quantidade ou a concentração da substância relevante.

Mas há um detalhe importante: os próprios pesquisadores alertam que os números não devem ser tratados como uma previsão exata. O grau de incerteza é considerado elevado justamente porque boa parte desse mercado ainda funciona em uma zona regulatória complexa.

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Legalização da cannabis pode formalizar mercado

Um dos pontos mais interessantes do levantamento está justamente naquilo que não aparece imediatamente nas prateleiras das lojas: a economia informal.

O estudo estima que a atividade econômica relacionada à cannabis, considerando os mercados legal e ilícito, alcance aproximadamente US$ 100 bilhões. Ainda assim, cerca de 75% dessa atividade permaneceria fora do mercado formal.

A legalização da cannabis poderia, portanto, estimular uma migração de empresas, trabalhadores e consumidores para um ambiente regulamentado e tributado.

Hoje, negócios autorizados pelos estados enfrentam obstáculos decorrentes da legislação federal. Entre eles estão dificuldades para utilizar determinados serviços bancários e as restrições tributárias impostas pela chamada Seção 280E.

Essa regra impede que empresas envolvidas com determinadas substâncias controladas deduzam despesas comerciais que normalmente seriam abatidas por outros negócios.

Para empresas de cannabis, isso significa que gastos como aluguel, folha de pagamento, serviços públicos, marketing e seguros podem não ser tratados da mesma maneira no cálculo do imposto federal.

Com uma eventual legalização da cannabis em nível federal, essa barreira seria retirada. Para Yale, a mudança poderia incentivar parte das empresas a entrar definitivamente na economia formal.

Empregos também entram na conta

O impacto econômico não ficaria restrito aos cofres públicos.

O Cannabis Jobs Report, citado pelo The Budget Lab, estimou que mais de 440 mil trabalhadores estavam empregados, em 2024, por empresas que cumprem as leis estaduais nos locais onde a atividade é permitida.

Uma eventual mudança federal poderia ampliar a formalização desses profissionais e gerar receitas adicionais por meio de impostos de renda e contribuições sobre a folha de pagamento.

O estudo cita ainda uma estimativa da Tax Foundation segundo a qual impostos individuais e sobre a folha poderiam representar aproximadamente US$ 1,5 bilhão por ano em receitas federais em uma indústria legalizada.

Apesar disso, Yale não incorpora esse valor diretamente à sua projeção principal, porque seria necessário estimar quantos trabalhadores atualmente informais passariam para o mercado formal e quanto seria efetivamente declarado.

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O mercado ilícito continua sendo um desafio

Existe, porém, um outro lado dessa conta.

A tributação pode gerar dinheiro para o governo, mas impostos elevados também podem aumentar o preço dos produtos legais e tornar o mercado clandestino mais atraente para parte dos consumidores.

É um dos grandes dilemas apontados pelo estudo: a legalização da cannabis pode trazer atividades para a economia formal, mas uma carga tributária muito pesada pode estimular a permanência de negócios fora dela.

Nos Estados Unidos, a situação é especialmente complexa porque a cannabis medicinal já foi legalizada, de alguma forma, em 47 estados e no Distrito de Columbia. O uso adulto foi aprovado em 24 estados e no Distrito de Columbia.

Ainda assim, a legislação federal mantém uma estrutura própria, criando obstáculos para empresas que atuam legalmente segundo as regras estaduais.

É nesse espaço entre o que já existe e o que ainda pode mudar que o estudo de Yale coloca seus números.

A legalização da cannabis, portanto, não aparece apenas como uma possível fonte de arrecadação. Ela também poderia reorganizar uma indústria que já existe, mas que ainda convive com barreiras bancárias, tributárias e regulatórias.

No fim, os US$ 57,9 bilhões são mais do que uma cifra chamativa. São uma forma de dimensionar o tamanho de uma economia que já está em movimento.

Mas o próprio The Budget Lab faz uma ressalva importante: trata-se de uma projeção baseada em cenários hipotéticos, e não de uma garantia de arrecadação. O resultado real dependeria de fatores como a adesão dos estados, o comportamento dos consumidores, o valor dos impostos e, principalmente, o quanto da atividade atualmente ilícita migraria para o mercado formal.