Marcelo D2 fala ao Sechat sobre passado e futuro da cannabis no Brasil
Em entrevista exclusiva, o músico diz que a repercussão da prisão da banda Planet Hemp contribuiu para estarmos aqui hoje falando abertamente da planta

Por João R. Negromonte
Em setembro aconteceu em São Paulo mais uma edição do Cannabis Thinking, evento que fomentou o debate sobre os usos da cannabis e trouxe nomes importantes para a discussão como o advogado Pedro Abramovay, o influenciador digital, especialista em marketing e fundador da empresa SuperWeb Inc., AD Júnior, o ministro da 4º turma do Superior Tribunal de Justiça, Rogerio Schietti e o do cantor e compositor Marcelo D2.
D2, que ao lado dos integrantes da banda Planet Hemp, foi preso em 1997 pela polícia federal por apologia às drogas e formação de quadrilha, hoje, revela que ainda precisamos evoluir muito nas questões sociais relacionadas ao tema, mas fazer parte deste processo de desmistificação da pauta, mesmo que da pior maneira, é gratificante.
“Não precisava ser assim, tivemos vários problemas psicológicos com a prisão na época. Contudo o fato nos fortaleceu. Lembro que saíram várias matérias na época a respeito do caso e, conversando com amigos depois, me revelaram que tinham criado coragem para falar sobre maconha com a família na mesa de jantar”, destaca Marcelo, que firmou parceria com a Koba, primeira marca de óleo de CBD paraguaia a entrar no Brasil.
Confira a entrevista completa:
(Imagens: Carolina Collet)
Criada pelos empresários Diego Barros e André Kochem, o grande diferencial da empresa, segundo Barros, é a questão social “O produto feito em parceria com o D2 é fabricado no Paraguai, com selo do projeto social ‘Hemp Guarani’, onde mais de 4.500 pessoas e sete colônias indígenas são impactadas diretamente”, explica o empreendedor se referindo ao projeto da empresa de retirar os produtores indígenas de cannabis da ilegalidade no país sulamericano. “Antes, esses produtores eram controlados pelo crime organizado e, agora, têm a oportunidade de produzir legalmente o cânhamo no Paraguai”.

Quando questionado sobre se é possível a pauta social caminhar junto com o uso medicinal e ao mesmo tempo adulto, Diego diz:
“Com certeza, precisamos pensar nas milhões de pessoas injustiçadas e escravizadas diariamente pelo crime organizado, assim como também na luta falha da guerra às drogas do nosso sistema, que utiliza da força bruta para manter um controle ‘invisível’ sobre a população de baixa renda.”
Diego conclui que sem educação e informação, não iremos conseguir desmistificar os diferentes usos da planta, seja terapêutico, medicinal ou adulto, afinal, assim como o lema da campanha Koba mesmo diz: "Todo usuário também é paciente!"
