Metanfetamina: Austrália testa terapia online contra uso

Estudo australiano testa terapia online para ajudar pessoas a reduzir o uso de metanfetamina e ampliar o acesso ao cuidado. Saiba mais!

Metanfetamina é alvo de estudo australiano que avalia uma terapia online baseada em técnicas de terapia cognitivo-comportamental | CanvaPro

Às vezes, o primeiro passo para mudar não acontece diante de uma porta de consultório, mas diante de uma tela. Na Austrália, pesquisadores estão testando uma terapia online para ajudar pessoas que desejam reduzir o uso de metanfetamina, criando uma nova possibilidade de acesso ao cuidado.

A iniciativa é conduzida pelo National Centre for Clinical Research on Emerging Drugs (NCCRED), ligado à Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW). O programa, chamado IMPACT, foi desenvolvido para avaliar se uma intervenção digital pode ser aceitável e útil para quem deseja modificar sua relação com a substância.

Como funciona a terapia online para metanfetamina?

O IMPACT é um programa de seis semanas realizado pela internet. A proposta reúne cinco lições baseadas em técnicas e conceitos da terapia cognitivo-comportamental (TCC), com atividades práticas que podem ser realizadas no ritmo de cada participante.

Entre os objetivos estão ensinar estratégias para lidar com desejos intensos de consumo, desenvolver formas de enfrentamento e trabalhar aspectos relacionados ao bem-estar.

A flexibilidade é uma das características do programa. Os participantes são incentivados a completar as cinco lições durante as seis semanas, mas podem avançar pelo conteúdo em seu próprio ritmo.

A pesquisa não apresenta a terapia digital como substituta de um acompanhamento profissional. O próprio NCCRED ressalta que o IMPACT é uma ferramenta de autogerenciamento e não substitui tratamento médico ou psicológico.

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Metanfetamina é alvo de novas estratégias de cuidado

A pesquisa australiana surge em um cenário no qual cientistas procuram ampliar as possibilidades de tratamento para pessoas que usam metanfetamina.

O NCCRED mantém diferentes projetos voltados à substância, incluindo estudos sobre tratamentos farmacológicos e ferramentas digitais. Entre eles está o S-Check, aplicativo criado para ajudar usuários a acompanhar o próprio consumo, seus impactos sobre a saúde e possíveis riscos.

A aposta em recursos digitais tem uma razão importante: algumas pessoas podem não procurar imediatamente os serviços tradicionais de saúde.

Questões como distância, horários, privacidade, estigma ou simplesmente o receio de procurar ajuda podem criar barreiras. Nesse contexto, uma ferramenta online pode funcionar como uma porta de entrada adicional.

Quem pode participar do estudo?

O estudo pretende recrutar até 70 adultos que utilizam metanfetamina. Para participar, é necessário:

  • ter 18 anos ou mais;
  • ter usado metanfetamina pelo menos uma vez no último mês;
  • morar na Austrália;
  • ter domínio da língua inglesa;
  • possuir acesso a um computador com internet.

Os participantes respondem a questionários antes, durante e depois da intervenção. As avaliações procuram observar o padrão de uso da substância, o bem-estar psicológico e a experiência com o programa. Alguns participantes também podem ser convidados para entrevistas por telefone ou videoconferência.

Ao final das seis semanas, a equipe pretende analisar a satisfação dos participantes e possíveis mudanças relacionadas ao uso de metanfetamina.

O que a terapia cognitivo-comportamental busca mudar?

A TCC é uma abordagem psicológica utilizada em diferentes situações de saúde mental e também em intervenções relacionadas ao uso de substâncias.

No programa australiano, a ideia é transformar conceitos terapêuticos em atividades que possam ser realizadas pela internet. Assim, o participante pode aprender a identificar situações associadas ao consumo e experimentar estratégias para lidar com elas.

Entre as possibilidades trabalhadas estão:

  • reconhecimento de gatilhos;
  • manejo de desejos de consumo;
  • desenvolvimento de estratégias de enfrentamento;
  • reflexão sobre comportamentos;
  • fortalecimento do bem-estar.

O objetivo não é simplesmente colocar uma pessoa diante de uma tela e esperar que ela mude. A proposta é oferecer ferramentas estruturadas para que ela possa participar ativamente do processo.

Estudo ainda não comprova que terapia online funciona

É importante fazer uma distinção: o IMPACT é uma pesquisa em andamento. Portanto, seus resultados ainda não permitem afirmar que a terapia online seja eficaz para tratar a dependência de metanfetamina.

Neste momento, os pesquisadores querem entender principalmente se o programa é aceitável, seguro e viável para o público-alvo e se existem sinais de que ele pode ajudar na mudança do padrão de uso e no bem-estar.

Essa etapa é importante antes de estudos maiores. Afinal, uma intervenção pode parecer promissora, mas ainda precisar de avaliações mais amplas para determinar sua eficácia.

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Tecnologia pode aproximar pessoas do cuidado

A experiência com ferramentas digitais não começa agora na Austrália. O próprio NCCRED já desenvolveu pesquisas envolvendo aplicativos e intervenções pela internet para pessoas que usam metanfetamina.

Um estudo anterior com o aplicativo S-Check, por exemplo, avaliou uma ferramenta voltada à redução de danos e ao incentivo à busca por ajuda profissional. Segundo o NCCRED, a intervenção foi associada a maior procura por apoio profissional entre participantes e, nos usuários mais engajados, também a uma redução do uso da substância.

Esses resultados não significam que aplicativos ou terapias online substituam o atendimento especializado. Eles indicam, porém, que recursos digitais podem ser estudados como complementos dentro de uma rede de cuidado.

No caso da metanfetamina, essa possibilidade ganha relevância justamente porque chegar até quem precisa de ajuda pode ser um dos maiores desafios.

Uma tela, um começo

Ainda será preciso esperar pelos resultados do IMPACT para saber qual será o real impacto da iniciativa. Mas a pesquisa coloca uma questão importante sobre o futuro do cuidado: como levar apoio para pessoas que ainda não conseguiram chegar aos serviços tradicionais?

Talvez a resposta esteja em ampliar as portas de entrada. Uma delas pode ser o consultório. Outra, um serviço especializado. E, para algumas pessoas, talvez o primeiro passo seja simplesmente abrir uma tela.

Quando falamos sobre metanfetamina, cada possibilidade de cuidado merece ser investigada com rigor, mas também com humanidade.