Outubro Rosa: como a cannabis pode ajudar no tratamento
Tem dúvidas sobre como a cannabis medicinal pode auxiliar no Outubro Rosa, principalmente no alívio de sintomas? Descubra o que a ciência já sabe!

Outubro Rosa: entenda o papel da cannabis medicinal
- No Outubro Rosa, a cannabis medicinal ganha espaço nas pesquisas sobre o alívio de sintomas relacionados ao câncer de mama. Entenda o que a ciência já descobriu sobre os canabinoides, seus possíveis benefícios durante a quimioterapia e os cuidados necessários para um uso seguro.
O Outubro Rosa é um convite à prevenção, mas também à escuta, ao acolhimento e ao cuidado com quem enfrenta o câncer de mama. Entre consultas, exames e tratamentos, muitas pacientes precisam lidar com efeitos físicos e emocionais que afetam a rotina e a qualidade de vida. Nesse cenário, a cannabis medicinal vem sendo estudada como uma possibilidade complementar para aliviar alguns sintomas relacionados ao tratamento oncológico.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio de 2026 a 2028. Diante desse cenário, ampliar o acesso à informação confiável é parte fundamental do cuidado.
Outubro Rosa: o que a cannabis medicinal pode oferecer?
O interesse científico pela cannabis medicinal está relacionado principalmente ao potencial de determinados canabinoides, como o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), no manejo de sintomas.
Uma diretriz da American Society of Clinical Oncology (ASCO), publicada em 2024 no Journal of Clinical Oncology, analisou estudos sobre o uso de cannabis e canabinoides em adultos com câncer. A entidade reconhece que determinados medicamentos à base de canabinoides podem ser considerados para pacientes com náuseas e vômitos persistentes provocados pela quimioterapia, mesmo após o uso adequado de medicamentos antieméticos.
Entretanto, as evidências ainda são limitadas para diversos outros sintomas, e os resultados variam conforme a substância, a formulação e a situação clínica.
É importante reforçar: não há evidências clínicas suficientes para afirmar que a cannabis cure o câncer de mama ou substitua os tratamentos oncológicos convencionais.
Cannabis e câncer de mama: como aliviar os efeitos da quimioterapia?
Náuseas e vômitos estão entre os efeitos adversos que podem acompanhar determinados tratamentos contra o câncer. Para algumas pessoas, esses sintomas persistem mesmo com os medicamentos habitualmente prescritos.
Nessas situações específicas, a ASCO considera que medicamentos como dronabinol e nabilona, além de determinadas formulações padronizadas de THC e CBD, podem ser avaliados como complemento ao tratamento contra náuseas e vômitos resistentes.
Isso não significa que qualquer óleo de cannabis tenha a mesma eficácia. A composição dos produtos, a dose e a qualidade das evidências precisam ser consideradas individualmente.
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CBD, THC e câncer: quais cuidados são necessários?
Embora despertem interesse, CBD e THC não são substâncias isentas de riscos. Podem provocar efeitos adversos e interagir com medicamentos utilizados durante o tratamento oncológico.
A ASCO recomenda que a cannabis não seja utilizada como tratamento direcionado contra o câncer fora de ensaios clínicos. Também destaca que as evidências são insuficientes para recomendar seu uso rotineiro em diversas situações, como dor relacionada ao câncer, ansiedade e melhora da qualidade de vida.
Por isso, pacientes devem conversar abertamente com a equipe de saúde antes de iniciar ou modificar o uso de qualquer produto à base de cannabis. A avaliação é especialmente importante durante a quimioterapia, a hormonioterapia, a imunoterapia e outros tratamentos sistêmicos.
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Outubro Rosa também é sobre acolher e informar
O Outubro Rosa vai além dos laços cor-de-rosa e das campanhas de conscientização. É uma oportunidade para lembrar que cada pessoa atravessa o câncer de uma maneira particular e merece receber informação de qualidade, tratamento adequado e acolhimento durante toda a jornada.
A cannabis medicinal faz parte de uma investigação científica que pode ampliar as possibilidades de cuidado em situações específicas, mas ainda existem perguntas sem respostas definitivas. Separar evidências de promessas é essencial para que pacientes e familiares tomem decisões conscientes.
Porque cuidar também é escutar, respeitar a história de cada pessoa e oferecer caminhos seguros para que ninguém precise atravessar essa jornada sem informação e apoio.
Fontes e referências
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de mama: versão para população. Acesse a fonte
- Braun, I. M. et al. Cannabis and Cannabinoids in Adults With Cancer: ASCO Guideline. Journal of Clinical Oncology, 2024. Leia o estudo

