Phil Rajzman retorna às competições após usar cannabis medicinal para superar o câncer

Bob Burnquist apresentou o óleo de canabidiol para o tricampeão mundial de surf em 2016, desde lá a cannabis é sua aliada dentro e fora do mar

Publicada em 27/02/2025

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Phil Rajzman durante Uruguai Natural Longboard Festival, disputado em 19 e 20 de fevereiro Imagem: Felipe Careli

Em janeiro de 2024, o tricampeão mundial de surf, Phil Rajzman, de 42 anos, foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin, um câncer de 15 centímetros localizado na parede de seu abdômen. A resposta ao desafio veio com serenidade, resiliência e uma velha conhecida: a cannabis medicinal.

“Quando soube do câncer, falei com minha médica para manter o uso”, revela Phil, que já utilizava o canabidiol (CBD) desde 2016, quando o skatista Bob Burnquist apresentou a ele o potencial terapêutico da planta.

 

Uso do canabidiol no tratamento

 

Após a descoberta do câncer, Phil intensificou o uso do canabidiol (CBD). “Foi o que me ajudou a encontrar equilíbrio em várias questões, como o sono. Os medicamentos convencionais deixam a gente super acordado”, compartilha o surfista.

Outra questão que preocupou o atleta, foi sua perda de apetite e a perda de peso e massa magra, o que não ocorreu. “Meus médicos ficaram surpresos. Com certeza, o CBD ajudou no aumento do apetite”. 

Segundo o surfista, durante o tratamento contra o câncer, a cannabis também auxiliou no controle de náuseas e vômitos provocados pela quimioterapia.

Atualmente, Phil enfrenta o processo de remissão da doença, que ocorre quando os sinais e sintomas desaparecem ou se tornam significativamente reduzidos, indicando controle da condição. Os tratamentos como a quimioterapia continuam.  

 

Volta as competições 

 

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Phil Rajzman. Imagem: Imagem: Felipe Careli

Foi no mar de Bikini, em Manantiales, que Phil Rajzman fez o seu retorno ao circuito internacional. O tricampeão mundial de Longboard competiu no Uruguai Natural Longboard Festival, etapa do tour regional do sul-americano da World Surf League, disputada nos dias 19 e 20.

Mesmo ainda em tratamento, Phil entrou no páreo para competir com grandes nomes do longboard, na etapa da WSL Qualifying Series de Longboard, classificatória para o Circuito Mundial. No masculino o vencedor foi Nacho Pignataro (Uruguai), seguido de Jefson Silva (Brasil), já no feminino a italiana Ginger Caimi levou a melhor e a brasileira Luana Soares fechou em segundo.

 

A influência de Bob Burnquist

 

Phil começou a usar o canabidiol após uma conversa com Bob Burnquist, lendário skatista brasileiro, que explicou como muitos atletas nos EUA abusavam de opioides, devido as lesões. “O Bob me disse que os atletas acabam tomando opioides para dormir, mas depois precisam deles para manter a dependência química. É algo bizarro”, relembra Phil.

A partir dessa conversa, Phil decidiu experimentar o CBD, especialmente para tratar lesões e melhorar a recuperação muscular, com resultados rápidos e positivos. “Comecei a usar de uma forma pontual: na véspera de competição, após treinamentos pesados, e vi de fato um resultado positivo. Diminui a ansiedade, facilitou o sono e ajudou na recuperação muscular”, destaca.

 

Impacto familiar e desmistificação do CBD

 

O canabidiol não trouxe benefícios apenas para Phil, mas também para sua irmã, que vive na Austrália e sofre de um tumor cerebral desde criança. Ela foi tratada a vida toda com medicamentos tarja preta, mas, em 2017, Phil sugeriu que ela experimentasse o CBD. 

A mudança foi significativa: antes, ela sofria dois ataques epilépticos por dia, número que caiu para um por semana.

Para Phil, essa experiência é um exemplo claro de que a cannabis medicinal pode ajudar, sem causar dependência. “A planta tem essa mistificação de ser associada à droga, mas eu não sinto dependência no uso do CBD”, afirma.

 

Não adianta eu sou do mar

 

Mesmo durante o tratamento, Phil Rajzman nunca deixou de surfar. “O que mais me cura na vida é o mar, o oceano, esse contato com a natureza”, revela.

Para ele, a combinação entre o surf e o uso do canabidiol foi essencial para enfrentar os momentos mais difíceis. “Se tenho um dia pesado, de muitos treinamentos e aulas, tomo CBD e no dia seguinte acordo zerado, é muito louco”, relata.

 

Novos Horizontes

 

Com uma rotina dividida entre o Brasil e os EUA, Phil destaca a facilidade de adquirir produtos à base de cannabis no exterior. "Aqui nos EUA, é muito fácil ter acesso. Em Waikiki, Havaí, há várias lojas que vendem", conta. No Brasil, ele observa que a regulamentação está avançando, permitindo o acesso à receita médica.

Além de defensor do uso medicinal da cannabis, Phil vê o mercado como uma oportunidade de negócios. “Estou aberto a possibilidades. Ainda não tenho nada claro, mas vejo o quanto o mercado cresceu muito nos últimos anos”, reflete.

Ele acredita que o potencial da cannabis, especialmente suas propriedades terapêuticas, está apenas começando a ser explorado. “A tendência é cada vez mais mostrar que a natureza está ali oferecendo todas as possibilidades”, conclui Phil, com o otimismo que lhe é característico.