Política Internacional

Regulamentação da cannabis na França enfrenta novo impasse

Regulamentação da cannabis na França enfrenta novo impasse, enquanto pacientes aguardam avanços para o acesso definitivo ao tratamento medicinal.

Regulamentação da cannabis na França enfrenta novo impasse
Regulamentação da cannabis na França enfrenta novo impasse enquanto pacientes aguardam a definição das regras para acesso aos tratamentos | CanvaPro

A regulamentação da cannabis na França enfrenta um novo impasse. Meses após o governo anunciar avanços para transformar a experiência com cannabis medicinal em um modelo permanente, ainda não há confirmação pública de que os últimos textos regulatórios tenham chegado ao Conselho de Estado.

A informação foi publicada pela Newsweed, que relata que o Ministério da Saúde francês não confirmou o andamento dos decretos necessários para concluir o processo. Para pacientes que já utilizam medicamentos à base de cannabis, a indefinição mantém a espera por um sistema definitivo de acesso.

O que trava a regulamentação da cannabis na França?

A França iniciou sua experiência com cannabis para uso médico em 2021, com o objetivo de avaliar segurança, eficácia e organização do acesso aos tratamentos.

O programa foi direcionado a pacientes com determinadas condições clínicas e contou com acompanhamento das autoridades sanitárias. A proposta era utilizar os resultados da experiência para construir um modelo permanente.

Em março de 2025, o Ministério da Saúde francês anunciou que três textos relacionados ao futuro sistema haviam sido notificados à Comissão Europeia. Os documentos tratavam, entre outros pontos, do funcionamento do dispositivo, da qualidade e segurança dos medicamentos e das regras para o cultivo de cannabis destinada ao uso médico.

A expectativa era que, após essa etapa, os textos avançassem para o Conselho de Estado e posteriormente fossem publicados.

Mais de um ano depois, porém, a situação continua sem uma definição clara.

Segundo o Newsweed, o último decreto deveria ter sido encaminhado ao Conselho de Estado antes do verão europeu. O veículo afirma que não conseguiu confirmar se o envio ocorreu e relata que o Ministério da Saúde não respondeu aos pedidos de esclarecimento.

SAIBA MAIS: Regulamento da cannabis medicinal na França entra na fase final de implementação

Cannabis medicinal na França começou com experiência controlada

A experiência francesa começou oficialmente em março de 2021 e foi estruturada como um programa controlado, com critérios específicos para prescrição e dispensação.

O Ministério da Saúde francês informou, na época, que o objetivo era avaliar o uso médico da cannabis e preparar os circuitos necessários para uma eventual disponibilização permanente.

O modelo envolveu pacientes com situações clínicas específicas e profissionais de saúde submetidos a regras de acompanhamento e formação.

De acordo com informações oficiais, a experiência chegou a envolver cerca de 3 mil pacientes.

A fase experimental também foi prorrogada para evitar que pessoas que já estavam em tratamento ficassem sem acesso aos medicamentos enquanto as autoridades concluíam a transição para o novo sistema.

Esse ponto é importante porque o debate deixou de ser apenas sobre permitir ou não a cannabis medicinal.

A França já realizou uma experiência nacional. O desafio agora é transformar esse aprendizado em uma política pública permanente.

Por que o Conselho de Estado é importante?

Na França, o Conselho de Estado participa da análise jurídica de determinados textos regulamentares antes de sua publicação.

Por isso, a confirmação de que os decretos chegaram a essa etapa representa um avanço importante para a regulamentação da cannabis na França.

Sem a conclusão das etapas regulatórias, permanece indefinido quando o novo modelo poderá entrar efetivamente em funcionamento.

O que está em jogo para os pacientes?

Por trás dos decretos e pareceres estão pacientes que já passaram pela experiência francesa com cannabis medicinal e que precisam de continuidade no tratamento.

O Ministério da Saúde reconheceu essa preocupação ao adotar medidas para evitar uma interrupção abrupta dos tratamentos durante a transição.

O futuro sistema deverá estabelecer critérios mais claros para:

  • prescrição dos medicamentos;
  • autorização e acompanhamento dos tratamentos;
  • qualidade e segurança dos produtos;
  • farmacovigilância;
  • formação dos profissionais;
  • produção e cultivo de cannabis medicinal;
  • condições de acesso e eventual reembolso.

A proposta, portanto, não representa uma liberação ampla da cannabis.

O objetivo é criar um sistema médico controlado, com critérios definidos para pacientes que atendam às indicações estabelecidas pelas autoridades sanitárias.

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E o reembolso dos medicamentos?

Outro ponto relevante da regulamentação da cannabis na França é o financiamento dos tratamentos.

A legislação francesa prevê regras específicas para determinar as condições de cobertura dos medicamentos à base de cannabis pela seguridade social.

A Haute Autorité de Santé (HAS), órgão responsável pela avaliação de tecnologias em saúde no país, também participa desse processo ao analisar o interesse terapêutico dos medicamentos.

Na prática, isso significa que estabelecer quais tratamentos poderão ser utilizados é apenas uma parte da construção do sistema.

Também é necessário definir quem poderá prescrever, quais produtos serão autorizados, como ocorrerá a distribuição e quanto os pacientes terão de pagar.