O potencial terapêutico da cannabis para a Esclerose Múltipla

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(Imagem: Freepik/Jcomp)

Por João R. Negromonte

Celebrado oficialmente em 30 de maio, o Dia Mundial da Esclerose Múltipla é uma forma da comunidade global de portadores da disfunção neurológica partilharem suas histórias, sensibilizar o público e fazer campanha em prol de alternativas de tratamento eficazes contra a doença Assim como a terapia canabinoide, tida por muitos pacientes como uma solução fitoterápica com poucos, ou quase nenhum efeito colateral.  

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A Esclerose Múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune. Isso significa que as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares. A causa específica da doença ainda é desconhecida, embora suspeita-se que fatores genéticos e, até mesmo a infecção por um vírus, possam estar diretamente relacionados ao aparecimento da patologia. Os pacientes são geralmente jovens, em especial mulheres de 20 anos a 40 anos, segundo revela o Ministério da Saúde, contudo, todos estão propícios a desenvolvê-la.

A doença não tem cura e pode se manifestar por diversos sintomas, como: fadiga intensa, depressão, fraqueza muscular, alteração do equilíbrio da coordenação motora, dores articulares, disfunção intestinal e da bexiga e alterações visuais, tidas como o sintoma mais comum da doença. A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) estima que existam aproximadamente 40 mil pessoas com Esclerose Múltipla no Brasil e 2,8 milhões, em todo o mundo. 

Mas como a cannabis pode ajudar? 

Descobertas mostram que o uso de derivados da Cannabis sativa, tais como o CBD e o THC, podem ser aliados no tratamento da EM. Um exemplo disso, é um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Francisco (USF) que, por meio de uma revisão sistemática de artigos científicos publicados em bancos de dados, como SciELO e Google Acadêmico, mostrou que os agentes canabinoides são bons analgésicos, confirmando a teoria que tais produtos podem ser utilizados no auxílio da diminuição da dor, particularmente aquela de origem neuropática, como a causada pela esclerose. 

Tendo em vista os efeitos benéficos sobre o sistema nervoso dos pacientes avaliados nestas e outras pesquisas, a conclusão da maioria dos cientistas foi de que houve uma redução significativa na liberação de proteínas inflamatórias, um decrescimento da morte celular e um maior controle da dor neuropática com o uso contínuo desses componentes.

Outra análise que também chama a atenção, feita pela Abem, sugere que, embora o tratamento com canabinoides ainda não seja o de primeira escolha de muitos pacientes, a comercialização de remédios como o Mevatyl, um medicamento especial à base de compostos da planta para o tratamento da espasticidade, outro sintoma muito comum na EM, já é uma realidade aqui no país. 

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Relatos reais

Para Márcio Viana da Luz, 60 anos, aposentado, morador de Florianópolis e portador de EM há mais de 10 anos, conhecer o uso medicinal da cannabis foi uma grande vitória. 

“Meu neurologista da época não prescrevia cannabis e muito menos tinha ouvido falar sobre seu uso medicinal, contudo, em meados de 2017, com a ajuda de um advogado, consegui que o médico fizesse a prescrição do Mevatyl,” revelou Márcio ao se referir ao início de seu tratamento com os derivados da planta.

Através de uma autorização da Anvisa, conseguida por meio de um processo judicial, Márcio garantia o acesso ao medicamento de forma gratuita pelo SUS, contudo, segundo relata sua filha, Cora Luz, 33 anos, “um dia fui buscar o remédio e simplesmente falaram que não tinha mais disponível.”

Para que o tratamento que vinha dando certo, segundo relatos do aposentado e de sua família, não fosse interrompido, recorreram a uma pessoa que trabalhava na associação de pacientes Santa Cannabis, que auxiliou Márcio na continuidade de sua terapia canabinoide.

“Através dessa amiga que trabalha na Santa, eu soube que ele podia continuar o tratamento com o óleo deles, encontrando um bem semelhante ao Sativex (Mevatyl) e, graças a eles, nunca precisamos interromper o tratamento,” conta Cora que continua: “como ele já tinha a prescrição, autorização da Anvisa e todos os documentos necessários, foi super rápido.”

Ela revela ainda que o quadro do pai é bem delicado, mas mesmo assim a cannabis auxilia muito na qualidade de vida de Márcio, diminuindo os espasmos, dores e ansiedade.

“Eu hoje, graças ao tratamento do meu pai, fiquei apaixonada por esse mundo e trabalho na UIDi, uma clínica voltada ao uso medicinal da cannabis e, vejo no meu dia a dia, o quanto a planta auxilia na qualidade de vida das pessoas com diversas patologias, inclusive na EM,” conclui Cora.

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