Tiago Zamponi participa de painel sobre expansão internacional da cannabis na CannaVision '26, em Toronto

Colunista do Sechat e executivo da Conversance Inc. integrou debate com líderes globais sobre estratégias de entrada e crescimento em mercados internacionais

Publicada em 12/06/2026

Tiago Zamponi participa de painel sobre expansão internacional da cannabis na CannaVision '26, em Toronto
Palestrantes do painel “Expansão Internacional: Onde Jogar e Como Vencer” durante a CannaVision '26, em Toronto. Foto: Divulgação GrowUP

O colunista do portal Sechat, Tiago Zamponi — Gerente Geral para a América Latina da Conversance Inc., com sede em Vancouver, no Canadá — participou, no dia 1º de junho, da conferência Grow Up, realizada em Toronto.

O evento integrou a programação da CannaVision '26 Global Executive Summit, que reuniu executivos, investidores e especialistas da indústria global da cannabis em um ambiente voltado a discussões estratégicas, networking e análise de tendências do setor.

 

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Tiago Zamponi participa de painel sobre expansão internacional da cannabis na CannaVision '26, em Toronto. Foto: Divulgação GrowUP

 

Durante a conferência, Zamponi integrou o painel “Expansão Internacional: Onde Jogar e Como Vencer”, realizado no palco CCX – Teatro John WH Bassett. A sessão abordou estratégias de entrada em mercados internacionais, critérios de avaliação de oportunidades e desafios regulatórios enfrentados por empresas do setor.

 

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Palestrantes do painel “Expansão Internacional: Onde Jogar e Como Vencer” durante a CannaVision '26, em Toronto. Foto: Divulgação GrowUP

O painel contou com a participação de Hirsh Jain, CEO da Ananda Strategy; Erin Butler, diretora financeira da Canadian Cannabis Exchange e moderadora; David Bow, fundador e CEO da Origin Nature; Cyrus Renfrew, CEO da Scale International; e Timo Bongartz, diretor-gerente.

Entre os temas discutidos estiveram a seleção de mercados prioritários, modelos de expansão, riscos regulatórios, logística internacional, formação de parcerias locais e adaptação a diferentes jurisdições.

Ao avaliar sua experiência no evento, Zamponi destacou o nível de maturidade do debate internacional:

"Toronto foi um choque de realidade — no bom sentido. Estar no palco com executivos que operam na Alemanha, Austrália e nos Estados Unidos me confirmou uma coisa: o debate que o Brasil ainda está tendo internamente, o mundo já resolveu. A pergunta lá não era 'cannabis funciona como medicina?' Essa discussão ficou para trás. A pergunta em Toronto era 'como você prova, com dados imutáveis, que o seu produto entrega o mesmo resultado clínico em janeiro, junho e dezembro?' Esse é o nível de exigência do mercado global em 2026. E o Brasil precisa entrar nessa conversa agora, não daqui a dois anos."

Segundo o executivo, o Brasil ocupa uma posição estratégica, mas ainda precisa avançar em infraestrutura e inteligência de dados para competir globalmente:

"O principal aprendizado é que o Brasil está sendo observado — e subestimado ao mesmo tempo. Os executivos canadenses enxergam o Brasil como um grande mercado consumidor, mas ainda não entenderam a sofisticação do nosso sistema regulatório e a exigência clínica dos nossos médicos. Isso é uma vantagem nossa. Mas tem um risco embutido: se o mercado brasileiro não construir sua própria infraestrutura de dados agora, vamos continuar dependendo de importações enquanto outros países usam os dados dos nossos pacientes para criar valor lá fora. A ANVISA autorizou o cultivo doméstico em janeiro de 2026. Essa é a maior virada regulatória da história da cannabis medicinal no Brasil. O que vai definir quem lidera esse mercado não é quem planta mais — é quem controla melhor os dados do que planta."

Zamponi também trouxe um insight central sobre o novo diferencial competitivo da indústria global:

"Que o GMP virou commodity. Ter o certificado na parede não diferencia mais ninguém. O que diferencia é o que eu chamo de Soberania de Dados — o controle absoluto e auditável sobre cada variável do processo, do solo até o prontuário do paciente. Na Alemanha, os grandes compradores já pararam de aceitar PDFs de laboratório. Eles querem acesso à API do sistema de cultivo. Eles querem verificar o log dos últimos dez lotes em tempo real. O Brasil tem pacientes, tem clima, tem escala agrícola e tem regulação séria. O que ainda falta é essa cultura de dado como ativo estratégico. Quem construir isso agora vai liderar o mercado medicinal brasileiro — e vai exportar com margem. Quem não construir vai competir no preço, e nessa briga o Brasil perde para a Colômbia e para o Canadá."

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