Cotidiano

Cannabis e adolescentes: uso cai a nível histórico

Queda histórica entre cannabis e adolescentes é registrada por dados federais dos EUA, mesmo com a expansão da regulamentação para adultos. Entenda

Cannabis e adolescentes: uso cai a nível histórico
Cannabis e adolescentes: dados federais dos EUA apontam queda histórica no consumo entre estudantes do ensino médio | CanvaPro

Há momentos em que os números contam uma história silenciosa. No caso de cannabis e adolescentes, os dados mais recentes dos Estados Unidos apontam para uma queda consistente no consumo entre estudantes do ensino médio, que chegou ao menor nível registrado pela série analisada.

Cannabis e adolescentes: o que mostram os dados

Segundo pesquisa divulgada pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), 12,9% dos estudantes do ensino médio nos EUA relataram uso atual de cannabis, definido pela pesquisa como consumo nos 30 dias anteriores.

O percentual representa uma redução expressiva em relação a 2011, quando 23,1% dos estudantes afirmavam ter usado cannabis nos 30 dias anteriores. Na comparação entre os dois períodos, a queda chega a aproximadamente 44%.

Também caiu a proporção de adolescentes que relataram ter experimentado cannabis alguma vez na vida: de 39,9% em 2011 para 25,5% em 2025.

Os números chamam atenção porque ocorreram durante um período em que diversos estados norte-americanos passaram a permitir e regulamentar o uso de cannabis por adultos.

Mas há uma diferença importante entre observar dois fenômenos acontecendo no mesmo período e afirmar que um provocou o outro.

Os dados do levantamento não permitem concluir que a regulamentação para adultos seja a causa da redução do consumo entre adolescentes.

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Uso de cannabis entre adolescentes também cai em outra pesquisa

A tendência aparece também em outra importante fonte federal dos Estados Unidos: a National Survey on Drug Use and Health (NSDUH), realizada pela Substance Abuse and Mental Health Services Administration (SAMHSA).

De acordo com os dados de 2025, 8,7% dos adolescentes de 12 a 17 anos relataram uso de cannabis no último ano. Em 2011, esse percentual era de 14,2%, uma redução de aproximadamente 39%.

A própria SAMHSA informou que, entre 2021 e 2025, houve queda no uso de cannabis no último mês e no último ano entre adolescentes de 12 a 17 anos. Também foram observadas reduções na iniciação ao consumo.

Em 2025, 5% dos adolescentes de 12 a 17 anos, cerca de 1,3 milhão de pessoas, relataram uso de cannabis no último mês. Em 2021, eram 6,1%, ou aproximadamente 1,6 milhão.

Cannabis e adolescentes: o cérebro ainda está em desenvolvimento

A queda nos indicadores não elimina as preocupações relacionadas ao consumo durante a adolescência.

O CDC destaca que o cérebro continua em desenvolvimento até aproximadamente os 25 anos. Segundo a agência, o uso de cannabis durante essa fase pode afetar funções relacionadas à memória, aprendizagem, atenção, tomada de decisões e coordenação.

Os possíveis impactos dependem de diferentes fatores, como idade de início, frequência de uso e concentração de THC.

Por isso, uma redução estatística no consumo entre cannabis e adolescentes não deve ser interpretada como sinal de que o uso por adolescentes seja isento de riscos.

O que a regulamentação tem a ver com a queda?

A coincidência temporal é um dos pontos que mais chamaram atenção na análise publicada pelo Marijuana Moment.

A reportagem sobre cannabis e adolescentes  destaca que o consumo entre adolescentes caiu enquanto aumentava o número de estados norte-americanos que regulamentaram o uso adulto. A publicação também cita estudos anteriores que encontraram redução ou estabilidade do consumo juvenil em diferentes contextos.

O estudo citado pela reportagem, não encontrou evidências de aumento do uso juvenil associado à adoção de leis que legalizaram e regulamentaram o uso adulto. Outra pesquisa publicada no periódico também não identificou aumento entre jovens após a abertura de lojas de varejo.

Ainda assim, esses resultados precisam ser interpretados com cautela. Políticas públicas envolvem diferentes variáveis, e pesquisas observacionais não permitem estabelecer, isoladamente, uma relação direta de causa e efeito.

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O cenário entre adolescentes mudou, mas os riscos permanecem

Outra pesquisa acompanhada pelo National Institute on Drug Abuse (NIDA), o Monitoring the Future, acompanha estudantes norte-americanos do 8º, 10º e 12º anos e permite observar mudanças no comportamento ao longo do tempo.

Os levantamentos mais recentes reforçam que o consumo juvenil não apresentou a escalada que algumas projeções poderiam sugerir diante da expansão da regulamentação adulta.

Ao mesmo tempo, especialistas em saúde pública continuam destacando a necessidade de prevenção e informação, especialmente porque a adolescência é uma fase de desenvolvimento neurológico.

Os números, portanto, contam uma história que merece ser lida sem extremos: o consumo de cannabis entre adolescentes norte-americanos caiu de forma importante, mas isso não transforma o uso nessa faixa etária em algo sem riscos.