Adolescentes com sinais de depressão apresentam alterações no sistema endocanabinoide, indica estudo

Trabalho científico sugere que o desequilíbrio do sistema endocanabinóide pode estar associado à depressão na adolescência

Publicada em 10/02/2026

Adolescentes com sinais de depressão apresentam alterações no sistema endocanabinóide, indica estudo

Sistema endocanabinóide entra no radar de estudos sobre depressão na adolescência | CanvaPro

A adolescência é um período marcado por mudanças rápidas no cérebro e no comportamento. Um estudo recente, intitulado “Altered Plasma Endocannabinoids and Oxylipins in Adolescents with Major Depressive Disorders: A Case-Control Study”, publicado na revista Nutrients, sugere que há associações entre concentrações de substâncias ligadas ao sistema endocanabinoide e sintomas depressivos em jovens, abrindo novas perspectivas para compreender os fatores biológicos envolvidos na depressão nessa faixa etária.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 1 em cada 7 pessoas no mundo vive com algum transtorno mental, e depressão é um dos mais prevalentes, afetando cerca de 280 milhões de pessoas em 2019, incluindo crianças e adolescentes. 

A entidade destaca que transtornos mentais podem causar prejuízos significativos em atividades cotidianas e têm impacto global relevante.


Sistema endocanabinóide em foco


O sistema endocanabinóide é um importante regulador biológico presente no cérebro e em outras partes do corpo. Pesquisadores exploram seu papel na modulação do estresse e da resposta emocional, fatores diretamente envolvidos nos transtornos de humor.

Um outro estudo, intitulado Relationship between circulating plasma endocannabinoids in adolescents and maternal depressive symptoms, publicado na revista Psychopharmacology (Berlin) em 18 de junho de 2025, investigou a relação entre concentrações circulantes de endocanabinóides e sintomas depressivos em adolescentes e suas mães

A pesquisa incluiu 77 jovens com idade média de 13,36 anos e suas mães e analisou não apenas os níveis plasmáticos dos principais endocanabinoides anandamida (AEA) e o 2-araquidonoilglicerol (2-AG) - a anandamida (AEA) está mais ligada à regulação do humor e bem-estar emocional, enquanto o 2-AG atua de forma mais ampla na modulação do sistema nervoso e imunológico.

 

Achados do estudo com adolescentes

Além disso, os pesquisadores identificaram sintomas de depressão em adolescentes e mães por meio de instrumentos psicométricos padronizados, o que possibilitou explorar associações biológicas e familiares relacionadas à saúde mental na adolescência. Também foram medidos, em amostras de plasma dos jovens, os níveis dos endocanabinoides anandamida (AEA) e 2-AG.


O principal achado foi que maiores concentrações de anandamida estavam associadas a indicadores de suscetibilidade familiar à depressão, mesmo quando os sintomas depressivos eram considerados subclínicos. Não houve associação significativa entre os sintomas depressivos dos adolescentes e as concentrações de 2-AG.


Implicações para a saúde mental na adolescência


Segundo os autores, essa associação entre AEA e sintomas depressivos pode indicar que alterações no sistema endocanabinoide estão relacionadas a fatores de risco para depressão em jovens. Embora a pesquisa não determine causalidade, os dados sugerem que biomarcadores endocanabinoides podem contribuir para a compreensão de como a depressão se manifesta nessa fase da vida, especialmente em contextos familiares.


Especialistas em saúde mental destacam que a depressão na adolescência é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e neurobiológicos. A OMS enfatiza que transtornos mentais em jovens podem causar prejuízos significativos se não forem identificados e tratados adequadamente.


Contexto global dos transtornos mentais


De acordo com o site da OMS, os transtornos mentais abrangem uma ampla gama de condições, incluindo depressão, ansiedade, transtorno bipolar e esquizofrenia. A organização ressalta que muitas pessoas não têm acesso a tratamentos eficazes e que a lacuna de atendimento permanece um desafio global de saúde pública.
 

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