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Cannabis na medicina: o que falta aos futuros médicos?

Cannabis na medicina entra na formação médica? Veja o que estudantes sabem e quais lacunas ainda precisam ser preenchidas.

Cannabis na medicina: o que falta aos futuros médicos?
Estudantes de medicina demonstram interesse em cannabis na medicina, mas estudo aponta lacunas sobre THC, CBD, indicações e efeitos adversos | CanvaPro

Cannabis na Medicina: Futuros Médicos Têm Falhas de Formação

  • Estudo com 250 alunos de medicina nos EUA mostra que, embora favoráveis ao uso da cannabis medicinal, eles têm baixo conhecimento: acertaram só ~50% sobre THC/CBD, efeitos e indicações. Com 61% inseguros para orientar pacientes, 80% defendem a inclusão do tema no currículo médico.

A cannabis na medicina já faz parte das conversas entre pacientes, profissionais de saúde e pesquisadores. Mas será que os futuros médicos estão preparados para responder às dúvidas sobre o tema? Um estudo publicado no Journal of Cannabis Research mostra que ainda há um caminho importante pela frente.

A pesquisa avaliou 250 estudantes que estavam ingressando em uma escola de medicina nos Estados Unidos e investigou atitudes e conhecimentos sobre as potenciais propriedades medicinais da cannabis.

O resultado chama atenção: embora os estudantes tenham demonstrado uma postura predominantemente favorável ao uso medicinal da cannabis, o conhecimento sobre indicações terapêuticas, efeitos adversos e diferenças entre THC e CBD foi limitado.

Cannabis na medicina: interesse maior que o conhecimento

A pesquisa encontrou um contraste importante. De um lado, os estudantes demonstraram interesse e atitudes favoráveis em relação à cannabis medicinal. Do outro, o desempenho nas questões sobre o tema revelou lacunas de conhecimento.

Entre os participantes, a taxa média de respostas corretas foi de 46,1% para efeitos adversos, 53,7% para indicações terapêuticas e 45,4% nas perguntas sobre as diferenças entre THC e CBD.

O dado ajuda a dimensionar o tamanho do desafio. Afinal, conhecer o potencial terapêutico de uma substância também envolve compreender seus riscos, limitações, indicações e possíveis interações.

E esse conhecimento se torna ainda mais relevante quando o paciente chega ao consultório com perguntas.

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Cannabis medicinal ainda é pouco abordada na formação

Um dos pontos destacados pelos pesquisadores é a presença limitada do assunto nos currículos médicos.

De acordo com o estudo, menos de 10% dos currículos das escolas de medicina dos Estados Unidos incluem conteúdos relacionados à cannabis medicinal.

Entre os participantes da pesquisa, 61,2% disseram não se sentir preparados para responder às perguntas dos pacientes sobre cannabis, enquanto 67,2% afirmaram não estar preparados para orientar pacientes sobre cannabis medicinal.

Ou seja: o interesse existe, mas nem sempre vem acompanhado da formação necessária para transformar curiosidade em orientação clínica baseada em evidências.

A experiência pessoal influencia?

Dos estudantes avaliados, 34,4% disseram conhecer alguém que utilizava cannabis medicinal. Esse grupo apresentou desempenho superior em questões relacionadas às indicações terapêuticas e às diferenças entre THC e CBD.

Isso, porém, não significa que a experiência pessoal substitua a educação médica.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam justamente a necessidade de oferecer conteúdos estruturados e baseados em evidências durante a formação dos profissionais.

THC e CBD ainda geram dúvidas

Embora sejam canabinoides presentes na planta, eles possuem características diferentes e não devem ser tratados como sinônimos. Compreender essas diferenças é importante para uma conversa responsável sobre possíveis aplicações terapêuticas.

No estudo, justamente as perguntas relacionadas a THC e CBD apresentaram uma das menores taxas de acerto: 45,4%.

Esse resultado ganha relevância diante de uma realidade cada vez mais comum: pacientes buscam informações sobre produtos à base de cannabis antes mesmo de conversar com um profissional de saúde.

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Futuros médicos querem aprender sobre cannabis

Segundo o estudo, 80,4% dos participantes apoiaram a inclusão de conteúdos sobre cannabis medicinal na graduação em medicina. Além disso, 73,6% defenderam que o tema também seja abordado durante a residência médica.

Para os autores, os resultados mostram uma diferença entre a atitude dos estudantes em relação à cannabis medicinal e o nível de conhecimento demonstrado nas avaliações.

O estudo descreve essa relação como atitudes favoráveis que são “incongruentes com seus déficits de conhecimento”.

A questão, portanto, não parece ser apenas se a cannabis deve ou não fazer parte da conversa médica. É também sobre como ensinar o assunto.

Por que falar de cannabis na medicina?

Quando um paciente pergunta sobre cannabis, uma resposta responsável precisa ir além de opiniões pessoais.

É necessário considerar:

  • evidências científicas disponíveis;
  • indicação terapêutica;
  • possíveis efeitos adversos;
  • interações medicamentosas;
  • características individuais do paciente;
  • qualidade e composição do produto utilizado.

Nesse contexto, ampliar a formação pode ajudar futuros profissionais a lidar com uma demanda que já existe na sociedade.

A cannabis na medicina ainda envolve muitas perguntas em aberto, e a ciência continua investigando seus potenciais usos terapêuticos. Por isso, informação qualificada é fundamental para evitar tanto expectativas exageradas quanto a rejeição automática do tema.

Matéria revisada por

  • Pedro Pierro

    Pedro Pierro

    Pedro Pierro é neurocirurgião especialista em dor e epilepsia, além de Diretor Científico da Sechat e curador do CBCM. · CRM-SP 102.283

Revisão técnica em 11/10/2026