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Cannabis no Paraguai enfrenta desafios para exportação

Veja cannabis no Paraguai: Diego Barros, CCO da Pharma Industries, afirma que maior previsibilidade regulatória pode ampliar a competitividade do país.

Cannabis no Paraguai enfrenta desafios para exportação
Diego Barros, CCO da Pharma Industries, fala sobre os desafios regulatórios da cannabis medicinal no Paraguai.

Cannabis no Paraguai busca maior previsibilidade

  • Diego Barros, CCO da Pharma Industries, avalia que o Paraguai avançou na regulamentação da cannabis medicinal, mas ainda precisa harmonizar normas e procedimentos de exportação para ampliar a competitividade internacional do setor.

O Paraguai avançou na regulamentação da cannabis medicinal, mas ainda enfrenta desafios relacionados à harmonização das regras e aos processos de exportação. Para Diego Barros, CCO da Pharma Industries, empresa farmacêutica que atua no país na produção e industrialização de cannabis medicinal, as diferenças de interpretação entre os órgãos envolvidos estão entre os principais pontos a serem solucionados para ampliar a atuação internacional do setor.

Em entrevista ao Sechat, Barros detalha os entraves regulatórios enfrentados pelas empresas que atuam no mercado paraguaio, especialmente nos processos de registro, distribuição e exportação de produtos à base de cannabis. Ele também analisa as diferenças entre as exigências paraguaias e as regras de mercados como o Brasil e os impactos dessas divergências para a expansão internacional do setor.

Regulamentação da cannabis no Paraguai

Na avaliação de Barros, o Paraguai apresentou avanços importantes na regulamentação da cannabis medicinal. Ele cita a atuação do Ministério da Saúde e da DINAVISA, que, segundo o executivo, vêm demonstrando abertura para o desenvolvimento de uma indústria baseada em segurança, responsabilidade e ciência.

Entre os marcos regulatórios mencionados estão a Resolução nº 902/2025 e a Resolução DINAVISA nº 488/2025.

Para o executivo, o próximo passo é harmonizar esse marco regulatório específico com a legislação geral relacionada às substâncias controladas.

“Na minha avaliação, o Paraguai avançou de forma importante na regulamentação da cannabis medicinal”, afirma Barros.

Segundo ele, ainda existem interpretações diferentes entre os órgãos envolvidos, especialmente nos processos de exportação. O executivo considera que essa situação faz parte da evolução de um setor relativamente novo e avalia que maior clareza sobre competências, procedimentos e prazos pode acelerar o desenvolvimento do mercado.

 

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Diego Barros, CCO da Pharma Industries. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal

 

Diferenças regulatórias dificultam acesso a outros mercados

O Paraguai vem se posicionando como produtor e exportador de matérias-primas de cannabis, mas as exigências dos mercados de destino representam outro desafio para as empresas do setor.

Na Pharma Industries, Barros afirma que a empresa investe em tecnologia, controle de qualidade, rastreabilidade e desenvolvimento farmacêutico com o objetivo de produzir de acordo com padrões compatíveis com mercados mais regulados.

O executivo ressalta, porém, que cumprir as normas paraguaias é apenas uma etapa do processo de internacionalização.

“Cada país possui seus próprios requisitos de registro e importação”, afirma.

Como exemplo, Barros cita o Brasil e a atuação da Anvisa, que estabelece diferentes caminhos regulatórios de acordo com a categoria do produto e a modalidade de acesso pretendida.

Por esse motivo, segundo o CCO da Pharma Industries, a empresa trabalha para adequar produtos e dossiês técnicos às exigências específicas de cada mercado de destino, mantendo como prioridades qualidade, segurança e consistência.

Atrasos geram impactos financeiros e operacionais

As barreiras e os atrasos regulatórios também têm reflexos econômicos sobre a cadeia produtiva. De acordo com Barros, entre os impactos estão exportações postergadas, estoques imobilizados, capacidade produtiva ociosa e custos operacionais adicionais.

O executivo afirma que os efeitos não se restringem às indústrias e produtores. Segundo ele, profissionais, pesquisadores e investidores que participam da cadeia de valor também são afetados.

Apesar dos obstáculos, Barros afirma que a Pharma Industries mantém os investimentos e a confiança no potencial do setor paraguaio.

Na avaliação do executivo, o país já reúne capacidade instalada, conhecimento técnico e interesse crescente por novas alternativas terapêuticas. Com maior previsibilidade regulatória, esses investimentos poderiam ser convertidos em empregos, inovação, crescimento econômico e maior presença internacional.

Paraguai busca competitividade regional

Para Barros, o Paraguai apresenta condições favoráveis para disputar espaço no mercado internacional de derivados de cannabis com padrão farmacêutico.

Entre os fatores citados pelo executivo estão as condições produtivas, a localização estratégica, a capacidade industrial e a disponibilidade de profissionais qualificados.

“Acredito que o Paraguai está em uma posição muito favorável”, afirma.

O CCO da Pharma Industries avalia que o fortalecimento da segurança jurídica e da previsibilidade regulatória será importante para transformar essas condições em vantagem competitiva.

Ele também aponta que mudanças nos mercados internacionais podem abrir novas oportunidades comerciais para o país.

Segundo Barros, qualidade comprovada, rastreabilidade e conformidade regulatória são elementos necessários para que o Paraguai avance na construção de uma posição como fornecedor internacional.

Indústria defende maior coordenação regulatória

Entre as medidas consideradas necessárias para destravar o mercado, Barros defende maior diálogo e coordenação entre as autoridades públicas e a indústria.

Segundo ele, a intenção do setor não é reduzir o rigor dos controles, mas contribuir para que eles sejam claros, eficientes e proporcionais ao nível de risco envolvido.

Uma das propostas apresentadas pelo executivo é a criação de um procedimento integrado de exportação, com definição clara das responsabilidades de cada órgão, dos documentos necessários e dos prazos de análise.

A ampliação da cooperação regulatória com mercados estratégicos também é apontada como necessária, especialmente em relação ao Brasil.

“É importante estabelecer um procedimento integrado de exportação, definindo claramente as responsabilidades de cada órgão, os documentos necessários e os prazos de análise aplicáveis”, afirma Barros.

O executivo diz ainda que a Pharma Industries trabalha de forma construtiva com as autoridades para contribuir para esse processo.

Para Barros, a combinação entre maior previsibilidade regulatória, cooperação entre órgãos e adequação às exigências dos mercados internacionais pode contribuir para o avanço da indústria paraguaia de cannabis medicinal.