Deputados cobram postura mais eficaz do Governo na liberação da Cannabis Medicinal

A luta é por regulamentação da Lei Distrital nº 6.839/21 e da aprovação do Projeto de Lei 1.180/2019

Publicada em 06/05/2022

Deputados cobram postura mais eficaz do Governo na liberação da Cannabis Medicinal

Por Kim Belluco

A luta para o uso medicinal da Cannabis já está no plenário. O Deputado Leandro Grass (Rede) criou um projeto, que deu origem à Lei Distrital nº 6.839/21, cujo o teor é incentivar as pesquisas para o uso medicinal da planta. A lei foi sancionada, mas carece de regulamentação por parte do Governador. Esse e outros temas a respeito da legislação foram pautas no terceiro debate desta quinta-feira (05) do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, que contou também com participações dos deputados Sérgio Victor, Caio França, Alex Manente e o ex-presidente da Anvisa Dirceu Barbano.

“Encontramos uma brecha para a pesquisa e produção científica sobre o uso medicinal da cannabis. Temos cada vez mais conhecimentos e mais evidências, mas ainda depende de regulamentação, principalmente da Secretaria de Saúde e a de Ciência e Tecnologia. Esperamos que com mais debates públicos e apoio a gente consiga avançar. A pesquisa e a ciência precisam trabalhar lado a lado. Não podemos gerar tabu em relação a qualquer possibilidade de cura”, explicou Leandro Grass.

O deputado Sérgio Victor (Novo) é um dos defensores da questão médica e científica da Cannabis. Desde 2021, ele tem levantado o debate em uma sequência de reuniões na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a frente parlamentar em defesa da cannabis medicinal e do cânhamo industrial. Ele, inclusive, é um dos pilares do Projeto de Lei 1.180/2019, de autoria do deputado Caio França (PSB), que também esteve no evento.

“Trabalhamos com diálogo e engajamento, disseminando conhecimento e combatendo preconceitos, e na base de regulamentação, pesquisa e inovação. São esses três pilares que estamos seguindo com o objetivo de facilitar o acesso ao tratamento com Cannabis. São milhões gastos com a compra desses medicamentos via judicialização. Com a melhora no planejamento, evitaremos a judicialização, consequentemente reduziríamos despesas e facilitaríamos o acesso para tratamentos medicinais”, explicou.

O Projeto de Lei 1.180/2019, de autoria do Caio França, que tem como um dos seus focos o fornecimento gratuito de medicamentos à base de canabidiol e outras substâncias da Cannabis na rede pública estadual, foi aprovado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em novembro, com caráter de urgência.

Caio França revelou ainda que o projeto aguarda aprovação por parte do presidente Carlão Pignatari, presidente da Alesp, até o fim deste mês de maio. O deputado, apesar de mostrar confiança no avanço do projeto, não acredita em uma mudança de status ainda em 2022, mas pediu ajuda da população para pressionar o mandatário.

"Estamos com o projeto pronto para ser votado, mas o atual presidente disse que nessa legislatura será pouco provável que isso ocorra. Torço para que juntos possamos mudar o entendimento dele. Era para estar aqui no Congresso com o projeto aprovado. Conseguimos passar por todas as comissões em uma assembleia totalmente conservadora e com o voto da Edna Macedo, irmã do Edir Macedo, um dos líderes da bancada evangélica. Sofremos nesse período 15 pedidos de vista e ninguém conseguiu mudar uma vírgula. Ou seja, meramente protelatório, sem acrescentar nada. Ninguém teve a coragem de fazer um enfrentamento, só pensam em mudar de assunto. Hoje, temos votos suficientes para aprovar o projeto”, enfatizou.

O deputado ainda fez uma crítica quanto ao processo realizado para que as pessoas que necessitam do tratamento à base de Cannabis consigam chegar até os medicamentos, ressaltou que o custo é muito alto e novamente exigiu uma decisão por parte do presidente.

“O Estado já faz a compra dos medicamentos à base de Cannabis, mas exige uma decisão judicial, que encarece e burocratiza o acesso aos medicamentos. Esse projeto resolve nossos problemas e traz parcerias para capacitar os profissionais da saúde. O mundo da política está atrasado em relação ao tema. Estamos tentando fazer a diferença e o presidente tem o compromisso de pautar a questão neste mês. Precisamos cobrá-lo publicamente. Quem for contra, que tenha coragem de defender tais motivos”, concluiu.

NOVAS REFERÊNCIAS

Para defender o uso da Cannabis Medicinal, o deputado Alex Manente (Cidadania) apontou algumas referências que podem ser usadas no Brasil. "Observamos as legislações e experiências de outros países para evitar os erros e adotar as melhores práticas desse mercado que tem crescido rapidamente", pontuou.

Além da permissão para o uso medicinal da Cannabis, o Canadá é autorizado também a cultivar a Cannabis também para fins medicinais, modelo semelhante ao dos Estados Unidos, que também exporta o cânhamo. Já a Colômbia aprovou em fevereiro uma nova legislação que regulará o uso da Cannabis Medicinal em alimentos, bebidas e produtos têxteis. Também foi autorizado a exportação da flor seca. No Peru, por sua vez, acontece a exploração do cânhamo industrial.

A bancada confia na abertura e desenvolvimento do mercado brasileiro, com o intuito de garantir condições para o cultivo medicinal e do cânhamo industrial, admitir o emprego de medicamentos e produtos para uso veterinário, autorizar o fornecimento de farmácias no SUS, permitir a manipulação das substâncias e garantir o desenvolvimento de pesquisas com sementes e outras substâncias.

"O Brasil deu um passo fundamental na possibilidade de usar plantas como a Cannabis como ferramenta para medicina. A gente só não avança mais rápido, porque há forças contrárias. Lutamos por um país no qual sejamos livres para decidir os rumos da nossa vida", finalizou Dirceu Barbano.

Deputados cobram postura mais eficaz do Governo na libe...