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Estudo aponta que vaporização reduz em até 99% compostos tóxicos gerados pela combustão da cannabis

Pesquisa aponta redução significativa de compostos formados durante a combustão da cannabis quando a planta é consumida por vaporização

Estudo aponta que vaporização reduz em até 99% compostos tóxicos gerados pela combustão da cannabis
Imagem: Canva Pro

Um estudo divulgado em abril de 2026 comparou a composição química da fumaça produzida pela combustão da cannabis com o aerossol gerado por dispositivos de vaporização e concluiu que a exposição a determinados compostos potencialmente nocivos pode ser reduzida em até 99% quando a planta é aquecida sem combustão. A pesquisa foi conduzida pela empresa norte-americana PAX, fabricante dos vaporizadores utilizados no experimento.

Segundo os pesquisadores, a diferença está no próprio processo de consumo. Enquanto fumar um cigarro de cannabis expõe o material vegetal a temperaturas superiores a 900 °C, desencadeando reações de pirólise e oxidação, a vaporização aquece a cannabis entre aproximadamente 160 °C e 230 °C. Nessas condições, canabinoides e terpenos são volatilizados sem que ocorra combustão, reduzindo a formação de diversos subprodutos químicos associados à queima da planta.

 

Combustão produz uma mistura complexa de compostos

 

De acordo com o estudo, a combustão da cannabis produz uma mistura complexa de gases e partículas resultantes da degradação térmica do material vegetal. Entre os compostos gerados estão hidrocarbonetos aromáticos, aldeídos, cetonas e compostos orgânicos voláteis, alguns deles frequentemente monitorados em pesquisas sobre exposição por inalação devido ao seu potencial tóxico.

Para comparar os dois métodos de consumo, os pesquisadores utilizaram a mesma variedade de cannabis tanto na combustão quanto na vaporização e submeteram ambos às mesmas condições de tragada. Em seguida, analisaram 16 compostos classificados como potencialmente nocivos.

Os resultados apontaram reduções expressivas em diversos marcadores da combustão. Entre eles, o formaldeído apresentou redução de 99,66%, o benzeno de 98,93%, o tolueno de 99,25% e a acetona de 99,11% em comparação com a fumaça produzida por um cigarro convencional de cannabis.

Além das diferenças quantitativas, a análise química identificou aproximadamente 189 compostos na fumaça da combustão, incluindo nitrilas, fenóis, derivados de piridina e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs). Já o aerossol produzido pelo vaporizador apresentou uma composição significativamente menos complexa, formada predominantemente por canabinoides e terpenos.

 

Literatura científica já apontava potencial de redução de danos

 

Embora o estudo apresente novos dados laboratoriais, a hipótese de que a vaporização reduz a exposição aos subprodutos da combustão já vinha sendo discutida na literatura científica.

Uma revisão publicada em 2022 no Canadian Journal of Public Health reuniu estudos experimentais, clínicos e observacionais sobre diferentes formas de administração da cannabis e concluiu que a vaporização tem potencial para reduzir a exposição a compostos produzidos durante a combustão, como monóxido de carbono, alcatrão e outros subprodutos da queima da planta. A revisão também aponta que estudos incluídos na análise indicam que a vaporização pode fornecer canabinoides de forma comparável à combustão, com menor formação desses subprodutos.

Os autores observam ainda que alguns estudos relataram melhora de sintomas respiratórios entre usuários que substituíram a combustão pela vaporização. No entanto, ressaltam que as evidências ainda são limitadas e que são necessários estudos clínicos e de longo prazo para determinar se a redução da exposição química resulta em benefícios duradouros para a saúde.

A revisão também diferencia os vaporizadores de cannabis regulamentados de produtos ilícitos ou adulterados. Segundo os autores, os casos de lesão pulmonar associados ao uso de cigarros eletrônicos registrados nos Estados Unidos em 2019 estiveram relacionados principalmente ao uso de produtos contendo acetato de vitamina E no mercado ilícito, não podendo ser generalizados para todas as formas de vaporização.

 

Limitações do estudo

 

Os próprios autores do estudo publicado pela PAX reconhecem limitações importantes. O experimento foi realizado com apenas uma variedade de cannabis, avaliou um conjunto específico de compostos químicos e não investigou desfechos clínicos, como efeitos respiratórios ou cardiovasculares em usuários. Também não foram analisados os impactos decorrentes da exposição prolongada nem diferentes temperaturas de vaporização.

Por ter sido conduzido por uma empresa que desenvolve os dispositivos avaliados, o estudo deve ser interpretado considerando esse contexto. Ainda assim, seus resultados são consistentes com evidências discutidas em revisões independentes, que apontam que a combustão desempenha papel central na formação dos compostos químicos avaliados, enquanto a vaporização reduz significativamente a geração desses subprodutos. Ao mesmo tempo, a literatura científica destaca que ainda são necessárias pesquisas independentes e de longo prazo para compreender plenamente os impactos dessa redução de exposição sobre a saúde dos usuários.