Estudo propõe unidades de THC para medir quando o consumo de cannabis se torna excessivo
Pesquisadores propõem unidades de THC para medir o consumo de cannabis e identificar níveis associados a maior risco de transtorno por uso
Publicada em 14/01/2026

Nova métrica mede consumo de cannabis com base na quantidade de THC ingerida | CanvaPro
Pesquisadores britânicos estabeleceram os primeiros limites concretos de consumo de cannabis baseados em unidades de THC, oferecendo parâmetros que podem ajudar profissionais de saúde e consumidores a medir quando o uso da substância está associado a maior risco de transtorno por uso de cannabis (CUD, na sigla em inglês).
O novo sistema propõe que a quantidade total de THC ingerida por semana, e não apenas a frequência de uso, seja contabilizada em unidades padrão, cada uma correspondente a 5 miligramas de THC, a principal substância psicoativa da planta.
Essa abordagem é semelhante ao uso de unidades-padrão para bebidas alcoólicas, que já orientam diretrizes de consumo seguro em vários países.
A pesquisa, publicada na revista científica Addiction, utilizou dados do estudo longitudinal CannTeen, que acompanhou 150 usuários de cannabis durante um ano. Os pesquisadores coletaram padrões detalhados de uso e aplicaram diagnósticos clínicos para identificar transtorno por uso de cannabis ao final do período.
THC: novos limites do uso por semana e risco de transtorno
De acordo com os resultados do estudo, consumos médios semanais acima de aproximadamente 8 unidades de THC (cerca de 40 mg de THC) foram associados a um risco significativamente maior de transtorno por uso de cannabis em adultos jovens (26–29 anos), comparado a consumos inferiores. Para adolescentes (16–17 anos), esse ponto de corte foi estimado em cerca de 6 unidades por semana.
Os pesquisadores também identificaram que limites mais altos, por exemplo, cerca de 13,4 unidades por semana, estavam associados a formas moderadas a severas de transtorno em adultos, um padrão que sugere relação entre quantidade de THC e gravidade do problema.
O transtorno por uso de cannabis (CUD) é definido por critérios do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5) e caracteriza-se pela dificuldade em controlar o consumo e pela continuidade do uso mesmo diante de consequências negativas na vida social, profissional ou familiar.
O estudo ressaltou ainda que essas unidades de THC constituem uma ferramenta inicial para estimar quando o risco de CUD aumenta, mas que o único nível completamente livre de risco é a ausência de uso. Isso porque muitos produtos de cannabis variam amplamente em potência e forma de consumo (fumar, vaporizar, comestíveis etc.), o que pode alterar a exposição real ao THC mesmo com o mesmo número de unidades consumidas.
Esses dados podem apoiar avaliações clínicas preliminares e estratégias de prevenção, incentivando profissionais de saúde a perguntar sobre a quantidade semanal de THC em vez de apenas dias de uso, e oferecendo um parâmetro mais comparável entre diferentes métodos de consumo e produtos disponíveis no mercado.
Com informações de DW.



