Política

Nova RDC da Anvisa eleva padrão de qualidade para laboratórios que testam cannabis no Brasil

Publicada no Diário Oficial da União, a RDC nº 1.039/2026 estabelece critérios de boas práticas, acreditação ISO 17025 e regras de credenciamento na Reblas, impactando diretamente o controle de qualidade dos produtos de cannabis medicinal e cánhamo industrial.

Nova RDC da Anvisa eleva padrão de qualidade para laboratórios que testam cannabis no Brasil
Novas exigências da Anvisa para laboratórios analíticos elevam padrão de qualidade na análise de cannabis no Brasil. (Foto: Reprodução)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 1.039, de 26 de agosto de 2026, consolidando e modernizando os requisitos técnicos de boas práticas para laboratórios analíticos públicos e privados no Brasil. A medida abrange todas as estruturas que realizam ensaios de controle de qualidade, testes analíticos ou laudos de liberação para produtos sujeitos à vigilância sanitária.


 

Embora trate do ecossistema laboratorial de forma ampla, a norma traz impacto direto para a indústria da cannabis medicinal e do cánhamo industrial. Com o avanço do setor no país e a exigência de perfis canabinoides rigorosos — além do controle de contaminantes como metais pesados, pesticidas e micotoxinas —, a qualificação das unidades analíticas passa a ser determinante para a segurança dos pacientes e a eficiência das empresas brasileiras e importadoras.


 

Exigências técnicas e acreditação ISO 17025

 

A RDC nº 1.039/2026 impõe que os laboratórios atuantes no controle de qualidade adotem diretrizes internacionais de gestão da qualidade, incluindo o atendimento compulsório aos parâmetros da ABNT NBR ISO/IEC 17025. A norma estabelece um período de transição de 1 ano para a completa adequação dos estabelecimentos.


 

Além da infraestrutura técnica, a resolução detalha obrigações em:


 

  • Biossegurança e gerenciamento de resíduos: Requisitos estritos para a contenção e o descarte adequado de amostras.


     

  • Responsabilidade técnica: Presença obrigatória de profissional habilitado à frente das operações analíticas.


     

  • Credenciamento e Reblas: Novas regras para a inclusão de laboratórios na Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde e para a realização de análises fiscais e de controle.


     

O impacto no mercado de cannabis

 

Para as farmacêuticas, importadoras e indústrias que operam derivados de cannabis e cânhamo, a nova norma reforça a exigência de laudos confiáveis e auditáveis. Os laboratórios analíticos vinculados à produção ou contratados para o controle de lote deverão garantir rastreabilidade absoluta e imparcialidade.


 

Vale ressaltar que a RDC nº 1.039/2026 atua de forma complementar aos regulamentos específicos do setor. As exigências sanitárias da regulamentação técnica da cannabis permanecem em pleno vigor, mas os procedimentos e a infraestrutura dos laboratórios que geram os certificados de análise passam a ser auditados sob a régua atualizada da nova resolução.


 

A adequação dentro do prazo de um ano previsto pela Anvisa será indispensável para evitar gargalos na emissão de laudos de liberação e garantir o cumprimento dos padrões sanitários no mercado brasileiro.