UFV inaugura primeiro banco ativo de germoplasma de cannabis no Brasil
O objetivo da UFV é chegar a 500 variedades para promover cruzamentos genéticos que potencializem o uso comercial e medicinal da planta. Veja no Sechat!

A Universidade Federal de Viçosa (UFV) inaugurou, nesta terça-feira (18), o primeiro Banco Ativo de Germoplasma de Cannabis sativa L. (BAGC/UFV) de uma universidade pública no Brasil. A planta tem um imenso potencial de produção de fármacos, fibras, materiais de construção e recuperação de solos degradados e pode se tornar uma nova commodity agrícola. Para isso, precisa de uma ciência interdisciplinar que a UFV também é capaz de oferecer.
Um banco de germoplasma é um guardião da imensa variedade genética que uma planta pode ter. As plantas são coletadas em diferentes locais do mundo, identificadas, catalogadas e corretamente armazenadas. Depois, ficam à disposição da ciência para que sejam feitos cruzamentos genéticos que buscam características desejáveis de diferentes plantas para a criação de uma nova variedade adaptada, por exemplo, a solos, climas ou interesses específicos, como a produção de um medicamento.
A Universidade Federal de Viçosa é uma das maiores referências em ciências agrárias do Brasil e abriga bancos de germoplasma de enorme importância científica e histórica, como o de Hortaliças, considerado o mais antigo do país (1966).
A legalidade

Esta expertise com bancos genéticos e a experiência do professor do curso de Agronomia Derly Henriques da Silva, como curador do Banco de Hortaliças por mais de 20 anos, levaram a UFV a conseguir medidas judiciais que, em 2024, permitiram legalmente a implementação do espaço de quase um hectare para abrigar as sementes no espaço conhecido como Vale da Agronomia, no centro do campus Viçosa.
Por ser uma planta capaz de gerar efeitos psicoativos, o local é protegido por equipamentos de segurança e monitorado constantemente pela Vigilância da Universidade. O apoio financeiro veio de um convênio com a empresa Cannabreed Technology Brasil Ltda.
O potencial da Cannabis
Segundo Derly Henriques, a Cannabis é uma planta comercialmente muito promissora. Por ter raízes profundas, protege o solo e pode ser cultivada em áreas degradadas. A produção de biomassa ajuda no sequestro de CO2, um gás causador do efeito estufa.
O crescimento rápido, com produção de flores em cerca de cinco meses, permite o consórcio com outras plantas, como nas entressafras de soja, por exemplo. O caule e as folhas podem ser aproveitados para a obtenção de cânhamo, uma fibra usada para a produção de roupas e até de materiais de construção.
A semente é rica em proteínas e óleos, com potencial de aproveitamento para a indústria de alimentos e fármacos. É nas flores que estão os canabinoides psicoativos que chamam a atenção da indústria farmacêutica para produção de medicamentos, que já são comercializados em todo o mundo, e de novos que poderão ser desenvolvidos.
“Tudo começa conhecendo a variedade das plantas e os diferentes potenciais que podem ter para diferentes interesses”, diz o professor.
Pesquisas
Atualmente, o Banco Ativo de Germoplasma de Cannabis sativa já conta com 68 variedades da biodiversidade brasileira. O objetivo é chegar a 500, coletando e classificando também variedades de outros países.
Graças a este material, a UFV já conta com 24 experimentos agronômicos que avaliam o potencial delas para adaptação, por exemplo, em solos contaminados por metais pesados, como em áreas atingidas por rejeitos de mineração.
Neste experimento, a intenção é que a planta possa absorver esses metais do solo enquanto produz biomassa com potencial para substituir fibras tradicionais na indústria têxtil, de papel e de bioplásticos.
Outros trabalhos já em andamento avaliam a composição química das variedades que estão disponíveis no banco de sementes.
“Hoje já temos pesquisas em agronomia, bioquímica e fitopatologia, mas há um grande potencial para diversas áreas do conhecimento em que a Universidade tem grande experiência”, afirma Derly Henriques.
O professor também vislumbra que o Banco de Germoplasma possa atrair e inspirar a criação de empresas de base tecnológica com produtos inovadores e desenvolvidos na região de Viçosa.
Fonte/conteúdo: Assessoria de Imprensa
