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Veterinária estuda cannabis para cães e gatos a longo prazo

Pesquisa da médica veterinária Lorena Oliveira investiga a segurança da cannabis para cães e gatos a longo prazo e busca aprimorar o acompanhamento. Confira!

Veterinária estuda cannabis para cães e gatos a longo prazo
A médica-veterinária Lorena Oliveira pesquisa a segurança do uso prolongado de fitocanabinoides em cães e gatos e busca ampliar as evidências científicas sobre o tratamento no Brasil | CanvaPro

Cannabis para cães e gatos: veterinária pesquisa segurança

  • Pesquisa de médica-veterinária investiga a segurança da cannabis para cães e gatos a longo prazo e busca fortalecer as evidências científicas no Brasil.

Eles não conseguem dizer onde dói, explicar o que sentem ou contar como respondem a um tratamento. Para cuidar de cães e gatos, é preciso observar os sinais, ouvir quem convive com eles e buscar respostas na ciência. É nesse encontro entre cuidado e conhecimento que se insere a pesquisa da médica-veterinária Lorena Oliveira, dedicada a investigar a segurança do uso prolongado de fitocanabinoides em animais.

Em entrevista ao Portal Sechat, a pesquisadora compartilhou os principais pontos de atenção de seu estudo e explicou como a produção de evidências científicas pode contribuir para o avanço da cannabis para cães e gatos no Brasil, especialmente no acompanhamento clínico, na prescrição veterinária e na ampliação do acesso responsável ao tratamento.

Formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Lorena possui residência em Medicina Veterinária do Coletivo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialização em Cannabis Medicinal pela Unyleya e em Cirurgia de Tecidos Moles de Cães e Gatos pela PUCPR. Atualmente, é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária Convencional e Integrativa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com foco em cannabis.

Cannabis para cães e gatos exige acompanhamento contínuo

Os estudos disponíveis indicam que os fitocanabinoides são, em geral, bem tolerados por cães e gatos, com ampla janela terapêutica e efeitos adversos que costumam ser brandos e transitórios. Ainda assim, a possibilidade de reações durante o tratamento reforça a importância do acompanhamento profissional, sobretudo quando o uso se estende por períodos prolongados.

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Para Lorena Oliveira, produzir evidências científicas nacionais é essencial para compreender melhor o tratamento com cannabis em animais. “Devemos produzir pesquisas nacionais com os óleos que de fato utilizamos na rotina clínica”, destaca a médica-veterinária e pesquisadora | Foto: Divulgação

Segundo Lorena, um dos pontos de atenção está no monitoramento da função hepática por meio de exames. Em cães, pode ocorrer elevação discreta e transitória da fosfatase alcalina (FA ou ALP). Já em gatos, pode haver aumento da alanina aminotransferase (ALT).

"Essas alterações nem sempre representam lesões hepáticas clinicamente relevantes, mas precisam ser avaliadas ao longo do tratamento. O objetivo é acompanhar a resposta do organismo e identificar eventuais mudanças que mereçam atenção", pontua a veterinária.

Ela explica que os gatos também apresentam particularidades metabólicas importantes. A menor biodisponibilidade oral e as diferenças na metabolização hepática podem influenciar a resposta aos fitocanabinoides e a suscetibilidade a determinados efeitos adversos.

"Por isso, a cannabis para cães e gatos não deve ser tratada como uma solução única para todos os pacientes. A escolha do produto, sua composição, a procedência do óleo, a forma de administração e as condições clínicas do animal precisam ser consideradas individualmente", diz.

Lorena ressalta ainda que, embora as evidências sobre a segurança dos fitocanabinoides tenham avançado, ainda existem lacunas científicas. O acompanhamento por médicos-veterinários capacitados é fundamental para orientar a prescrição e conduzir o tratamento de maneira responsável.

Pesquisa busca respostas para a realidade brasileira

Além de investigar a segurança clínica do uso prolongado, a pesquisa de Lorena Oliveira busca responder a uma pergunta fundamental: quem são os animais que recebem tratamento com cannabis no Brasil?

O estudo pretende traçar o perfil epidemiológico desses pacientes, identificando em quais regiões vivem, para quais indicações o tratamento é prescrito e como acontece o acompanhamento na prática clínica.

“Obter essas respostas pode contribuir para a melhora de protocolos clínicos, embasar lutas jurídicas e por políticas públicas”, explica a médica-veterinária.

Esse mapeamento também pode ajudar a identificar prioridades, direcionar recursos e abrir caminhos para novas pesquisas, aproximando a produção científica das necessidades reais de médicos-veterinários e tutores.

Outro ponto importante está nas particularidades dos produtos utilizados no país. Os óleos disponíveis na rotina clínica brasileira podem diferir daqueles investigados em estudos internacionais, o que reforça a importância de produzir conhecimento a partir da realidade nacional.

“Se os produtos estudados em pesquisas científicas mundiais são diferentes daqueles que utilizamos na rotina clínica para os nossos pacientes, devemos produzir pesquisas nacionais com os óleos que de fato utilizamos”, destaca Lorena.

A pesquisadora também chama a atenção para o papel das associações de pacientes, que participam de diferentes frentes relacionadas à Cannabis sativa L., inclusive na viabilização do tratamento de animais e na produção de óleos para uso medicinal.

Para ela, compreender a cannabis para cães e gatos no contexto brasileiro significa considerar não apenas as evidências internacionais, mas também as características dos produtos utilizados e as condições de acesso ao tratamento no país.

Evidências científicas podem fortalecer a prescrição e o acesso

A pesquisa de Lorena Oliveira pode contribuir para aprimorar protocolos clínicos, fortalecer a segurança das prescrições e oferecer subsídios para futuras discussões jurídicas e políticas públicas sobre a cannabis medicinal veterinária no Brasil. Os resultados, no entanto, ainda dependem da análise dos dados e da continuidade dos estudos.

Para avançar nesse caminho, a participação de quem vivencia essa realidade também importa. Você tem um animal em tratamento com cannabis medicinal? Contribua para ampliar o conhecimento sobre esses pacientes no país.

Acesse o formulário e contribua com a pesquisa. Sua participação pode ajudar a identificar necessidades e fortalecer a produção de evidências científicas para um cuidado mais seguro e responsável com cães e gatos.