A cannabis e as descobertas da ciência

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(Créditos da imagem: Pixabay/Gerd Altmann)

Por Jacqueline Passos

Hoje, dia 08 de julho, comemora-se o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico. Tal data foi escolhida porque, no ano de 1948, aconteceu a criação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O objetivo da comemoração é estimular o gosto dos jovens pela ciência e divulgar os saberes científicos para a sociedade. Por isso, é importante ressaltar o que se sabe até o momento sobre a cannabis e os efeitos dela no corpo humano, além de enaltecer o trabalho de alguns cientistas e pesquisadores que não se cansam de estudar esta planta.

O sistema endocanabinoide (SEC)

Pouco era falado sobre o sistema endocanabinoide até meados do século XX, já que ele foi elucidado na década de 90 por Raphael Mechoulam, conhecido como “o pai da cannabis”. Mechoulan, inclusive, foi o responsável por estudar a existência do SEC no corpo humano desde 1960.

Para quem não sabe, o sistema endocanabinoide é responsável por manter em equilíbrio todos os outros sistemas do corpo – como o digestivo e o imunológico, conversando diretamente com os canabinoides da planta, por isso seu nome em homenagem à cannabis.

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Dentro deste sistema, existem dois receptores principais – não são os únicos, mas os primeiros a serem descobertos e os mais estudados – conhecidos como CB1 e CB2. Eles são responsáveis por transmitir informações, avisando as células sobre as mudanças de condições, para que haja uma resposta celular apropriada. São estes receptores, inclusive, que se ligam aos canabinoides da planta, sendo o CB1 o canal pelo qual o THC chega às células e o responsável pela maior parte dos efeitos psicotrópicos. Já os receptores CB2 estão mais associados à resposta imune e presentes majoritariamente no sistema imunológico.

Efeito entourage ou efeito comitiva

Outra descoberta importante do “pai da cannabis” e sua equipe foi o Efeito entourage ou efeito comitiva. Em 1998, o estudo “Um efeito de entourage: ésteres de glicerol de ácidos graxos endógenos inativos aumentam a atividade canabinoide de 2-araquidonoil-glicerol”, de Raphael Mechoulam, mostrou que ao juntarmos os componentes da cannabis – canabinoides, terpenos, polifenóis, flavonoides, entre outros – pode-se obter um efeito terapêutico ainda mais amplo no tratamento de uma série de doenças. Esse efeito ficou conhecido como “efeito entourage” ou “efeito comitiva”.

Segundo o estudo “Synergy research: approaching a new generation of phytopharmaceuticals”, de 2009, quando o THC e o CBD são utilizados juntos podem ser até 10 vezes mais potentes no tratamento de doenças. Além disso, o CBD tem o poder de regular os efeitos psicoativos do THC, reduzindo os possíveis efeitos negativos.

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Em outras palavras, o efeito comitiva da cannabis pode ser extremamente vantajoso para os pacientes, já que proporciona um resultado mais efetivo, possibilitando a combinação de doses menores do medicamento Full Spectrum – aquele contém vários canabinoides e componentes da planta -, o que, consequentemente, contribui para que o paciente tenha menos efeitos colaterais.

Além dessas, outras descobertas têm sido feitas por cientistas do mundo todo em relação aos efeitos – benéficos ou não – da cannabis no corpo humano. Muitas delas, inclusive, são retratadas diariamente no Sechat.

Pesquisadores brasileiros importantes para a cannabis

Vale ressaltar que não foram só cientistas internacionais que fizeram descobertas importantes sobre a cannabis. Alguns brasileiros têm sido personagens importantes no avanço do uso medicinal desta planta.

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Elisaldo Carlini

Também conhecido como Professor Carlini, Elisaldo Luiz de Araújo Carlini foi um médico, psicofarmacólogo, professor universitário e pesquisador brasileiro. Ele é considerado referência mundial e um dos pioneiros nos estudos farmacológicos sobre o potencial terapêutico da cannabis e de outras substâncias psicotrópicas. O pesquisador e sua equipe fizeram descobertas relevantes no uso da cannabis para tratar epilepsia, quando publicou o estudo “Administração crônica de canabidiol a voluntários saudáveis e pacientes epilépticos”, pioneiro no mundo sobre os benefícios do CBD para controle de crises convulsivas.

A pesquisa do professor e pesquisador foi realizada na Escola Paulista de Medicina, em São Paulo, e teve a participação de nomes como Wilson Luiz Sanvito, professor titular de Neurologia na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, e da equipe da Universidade Hebraica de Israel, incluindo Raphael Mechoulam.

Renato Filev

Outro brasileiro que vem se destacando quando o assunto é cannabis é o pesquisador Renato Filev. Além de ter participado de diversos estudos relacionados ao uso terapêutico da cannabis, ele também foi responsável por ser um dos braços do Professor e Psicofarmacólogo Elisaldo Carlini, atuando como pesquisador de estágio de pós-doutorado ligado ao Cebrid.

Atualmente, Filev é bacharel em Ciências Biológicas: Modalidade Médica e doutor em Neurociências, ambos pela Universidade Federal de São Paulo. Ele também é pós-doutorando pelo Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da mesma instituição.

Sidarta Ribeiro

Um dos grandes nomes relacionados à cannabis no Brasil é do neurocientista, Sidarta Ribeiro. Além de se dedicar ao estudo da planta, Ribeiro também é biólogo, professor titular de Neurociências e vice-diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). 

Por conta do amplo conhecimento do neurocientista, muitas das frases ditas por ele são reproduzidas no mundo da cannabis afora. Uma delas foi a comparação feita entre a cannabis e os antibióticos em entrevista ao jornalista Marcelo Tas no programa Provoca da TV Cultura. Segundo Ribeiro, “A maconha está para a medicina do século XXI, como os antibióticos estiveram para a medicina do século XX”. 

Ainda na TV Cultura, mas no programa Roda Viva, o neurocientista afirmou: “A maconha é segura, é um remédio, é uma commodity e está mudando a economia de muitos países”. 

Que o dia de hoje possa incentivar estes e muitos outros cientistas a estudar esta planta milenar. 

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