Álcool e tabaco causam mais danos que cannabis, revela estudo no Canadá

Estudo no Canadá reposiciona debate sobre drogas ao comparar impactos sociais e de saúde

Publicada em 21/03/2026

Estudo no Canadá compara danos entre álcool, tabaco e cannabis | CanvaPro

Estudo no Canadá compara danos entre álcool, tabaco e cannabis | CanvaPro

Uma análise científica conduzida no Canadá reacende um debate antigo sob uma nova perspectiva: o impacto real das substâncias psicoativas na sociedade. Ao comparar 16 drogas a partir de critérios que vão além dos efeitos individuais, o estudo identificou que álcool e tabaco lideram o ranking de danos, superando substâncias historicamente mais estigmatizadas, como a cannabis.

Publicada no Journal of Psychopharmacology, a pesquisa utilizou a metodologia de análise de decisão multicritério (MCDA) para avaliar não apenas os efeitos farmacológicos, mas também fatores como prevalência de uso, custos sociais e impactos econômicos.

Ranking de danos desafia percepções históricas

 

Os resultados mostram uma diferença expressiva entre substâncias legalizadas e aquelas que ainda enfrentam maior restrição. O álcool aparece na primeira posição, com 79 pontos, seguido pelo tabaco (45) e pelos opioides sem prescrição (33). Na sequência, cocaína e metanfetamina registraram 19 pontos cada, enquanto a cannabis aparece com 15.

Recentemente, publicamos uma matéria no Portal Sechat que citou como a ciência enxerga sobre as diferenças entre o álcool e a cannabis e como ambos reagem no nosso cerébro. 

O Portal Cañamo também pontuou sobre a pesquisa canadense apontando que “álcool e tabaco são considerados mais nocivos do que a cannabis no Canadá”, destacando que o dado mais relevante não é apenas a posição da cannabis, mas a distância entre ela e substâncias amplamente aceitas socialmente.

Ainda de acordo com o veículo, “comparar uma substância aparentemente ‘inofensiva’ desmantela uma hierarquia profundamente enraizada, onde o legal não é necessariamente o menos prejudicial, e o proibido nem sempre ocupa o primeiro lugar em termos de danos gerais”.

Como os danos foram calculados

 

A metodologia aplicada pelos pesquisadores considera dois eixos principais: os prejuízos ao indivíduo e os impactos à sociedade. Entre os critérios estão mortalidade, dependência, danos físicos e mentais, além de custos econômicos e sociais.

Os autores reforçam que as pontuações não representam o risco isolado de uso, mas sim o impacto coletivo. Como explica o estudo, trata-se de uma análise que leva em conta “a prevalência de seu uso, sua disponibilidade e o marco regulatório em que circula”.

Esse ponto ajuda a entender por que o álcool ocupa a liderança: além de seus efeitos à saúde, trata-se de uma substância amplamente consumida e socialmente normalizada.

Cannabis e políticas públicas no centro do debate

 

Com menor pontuação no ranking, a cannabis aparece como uma das substâncias de menor impacto geral dentro da análise. Ainda assim, o estudo não descarta riscos, mas sugere que seus efeitos devem ser analisados dentro de um contexto mais amplo.

Segundo o Portal Cañamo, “os danos dependem não apenas da substância em si, mas também das políticas públicas que a envolvem”. No Canadá, o uso adulto da cannabis é regulamentado por lei, com controle sobre produção, distribuição e venda.

Esse cenário reforça a importância do ambiente regulatório na definição dos impactos sociais de cada substância, deslocando o debate para além da farmacologia.

Dados globais reforçam impacto de álcool e tabaco

 

Os achados do estudo dialogam com dados internacionais. A Organização Mundial da Saúde estima que o álcool esteve associado a aproximadamente 2,6 milhões de mortes em 2019, enquanto o tabaco é responsável por mais de 7 milhões de mortes por ano.

No Canadá, o relatório “Custos e Danos do Uso de Substâncias no Canadá” aponta que o álcool representou 40,1% dos custos atribuíveis ao uso de substâncias em 2020, seguido pelo tabaco com 22,7%.

Para o Portal Cañamo, esses números reforçam que “isso não é uma provocação retórica da comunidade canábica, mas sim uma evidência que se alinha com os dados já disponíveis sobre os impactos econômicos e de saúde”.

Regulação e evidência científica ganham protagonismo

 

A análise também contribui para reposicionar o debate sobre políticas de drogas. Ao evidenciar discrepâncias entre substâncias legais e seus impactos reais, o estudo sugere a necessidade de decisões baseadas em evidências.

Como destaca o Portal Cañamo, “o valor político deste tipo de trabalho reside em deslocar o debate dos slogans para a proporcionalidade”. A partir dessa perspectiva, critérios como dano coletivo passam a ter um papel central na construção de políticas públicas.

 

Fonte: Com informações originais publicadas pelo Portal Cañamo.

 

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