7 mitos que ainda confundem os mais de 800 mil pacientes no Brasil
Com quase 873 mil pacientes em tratamento no Brasil, a cannabis medicinal avança impulsionada pela ciência e pela regulamentação. Ainda assim, desinformação, preconceito e barreiras de acesso seguem cercando o tema
Publicada em 15/05/2026

Cannabis medicinal avança no Brasil entre regulamentação, ciência e combate à desinformação | Divulgação Assessoria
O caminho da cannabis medicinal no Brasil tem ganhado novos capítulos nos últimos anos. Entre prescrições médicas, regulamentações e histórias de pacientes que encontraram novas possibilidades terapêuticas, o país já soma cerca de 873 mil pessoas em tratamento em 2025. O mercado movimenta aproximadamente R$ 971 milhões, segundo dados da Kaya Mind, empresa de inteligência de mercado especializada no setor.
Ao mesmo tempo em que a ciência amplia o debate e fortalece evidências clínicas, a desinformação ainda acompanha o tema. Mitos antigos seguem circulando em meio ao avanço regulatório e ao crescimento do acesso no país.
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam ainda mais de 194 mil autorizações para importação de produtos à base de cannabis, reforçando a consolidação da alternativa terapêutica no cenário nacional.
Para o Dr. João Branco, que atua na Komunidade, o debate precisa avançar junto com a informação. “A cannabis medicinal não deve ser vista como exceção, mas como parte de um movimento mais amplo de personalização da medicina, em que cada conduta é definida a partir das necessidades específicas do paciente”, afirma o médico.
A seguir, especialistas esclarecem os principais mitos e verdades sobre o uso medicinal da cannabis.
Cannabis medicinal é a mesma coisa que uso recreativo?
Mito.
Apesar de terem a mesma origem, os usos possuem finalidades completamente diferentes. No contexto medicinal, os produtos passam por controle de qualidade, possuem formulações específicas e concentrações definidas de substâncias como Canabidiol (CBD) e Tetrahidrocanabinol (THC), voltadas para objetivos terapêuticos.
O uso medicinal da cannabis é permitido no Brasil?
Verdade.
A regulamentação brasileira estabelece critérios para prescrição, fabricação, importação e comercialização de produtos à base de cannabis.
A RDC 327, publicada em 2019 pela ANVISA, tornou-se um marco regulatório para o setor e segue passando por atualizações voltadas à ampliação do acesso com segurança sanitária.
Qualquer pessoa pode usar cannabis medicinal por conta própria?
Mito.
O tratamento exige prescrição médica e acompanhamento profissional. Pela legislação brasileira, apenas médicos habilitados podem indicar o uso da cannabis medicinal, sempre com base na avaliação individual de cada paciente.
A escolha do produto, da concentração e da dosagem depende de fatores clínicos específicos, além do histórico de saúde de cada pessoa.
A cannabis medicinal causa dependência em todos os casos?
Mito.
O risco não é generalizado e depende de diferentes fatores, como composição do produto, dosagem utilizada e perfil do paciente.
Quando existe acompanhamento médico adequado, o tratamento ocorre de forma controlada, respeitando indicações clínicas e critérios terapêuticos estabelecidos.
Cannabis medicinal pode ser indicada para diferentes condições de saúde?
Verdade.
O uso medicinal da cannabis vem sendo considerado em diferentes contextos clínicos, especialmente em casos nos quais outras abordagens não apresentaram respostas satisfatórias.
Entre as condições frequentemente relacionadas ao tratamento estão epilepsia, dor crônica, esclerose múltipla, ansiedade e doença de Parkinson.
Não existe base científica para o uso da cannabis medicinal?
Mito.
O número de pesquisas sobre cannabis medicinal cresceu significativamente nos últimos anos. A própria regulamentação brasileira foi construída com base em evidências científicas e estabelece critérios rigorosos relacionados à qualidade, segurança e controle dos produtos.
O avanço científico tem impulsionado novas discussões sobre medicina personalizada e terapias integrativas no Brasil e no exterior.
O acesso à cannabis medicinal ainda é um desafio no Brasil?
Verdade.
Apesar dos avanços regulatórios, o acesso ainda encontra obstáculos importantes, como custo elevado dos tratamentos, necessidade de importação em determinados casos e falta de informação.
Nos últimos anos, atualizações regulatórias vêm buscando ampliar o número de pacientes beneficiados e facilitar o acesso seguro aos produtos à base de cannabis.
Enquanto a ciência amplia caminhos e o debate ganha espaço na sociedade, especialistas reforçam que informação qualificada segue sendo uma das principais ferramentas para reduzir preconceitos e aproximar pacientes de tratamentos seguros e acompanhados.
Com informações da assessoria.


