Saúde

Cannabis para os olhos: estudo testa colírio de CBD

Colírios de CBD reduziram a pressão ocular em coelhos, segundo estudo. Entenda o que a Cannabis para os olhos pode representar nas pesquisas sobre glaucoma.

Cannabis para os olhos: estudo testa colírio de CBD
Estudo pré-clínico investiga o potencial do canabidiol em colírios para reduzir a pressão intraocular e ampliar as pesquisas sobre glaucoma | CanvaPro

Cannabis para os olhos: estudo testa CBD contra glaucoma

  • Cannabis para os olhos é tema de estudo com coelhos que testou colírios de CBD para reduzir a pressão ocular. Entenda os resultados e os limites da pesquisa.

A compreensão detalhada da base estrutural do receptor de calcitonina humana (CTR) permite desvendar os mecanismos fundamentais de ligação de ligantes e a subsequente transdução de sinal celular.

Dal Maso et al., pesquisador

O olhar revela muito sobre a nossa relação com o mundo, e cuidar dele também é cuidar da vida que acontece diante de nós. Uma pesquisa com coelhos investigou se colírios à base de canabidiol (CBD) podem ajudar a reduzir a pressão ocular, trazendo novas perguntas sobre o potencial da cannabis para os olhos e os caminhos da ciência no estudo do glaucoma.

O estudo avaliou uma formulação experimental desenvolvida para manter o CBD em contato com a superfície ocular por mais tempo. Os resultados apontaram redução significativa da pressão intraocular nos animais, mas ainda não comprovam eficácia ou segurança em seres humanos.

Como funciona a nova tecnologia de colírio de CBD desenvolvida por pesquisadores italianos?

Desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Florença, a formulação combina nanopartículas de canabidiol (CBD) revestidas com quitosana a um gel sensível à temperatura. O produto permanece líquido em temperatura ambiente e se transforma em gel cerca de 15 segundos após o contato com a superfície do olho. Essa tecnologia foi projetada para superar a lavagem rápida promovida pelas lágrimas, prolongando o tempo de permanência do CBD no olho e favorecendo sua absorção.

Cannabis para os olhos: como funciona o colírio de CBD?

Pesquisadores da Universidade de Florença, na Itália, desenvolveram uma formulação que combina nanopartículas contendo canabidiol, revestidas com quitosana, e um gel sensível à temperatura.

A proposta é superar um desafio da administração de medicamentos nos olhos: as lágrimas podem remover rapidamente as substâncias aplicadas, reduzindo o tempo de contato com os tecidos oculares.

Segundo a descrição do estudo divulgada pelo The Marijuana Herald, a formulação permanece líquida em temperatura ambiente e se transforma em gel em aproximadamente 15 segundos após entrar em contato com a superfície ocular.

Essa tecnologia busca prolongar a permanência do CBD na região e favorecer sua absorção. Trata-se, porém, de uma formulação experimental, não de um colírio de uso clínico já estabelecido.

Perguntas frequentes

1. O novo colírio de CBD já pode ser comprado ou substituir os tratamentos tradicionais para glaucoma?

Não. O estudo desenvolvido na Universidade de Florença é preliminar e pré-clínico, realizado apenas em coelhos e em testes laboratoriais. A pesquisa ainda precisa comprovar segurança e eficácia em seres humanos por meio de ensaios clínicos rigorosos. Pacientes com glaucoma ou suspeita da doença jamais devem interromper ou substituir os colírios prescritos por seus médicos por conta própria.

2. Como o colírio à base de canabidiol funciona nos olhos?

R: Os pesquisadores combinaram nanopartículas de CBD revestidas com quitosana a um gel sensível à temperatura. A formulação permanece líquida em temperatura ambiente e se transforma em gel cerca de 15 segundos após o contato com a superfície ocular. Essa tecnologia foi criada para resolver um grande obstáculo oftalmológico: o fato de as lágrimas removerem rapidamente medicamentos comuns, prolongando assim o tempo de contato e a absorção do CBD.

3. O estudo indicou que a formulação é segura para uso humano?

R: Os testes iniciais em animais não mostraram irritação aparente na córnea, conjuntiva ou íris após cinco dias de aplicações diárias, e células de córnea humana indicaram tolerabilidade em certas condições. No entanto, concentrações mais elevadas reduziram a viabilidade celular durante exposições prolongadas. Os próprios pesquisadores ressaltam que a ausência de irritação visível a curto prazo não garante segurança a longo prazo em humanos, sendo indispensáveis novas investigações.

Colírio de CBD reduz pressão ocular em coelhos

Os experimentos foram realizados em coelhos da raça Nova Zelândia, incluindo animais com pressão ocular normal e outros submetidos a um procedimento experimental para elevar essa medida.

Nos animais com pressão normal, uma única aplicação contendo 15 microgramas de CBD reduziu a pressão intraocular média de 19,4 para 17,2 mmHg após 60 minutos, uma diferença de 2,2 mmHg.

Nos coelhos com pressão elevada, a formulação com CBD também apresentou resultados favoráveis em comparação com o tratamento de controle sem o canabinoide. Após 120 minutos, a pressão média foi de 21,7 mmHg no grupo tratado com CBD, ante 23,2 mmHg no controle.

Os resultados sugerem que a formulação merece ser investigada em estudos posteriores. Entretanto, a pesquisa envolveu apenas seis coelhos, e os dados não permitem afirmar que o mesmo efeito ocorrerá em pessoas.

Cannabis para os olhos pode ajudar no tratamento do glaucoma?

O glaucoma reúne doenças que provocam danos ao nervo óptico e podem levar à perda irreversível da visão. A pressão intraocular elevada é um importante fator de risco, embora a doença também possa ocorrer em pessoas com pressão dentro da faixa considerada normal.

Por isso, reduzir a pressão ocular é uma das principais estratégias utilizadas para controlar a progressão do glaucoma. É nesse contexto que a pesquisa com CBD desperta interesse científico.

A investigação, no entanto, não demonstra que a cannabis para os olhos previna o glaucoma, recupere a visão perdida ou substitua os tratamentos oftalmológicos disponíveis.

Ainda será necessário avaliar se a formulação apresenta resultados semelhantes em seres humanos, qual seria a dose adequada e por quanto tempo seus possíveis efeitos seriam mantidos.

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O colírio de CBD é seguro para uso humano?

Os pesquisadores também avaliaram sinais de tolerabilidade. Após aplicações diárias durante cinco dias, não observaram irritação aparente na córnea, na conjuntiva ou na íris dos coelhos.

Testes laboratoriais com células da córnea humana também indicaram tolerabilidade em determinadas condições. Contudo, concentrações mais elevadas reduziram a viabilidade celular durante exposições prolongadas.

Esses resultados reforçam a importância de investigar a segurança antes de qualquer aplicação clínica. A ausência de irritação visível em animais durante um período curto não garante segurança em seres humanos nem exclui efeitos adversos com uso prolongado.

As próximas etapas incluem estudos com modelos de doença crônica, avaliações de segurança a longo prazo e investigações sobre a eficácia da formulação.

O que os resultados significam para os pacientes?

A pesquisa amplia o conhecimento sobre possíveis formas de administrar canabinoides nos olhos e aponta uma direção para futuras investigações sobre o glaucoma.

Por enquanto, a descoberta deve ser entendida como um resultado pré-clínico promissor, não como uma alternativa terapêutica comprovada. Pessoas com glaucoma ou suspeita da doença devem manter o acompanhamento oftalmológico e não substituir nem interromper colírios prescritos por conta própria.

A ciência avança com perguntas, evidências e novas etapas de validação. Para que a cannabis para os olhos possa, um dia, integrar opções terapêuticas seguras, ainda será necessário demonstrar seus benefícios e riscos em estudos clínicos rigorosos.

Referências

  1. 1.Dal Maso L, de Araujo MVS, de Oliveira EB, et al. Structural Basis for Ligand Binding and Signal Transduction by the Human Calcitonin Receptor. Int J Biol Macromol. 2026; (vol/issue TBD): TBD. doi: 10.1016/j.ijbiomac.2026.04.974 [acessar]

Matéria revisada por

  • Pedro Pierro

    Pedro Pierro

    Pedro Pierro é neurocirurgião especialista em dor e epilepsia, além de Diretor Científico da Sechat e curador do CBCM. · CRM-SP 102.283