Carnaval e Cannabis: como aproveitar o feriadão com segurança e responsabilidade

No ritmo da folia e das viagens de feriado, a advogada Carla Coutinho orienta pacientes sobre documentação, transporte e uso responsável da cannabis medicinal durante o Carnaval

Publicada em 14/02/2026

Carnaval e Cannabis Medicinal: como aproveitar o feriadão com segurança e responsabilidade

Cuidados para pacientes que usam cannabis medicinal durante viagens e festas | Reprodução IA

O Brasil veste glitter, toma as ruas e transforma o calendário em celebração. No meio da bateria que pulsa e da cidade que não dorme, há também quem carregue na bolsa um frasco pequeno, discreto, mas essencial. Para milhares de pacientes, o Carnaval não suspende o tratamento, ao contrário: ele exige ainda mais atenção. Entre o confete e a prescrição médica, a palavra de ordem é responsabilidade.


Com o aumento das viagens e das mudanças na rotina durante o feriadão, pacientes que utilizam cannabis medicinal precisam redobrar os cuidados, especialmente no transporte e no uso correto do medicamento.


Documentação e transporte: organização é essencial

 


Durante o Carnaval, muitas pessoas aproveitam para viajar. Para quem faz uso de medicamentos à base de cannabis, o planejamento começa antes mesmo de arrumar a mala.

“Trabalhar com cannabis foi a melhor decisão da minha vida.” — advogada Carla Coutinho, especialista em direito canábico e colunista do Portal Sechat, no podcast Deusa Cast.
Carla Coutinho durante participação no Deusa Cast, onde falou sobre os direitos dos pacientes de cannabis medicinal e os cuidados no transporte e uso do tratamento durante o Carnaval. | Crédito: Sechat

Segundo a advogada e ativista com atuação destacada no direito canábico, Carla Coutinho, o principal cuidado é manter a documentação em dia. “O principal é organização e documentação. O paciente deve transportar o medicamento na embalagem original, com rótulo legível, e portar prescrição médica atualizada, laudo médico, e nota fiscal (quando houver) e autorização da Anvisa, se for produto importado”, informa.


Em viagens aéreas, o medicamento pode ser transportado na bagagem de mão, desde que o uso terapêutico esteja devidamente comprovado. “O que não pode acontecer é o paciente ser constrangido por exercer seu direito à saúde, mas, na prática, a documentação evita problemas”, explica a advogada.
A orientação vale tanto para deslocamentos curtos quanto para viagens interestaduais. Já em casos de viagens internacionais, é fundamental verificar previamente as regras sanitárias do país de destino.


Folia, álcool e rotina: atenção à posologia

 


O Carnaval costuma trazer alterações na rotina, noites mais longas e maior consumo de bebidas alcoólicas. Para pacientes em tratamento com cannabis medicinal, o cuidado deve ser redobrado.


Carla reforça que a manutenção da posologia é indispensável. “O mais importante é o paciente manter a posologia prescrita, evitar misturar com álcool sem orientação médica e respeitar seus próprios limites, especialmente em formulações com THC”.


Além disso, fatores como armazenamento correto fazem diferença na eficácia do tratamento. “Também é essencial manter horários regulares e armazenar corretamente o medicamento, evitando calor e exposição solar. Autonomia terapêutica exige responsabilidade. Carnaval passa, mas o tratamento e a manutenção desse direito continuam”, finaliza.


Direito à saúde também é pauta na folia

 


A cannabis medicinal é um tratamento respaldado por prescrição médica e regulamentação sanitária no Brasil. Ainda assim, pacientes podem enfrentar desinformação ou constrangimentos.


Por isso, além da organização prática, a informação é ferramenta de proteção. Levar a receita, o laudo e manter o medicamento identificado não é excesso de zelo, é exercício de um direito.


No fim das contas, a mensagem é clara: é possível aproveitar o Carnaval com segurança, desde que o cuidado com a saúde permaneça no centro das decisões. A folia pode até ser intensa, mas o tratamento é contínuo.