Carolina do Norte enfrenta mercado ilegal de US$ 3,2 bi e discute legalização da cannabis
Relatório aponta falha regulatória e propõe modelo de uso adulto para substituir mercado clandestino e desorganizado
Publicada em 09/04/2026

Mercado ilegal de cannabis na Carolina do Norte pressiona por regulamentação nos EUA
Um relatório do conselho consultivo sobre cannabis da Carolina do Norte acendeu o alerta para um problema bilionário: o estado movimentou cerca de US$ 3,2 bilhões em cannabis ilegal apenas em 2022. A conclusão é direta — o modelo atual, sem regulamentação clara, criou um ambiente descrito como “Velho Oeste”, sem controle efetivo e com riscos à saúde pública.
As informações foram divulgadas pelo jornal USA Today, que teve acesso ao relatório preliminar do conselho.
“Atualmente, o mercado de cannabis intoxicante da Carolina do Norte existe em uma perigosa lacuna de políticas públicas que não é nem uma proibição real, nem uma regulamentação significativa”, destaca o documento, segundo o USA Today.
Atualmente, a Carolina do Norte está entre os poucos estados norte-americanos que ainda não possuem um programa regulado de cannabis, seja para uso adulto ou medicinal. Essa lacuna abriu espaço para um mercado clandestino robusto e para a expansão de produtos derivados do cânhamo, muitas vezes vendidos como alternativas legais, mas sem padronização ou supervisão adequada. Esse segmento, segundo o conselho, já movimenta cerca de US$ 1 bilhão.
Maconha e cânhamo
O documento recomenda o fim da distinção considerada “inviável” entre maconha e cânhamo e propõe a criação de um sistema regulado de uso adulto. A ideia é permitir que maiores de idade possam comprar, possuir e consumir cannabis por meio de estabelecimentos licenciados, com salvaguardas específicas para pacientes medicinais.
A iniciativa foi impulsionada pelo governador Josh Stein, que defendeu que um mercado legal e regulado oferece mais segurança para a população. Um relatório final, com diretrizes detalhadas, deve ser apresentado em dezembro.
O debate estadual ocorre em paralelo a mudanças no cenário federal dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva reclassificando a cannabis como uma substância menos perigosa. Além disso, uma nova legislação deve fechar brechas que permitiam a comercialização de produtos derivados do cânhamo com THC, com restrições previstas para entrar em vigor em novembro.
A falta de uniformidade regulatória entre estados também preocupa. Na vizinha Virgínia, por exemplo, a governadora Abigail Spanberger deve sancionar uma lei que autoriza a venda de cannabis a partir de 2027. Segundo o relatório, esse cenário pode transformar a Carolina do Norte em uma “ilha proibicionista” cercada por mercados regulados, incentivando o fluxo de consumidores e produtos através das fronteiras estaduais.
A resistência política
Apesar do avanço nas discussões, o tema ainda enfrenta resistência política. O deputado Timothy Reeder levantou preocupações sobre possíveis impactos na saúde mental, citando estudos que associam o uso de cannabis a maior risco de psicose em jovens adultos. Por outro lado, instituições como o National Institute on Drug Abuse apontam que ainda são necessários mais estudos para entender plenamente essa relação.
Pesquisas recentes, como um estudo da Columbia University, também indicam que a legalização da cannabis não alterou significativamente os índices relacionados ao uso de opioides na população geral.
Mesmo com divergências, o conselho foi categórico: a inação não é mais uma opção. Para os especialistas envolvidos, a regulamentação é essencial para proteger consumidores, reduzir riscos e trazer ordem a um mercado que já existe — mas hoje opera fora da lei.
Fonte: Conteúdo publicado originalmente no USA Today


