CBG e pressão alta: o que a ciência descobriu?
Hipertensão arterial e CBG entram no radar da ciência após resultados cardiovasculares promissores. Descubra o que os pesquisadores encontraram!

A hipertensão arterial, uma das condições cardiovasculares mais comuns no mundo, ganhou um novo capítulo na pesquisa com canabinoides. Um estudo publicado na revista científica Molecules, em outubro de 2026, e divulgado no portal NewsWeed, identificou efeitos do canabigerol (CBG) sobre a pressão sanguínea, o relaxamento dos vasos e a formação de coágulos. Os resultados são promissores, mas ainda não comprovam benefícios terapêuticos em seres humanos.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Medicina de Białystok, na Polônia, e investigou como esse composto não intoxicante da cannabis interfere em diferentes mecanismos relacionados à saúde cardiovascular.
Como o CBG influencia a hipertensão arterial?
Para investigar os efeitos cardiovasculares do canabigerol, os pesquisadores realizaram experimentos com dois grupos de ratos: animais espontaneamente hipertensos e outros com pressão arterial normal.
O CBG foi administrado por via intravenosa em três dosagens: 1, 3 e 10 mg/kg. Os resultados apontaram uma redução da pressão arterial e da frequência cardíaca proporcional à dose utilizada.
Entre os animais hipertensos, a maior concentração provocou uma redução média de 27 mmHg na pressão sistólica e de 29 mmHg na pressão diastólica. A frequência cardíaca também diminuiu aproximadamente 23 batimentos por minuto.
Os pesquisadores observaram que a resposta foi mais expressiva na pressão sistólica dos animais hipertensos. Entretanto, o efeito permaneceu relativamente curto, com diferenças na duração da resposta entre os grupos.
É importante destacar que esses resultados foram observados em animais anestesiados e não representam uma demonstração de eficácia contra a pressão alta em pacientes.
Cannabis medicinal e saúde cardiovascular: o que acontece nos vasos?
Além da pressão arterial, o estudo investigou a capacidade do CBG de promover o relaxamento dos vasos sanguíneos, fenômeno conhecido como vasorrelaxamento.
Para isso, foram analisadas amostras da aorta e de pequenas artérias mesentéricas dos animais.
Os resultados mostraram que o canabinoide promoveu relaxamento vascular dependente da concentração. Nas pequenas artérias mesentéricas, a resposta máxima chegou a aproximadamente 98% nos animais com pressão normal e 73% nos hipertensos.
Esse mecanismo chama a atenção porque a resistência oferecida pelos vasos à passagem do sangue participa diretamente da regulação da pressão arterial.
Os cientistas também identificaram possíveis mecanismos de ação envolvendo tanto a regulação do sistema nervoso central quanto a atuação direta sobre os vasos sanguíneos.
Ainda assim, os processos moleculares envolvidos precisam ser mais bem esclarecidos.
[SAIBA MAIS: Cannabis e doenças cardiovasculares: o que dizem os estudos recentes]
CBG e CBD podem interferir na formação de coágulos?
Outro resultado relevante envolveu a agregação plaquetária, processo em que as plaquetas se agrupam para formar coágulos sanguíneos.
Embora seja essencial para conter sangramentos, a ativação excessiva dessas células pode favorecer a formação de trombos e aumentar o risco de complicações cardiovasculares.
Nessa etapa, os pesquisadores utilizaram amostras de sangue humano em experimentos laboratoriais para avaliar os efeitos do CBG, do canabidiol (CBD) e da combinação entre os dois compostos.
Os resultados indicaram que ambos conseguiram inibir a agregação plaquetária induzida por colágeno e reduzir a liberação de substâncias relacionadas à ativação dessas células.
A combinação de CBG e CBD também apresentou efeitos inibitórios relevantes. Em determinadas condições experimentais, os resultados foram comparáveis ou superiores aos observados com ácido acetilsalicílico (aspirina), utilizado como referência no laboratório.
A comparação, entretanto, não significa que os canabinoides tenham eficácia equivalente à aspirina em pacientes. Os experimentos foram realizados fora do organismo e não demonstram segurança ou benefício clínico.
[SAIBA MAIS: Entenda como os canabinoides atuam no organismo humano]
CBG pode ser utilizado no tratamento da hipertensão arterial?
Apesar dos resultados, ainda é cedo para considerar o CBG uma alternativa terapêutica para pessoas com hipertensão arterial.
A pesquisa apresenta duas limitações importantes: os efeitos sobre a pressão foram avaliados em ratos, enquanto os experimentos com plaquetas utilizaram amostras de sangue humano em laboratório.
Isso significa que os resultados não podem ser diretamente reproduzidos ou generalizados para pacientes que utilizam produtos à base de cannabis por via oral ou inalatória.
Os pesquisadores também não avaliaram os efeitos do uso prolongado, a tolerabilidade clínica ou possíveis interações com medicamentos anti-hipertensivos e anticoagulantes.
Portanto, ainda serão necessários estudos adicionais e ensaios clínicos em seres humanos para compreender o potencial terapêutico do CBG e sua segurança cardiovascular.
Por enquanto, a descoberta amplia o conhecimento sobre os canabinoides e abre novas possibilidades de investigação científica.
Para quem convive com pressão alta, a orientação continua sendo manter o acompanhamento médico e não substituir ou interromper medicamentos prescritos por conta própria.
Perguntas frequentes
1. O CBG pode ajudar a controlar a hipertensão arterial?
Um estudo experimental identificou redução da pressão arterial em ratos após a administração de CBG. Entretanto, ainda não existem evidências clínicas suficientes para confirmar esse efeito em seres humanos.
2. Qual é a relação entre CBG e saúde cardiovascular?
O CBG demonstrou potencial para promover o relaxamento dos vasos sanguíneos e reduzir a agregação plaquetária em experimentos laboratoriais, mecanismos relacionados à saúde cardiovascular.
3. Pessoas com hipertensão arterial podem utilizar CBG?
Ainda não há evidências suficientes para recomendar o CBG como tratamento para hipertensão arterial. Pessoas com pressão alta devem consultar um médico antes de utilizar produtos à base de cannabis e não interromper os medicamentos prescritos.



