Cultivo de cannabis no Brasil: produzir para competir
Cultivo de cannabis no Brasil: genética, custos e regulação estarão em debate no Cannabis Connection 2026. Saiba mais no Portal Sechat.

Cultivo de cannabis no Brasil e competitividade
- O cultivo de cannabis no Brasil envolve desafios de genética, custos, pesquisa agropecuária e regulação. O Cannabis Connection 2026 reunirá especialistas para discutir as condições necessárias ao desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional competitiva.
O avanço da regulamentação do cultivo de cannabis para fins medicinais e farmacêuticos coloca um novo desafio para o mercado brasileiro: transformar as possibilidades previstas nas normas em uma cadeia produtiva capaz de competir com fornecedores internacionais. Pesquisa agropecuária, desenvolvimento de cultivares, disponibilidade de sementes e mudas e viabilidade econômica estão entre os fatores que podem determinar o futuro da produção nacional.
O tema será um dos destaques do Cannabis Connection 2026, encontro que acontece em 5 de novembro, em São Paulo, e reunirá representantes da pesquisa, da indústria, do agronegócio e da regulação para discutir oportunidades e obstáculos ao desenvolvimento do setor.
Entre os participantes está Beatriz Marti Emygdio, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e presidente do Comitê Permanente de Assessoramento Estratégico em Cannabis da instituição. Ao abordar os desafios da produção nacional, a pesquisadora resumiu a questão: “Não basta regular o cultivo, é preciso regular para competir”.
A declaração sintetiza uma das principais discussões para o setor: a existência de regras para o cultivo não garante, por si só, que o Brasil consiga produzir matéria-prima com qualidade, escala e custos competitivos.

Genética e custos estão entre os desafios da produção nacional
O desenvolvimento de uma cadeia produtiva brasileira depende de fatores que vão além da autorização para cultivar. A disponibilidade de genética adaptada às condições de clima e solo do país, a criação de cultivares, o controle fitossanitário, a padronização da matéria-prima e a oferta de sementes e mudas são elementos relevantes para a estruturação da atividade.
Os custos de produção também influenciam a viabilidade dos projetos. Empresas interessadas em ingressar nesse mercado precisam considerar as exigências regulatórias, a infraestrutura necessária, o processamento da matéria-prima e as condições comerciais para atender à indústria.
A pesquisa agropecuária pode contribuir para o desenvolvimento de variedades adequadas às condições brasileiras e para a geração de conhecimento técnico necessário à produção. A articulação entre pesquisa, cultivo, processamento e indústria será importante para avaliar em quais etapas o país poderá desenvolver vantagens competitivas.
Regulamentação abre discussão sobre oportunidades de negócio
As regras sanitárias para atividades relacionadas à cannabis passaram a incluir novas disposições para pesquisa e cultivo com finalidades medicinais e farmacêuticas. As condições estabelecidas para variedades com teor de THC igual ou inferior a 0,3% também integram as discussões sobre a organização dessa cadeia produtiva.
As autorizações previstas na regulamentação, entretanto, não significam liberação irrestrita do cultivo. As operações devem observar os requisitos aplicáveis a cada atividade, incluindo as exigências sanitárias relacionadas ao processamento, à fabricação e ao controle dos produtos.
Nesse contexto, a compreensão do ambiente regulatório é relevante para empresas que avaliam investimentos em pesquisa, fornecimento de insumos, produção agrícola e desenvolvimento de produtos.
O debate também envolve a relação entre a produção nacional e a importação de produtos à base de cannabis. A ampliação da demanda brasileira representa uma oportunidade potencial, mas não garante automaticamente mercado para a matéria-prima cultivada no país. A competitividade dependerá da capacidade de atender às especificações técnicas, aos requisitos regulatórios e às condições comerciais dos compradores.
Especialistas discutem o futuro da cadeia produtiva
O Cannabis Connection 2026 reunirá profissionais de diferentes áreas para discutir os fatores que influenciam o desenvolvimento do mercado brasileiro.
Além de Beatriz Marti Emygdio, a programação inclui Ana Cecília Carvalho, especialista em regulação de medicamentos e fitoterápicos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); Carolina Sellani, coordenadora do Grupo de Trabalho de Insumos de Cannabis da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (ABIQUIFI); e Leonardo Navarro, diretor jurídico do Instituto de Conexão e Regulação (ICR).
A programação também contará com representantes da indústria farmacêutica, do varejo, da pesquisa e de empresas que atuam no mercado de cannabis. A proposta é aproximar as perspectivas regulatória, técnica e empresarial para discutir as condições necessárias ao desenvolvimento sustentável do setor.
Para Daniel Jordão, CEO da Sechat, o desafio é transformar o potencial brasileiro em capacidade competitiva. A discussão sobre cultivo integra esse movimento, ao colocar em pauta como pesquisa, regulação e investimento podem contribuir para a estruturação de uma cadeia produtiva nacional.
O Cannabis Connection 2026 será realizado em 5 de novembro, a partir das 14h, no Edifício JK 1600, em São Paulo.
Serviço — Cannabis Connection 2026
- Data: 5 de novembro de 2026
- Horário: a partir das 14h
- Local: Edifício JK 1600
- Endereço: Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 1600, Itaim Bibi, São Paulo (SP)
- Informações e inscrições: https://cannabisconnection.com.br/
Entidades relacionadas: Embrapa, Anvisa, ABIQUIFI e Cannabis Connection 2026.
