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Dor de cabeça: saiba se a cannabis pode ajudar na enxaqueca?

Revisão de cinco ensaios aponta resultados diferentes para canabinoides em dor de cabeça. Entenda o que os estudos mostram. Saiba Mais.

Dor de cabeça: saiba se a cannabis pode ajudar na enxaqueca?
Dor de cabeça e enxaqueca estão entre as condições avaliadas em revisão sobre o uso de canabinoides contra a dor | CanvaPro

Às vezes, a dor de cabeça chega silenciosa. Outras vezes, interrompe planos, trabalho, sono e até os pequenos momentos da rotina. Uma nova revisão sistemática investigou se intervenções à base de canabinoides podem ajudar pessoas com enxaqueca e outras condições dolorosas, e encontrou resultados que dependem do tipo de tratamento utilizado.

Cannabis e dor de cabeça: o que mostrou a revisão

Publicado na revista Cannabis and Cannabinoid Research, o trabalho reuniu cinco ensaios clínicos randomizados e duplo-cegos, envolvendo 1.072 adultos.

Os pesquisadores avaliaram diferentes intervenções, incluindo canabinoides isolados, medicamentos sintéticos, produtos de cannabis vaporizados e extratos padronizados.

A análise utilizou ferramentas para avaliar risco de viés e a certeza das evidências, seguindo critérios do GRADE.

O resultado não foi uma resposta simples de “funciona” ou “não funciona”.

Segundo os autores, os efeitos parecem depender da indicação clínica, composição dos canabinoides, formulação e via de administração.

SAIBA MAIS: Entenda como THC e CBD atuam no organismo

THC e CBD apresentam resultados diferentes na enxaqueca

Entre os resultados que mais chamam atenção está o observado em episódios agudos de enxaqueca.

Uma formulação de THC combinado com CBD, administrada por vaporização, apresentou melhora em alguns desfechos avaliados após duas horas. Entre eles estavam o alívio da dor, a ausência de dor e a redução do sintoma mais incômodo associado à crise.

Para alguns desses resultados, os benefícios permaneceram entre 24 e 48 horas.

Já uma formulação predominante em CBD não apresentou benefício claro nos mesmos desfechos.

Esse contraste é importante porque mostra que não é possível tratar “canabinoides” como se fossem uma única intervenção terapêutica. “A eficácia parece depender da indicação, formulação, via de administração e composição dos canabinoides”, apontam os autores da revisão.

Dor lombar e CBD: resultado diferente

Quando o foco foi a dor lombar aguda, uma dose oral única de 400 mg de CBD isolado não foi superior ao placebo.

Por outro lado, em pessoas com dor lombar crônica, um ensaio de fase 3 envolvendo o extrato padronizado de cannabis VER-01 apresentou melhora na intensidade da dor, incapacidade, qualidade do sono e outros resultados relatados pelos pacientes em comparação ao placebo.

A diferença reforça uma das principais conclusões do estudo: resultados obtidos com uma determinada formulação não devem ser automaticamente transferidos para outros produtos ou condições.

SAIBA MAIS: Cannabis medicinal para dor crônica: o que dizem as evidências

Cannabis medicinal exige atenção à segurança

A revisão também analisou os eventos adversos.

Formulações inaladas que continham THC estiveram associadas a mais efeitos psicoativos. Os pesquisadores também apontaram a possibilidade de desvendamento funcional, situação em que os participantes conseguem perceber que receberam uma substância ativa, o que pode influenciar resultados de estudos controlados por placebo.

Os autores também destacam que ainda existem lacunas importantes. Entre elas estão a necessidade de estudos maiores e independentes, formulações analiticamente padronizadas e pesquisas que acompanhem o uso repetido em diferentes crises de enxaqueca.

O que essa evidência significa?

A revisão não sustenta a ideia de que todos os tratamentos à base de canabinoides tenham o mesmo efeito sobre dor de cabeça ou dor lombar.

Ao mesmo tempo, alguns resultados encontrados foram considerados de certeza moderada, especialmente para THC + CBD vaporizados em determinados desfechos de enxaqueca aguda e para o extrato VER-01 na dor lombar crônica. Já as evidências para CBD oral isolado e nabilona permaneceram muito incertas.

Por isso, os pesquisadores defendem novos ensaios clínicos que avaliem diferentes formulações, doses, vias de administração e segurança em longo prazo.

Para quem convive com dor de cabeça recorrente, a mensagem da ciência é menos sobre uma solução única e mais sobre compreender qual intervenção foi estudada, para qual condição e com qual composição de canabinoides.

O uso medicinal de cannabis deve ser discutido individualmente com um profissional de saúde, considerando diagnóstico, medicamentos em uso, possíveis efeitos adversos e as evidências disponíveis para cada indicação.