Envelhecer com menos dor: como a cannabis tem ajudado cães idosos a viver melhor

Com o aumento da longevidade dos pets, a cannabis medicinal surge como aliada no cuidado de cães idosos, ajudando no controle da dor, da disfunção cognitiva e na promoção de mais conforto e qualidade de vida.

Publicada em 12/02/2026

Envelhecer com menos dor: como a cannabis tem ajudado cães idosos a viver melhor

Cães idosos e qualidade de vida: histórias de cuidado, alívio da dor e mais bem-estar | Foto: Arquivo Pessoal

O aumento da expectativa de vida dos animais de estimação tem trazido novos desafios para a medicina veterinária. Com cães vivendo mais, crescem também os casos de doenças crônicas associadas ao envelhecimento, como artrose, dores persistentes, disfunção cognitiva e a necessidade de cuidados paliativos. 

 

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Nesse cenário, a cannabis medicinal tem ganhado espaço como alternativa terapêutica complementar, especialmente para promover conforto e bem-estar em pets idosos.
Entre os principais temas buscados na internet estão termos como “CBD para cachorro idoso”, “cannabis para dor em pets” e “pet com artrose CBD”, reflexo de um público cada vez mais atento à qualidade de vida dos animais na fase sênior.


Dor crônica e artrose estão entre as principais indicações


 

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A médica veterinária Flora Scardini, de Campo Grande (MS), atua na prescrição de cannabis medicinal para animais idosos, com foco no controle da dor, no bem-estar e na melhoria da qualidade de vida dos pets | Foto: Arquivo Pessoal

Na prática clínica, a médica veterinária Flora Scardini, de Campo Grande (MS), explica que os melhores resultados com a cannabis medicinal aparecem, sobretudo, em animais idosos com doenças osteoarticulares degenerativas e quadros de dor crônica.“Geralmente, os melhores resultados que eu tenho são em animais com doença osteoarticular degenerativa, no caso da artrose, e dor crônica no geral, em quadros inflamatórios persistentes”, relata.


Segundo a veterinária, a atuação da cannabis está relacionada à modulação do sistema endocanabinoide, diretamente envolvido nos processos de dor e inflamação. Segundo a veterinária, a cannabis consegue minimizar esses processos inflamatórios, diminuindo a dor. “Com isso, auxilia na mobilidade do paciente e em outras questões, como melhora do apetite e do sono”, explica.


Outro ponto destacado por Flora é a possibilidade de reduzir o uso de medicamentos alopáticos tradicionais, que costumam apresentar efeitos colaterais relevantes em animais idosos.“A gente consegue diminuir outras terapias alopáticas que têm muito efeito colateral, como anti-inflamatórios convencionais, que impactam rim e fígado. Além disso, esses medicamentos podem causar gastrite e distúrbios gastrointestinais, o que também conseguimos minimizar com o uso da cannabis”, pontua.


Disfunção cognitiva: ansiedade, sono e interação com o ambiente


A disfunção cognitiva também é uma condição frequente em cães idosos e costuma se manifestar por alterações comportamentais, como ansiedade, agitação noturna e perda de interação social. A veterinária afirma que a cannabis pode auxiliar diretamente nesses sintomas. “Esses animais costumam ficar muito ansiosos, não dormem direito, caminham em círculos e, muitas vezes, param de interagir com as pessoas da família”, explica.


Com o início do tratamento, os responsáveis geralmente percebem mudanças significativas. “A gente consegue diminuir o nível de ansiedade, melhorar a qualidade do sono e fazer com que o animal volte a interagir com o ambiente e com os responsáveis. O apetite também costuma melhorar”, afirma.


Sobre a rapidez do tratamento com a cannabis, a veterinária salienta: “geralmente, com cerca de duas semanas, o responsável já começa a perceber diferença na qualidade de vida do animal”.


Cannabis nos cuidados paliativos veterinários


Nos cuidados paliativos, o foco deixa de ser a cura e passa a ser o conforto do paciente. Nesse contexto, a cannabis medicinal pode atuar como uma aliada importante. “Ela auxilia no controle da dor, no estímulo do apetite, na melhora do sono e na redução do desconforto no geral”, explica.


A médica reforça ainda que o tratamento deve ser pensado de forma integrada.
“É sempre recomendado associar a cannabis com outras terapias, como nutracêuticos, por exemplo ômega, uma alimentação saudável e, em casos de dor crônica, até acupuntura. Tudo isso soma na terapia canábica”, destaca.


O caso da Glória: mais conforto aos quase 18 anos


 

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Glória tem quase 18 anos e introduziu cannabis medicinal para tratar comorbidades da idade, obtendo melhora significativa | Foto: Arquivo Pessoal

Entre os atendimentos que marcaram sua trajetória, Flora destaca o caso da Glória, uma cachorrinha de quase 18 anos, com múltiplas comorbidades e sinais avançados de disfunção cognitiva. “Ela ficava andando em círculo, parecia perdidinha dentro de casa, não estava comendo bem e tinha muita agitação, principalmente à noite”, relembra.


Após a introdução da cannabis no tratamento, a melhora foi significativa. “Ela parou de andar em círculo, voltou a interagir com o ambiente, melhorou o apetite e a qualidade do sono. A responsável percebeu uma mudança gritante. Em animais muito idosos, nem sempre é possível reverter o quadro, mas conseguimos oferecer mais conforto e qualidade de vida para ela e para a família”, finaliza.


O caso da Glória exemplifica um movimento crescente na medicina veterinária, que passa a olhar o envelhecimento dos pets com mais sensibilidade, priorizando o bem-estar e o respeito aos limites naturais da vida.