Cotidiano

Espanha enfrenta críticas sobre nova regulamentação da cannabis para fins medicinais

Projeto de regulamentação da cannabis medicinal na Espanha enfrenta críticas por limitações na prescrição, exclusão da flor como tratamento e restrição à dispensação em farmácias hospitalares

Espanha enfrenta críticas sobre nova regulamentação da cannabis para fins medicinais
Bandeira da Espanha | Imagem: Canva Pro

O mercado de cannabis medicinal na Espanha, aguardado com grande expectativa, está sob fogo cruzado devido ao projeto de decreto regulatório. A proposta, publicada em setembro, limita a prescrição a médicos especialistas e restringe a dispensação às farmácias hospitalares, excluindo as 22.000 farmácias comunitárias. Além disso, a flor de cannabis foi descartada como opção de tratamento, gerando descontentamento entre pacientes, farmacêuticos e a indústria.

De acordo com o artigo de Ben Steves, editor do Businnes of Cannabis, atualmente, o plano cobre apenas quatro condições médicas específicas: espasticidade por esclerose múltipla, epilepsia refratária grave, náuseas induzidas por quimioterapia e dor crônica refratária. Embora a lista possa ser ampliada com novas evidências científicas, o acesso permanece limitado. Organizações como o Conselho de Faculdades Farmacêuticas da Catalunha e o Observatório Espanhol de Cannabis Medicinal (OECM) criticam a decisão, destacando o impacto negativo na acessibilidade e na qualidade de vida dos pacientes.

A exclusão das farmácias comunitárias é um ponto-chave nas críticas. Especialistas argumentam que essas farmácias são capazes de garantir segurança, controle e maior alcance no atendimento aos pacientes. “Acreditamos que não há razões de saúde, segurança ou legais que justifiquem limitar a distribuição de preparações padronizadas de cannabis aos serviços de farmácia hospitalar”, destacou um porta-voz do Conselho Geral de Faculdades Farmacêuticas ao público. Já a Sociedade Espanhola de Farmacêuticos de Atenção Primária tem sido particularmente veemente em sua objeção, destacando o absurdo de os pacientes terem que viajar longas distâncias até os hospitais para ter acesso aos seus medicamentos.

O Ministério da Saúde agora analisa o feedback recebido durante o período de consulta pública. Revisões no texto podem ocorrer antes da aprovação final, prevista para o início de 2025. Contudo, a exclusão da flor de cannabis e a restrição na distribuição continuam sendo barreiras que afastam a Espanha de um mercado funcional de cannabis medicinal.

Com informações de Business of Cannabis