Estudo cria novo método genético para melhoramento do cânhamo
Nova abordagem permite mapear características do cânhamo sem necessidade de grandes populações, acelerando o desenvolvimento de cultivares aprimoradas.
Publicada em 27/03/2025

Imagem ilustrativa: Canva.
Uma pesquisa publicada este mês na revista Nature trouxe avanços significativos na genética do cânhamo (Cannabis sativa), apresentando um novo método chamado Estudo de Associação Específica do Genoma (GSAS, na sigla em inglês). Essa abordagem inovadora possibilita identificar características genéticas importantes sem a necessidade de grandes populações de plantas, tornando o processo de melhoramento genético mais rápido e acessível.
Essa descoberta pode revolucionar o cultivo do cânhamo, facilitando o desenvolvimento de novas variedades com características desejáveis, como maior produtividade de biomassa, tempo de floração ajustado e melhor adaptação a diferentes condições ambientais.
Entendendo a genética do cânhamo
O cânhamo é uma planta altamente heterozigota, ou seja, tem grande variação genética entre indivíduos da mesma espécie. Essa diversidade genética pode ser um desafio para pesquisadores que desejam selecionar características específicas, como altura da planta, resistência a pragas ou maior teor de fibra.
Tradicionalmente, os métodos mais utilizados para essa análise são o Estudo de Associação do Genoma Completo (GWAS) e o mapeamento de Loci de Características Quantitativas (QTL). No entanto, essas técnicas exigem grandes populações de plantas e longos períodos de pesquisa para identificar genes associados a características desejáveis.
É nesse contexto que o GSAS se destaca como uma solução inovadora.
Como funciona o novo método GSAS?
O Estudo de Associação Específica do Genoma (GSAS) foi desenvolvido para explorar a heterozigosidade natural do cânhamo. Diferente dos métodos convencionais, ele permite identificar variações genéticas (SNVs – variantes de nucleotídeo único) e haplótipos em uma única geração de plantas. Isso significa que não é necessário cultivar várias gerações para entender quais genes influenciam características específicas.
No estudo em questão, os pesquisadores utilizaram uma população S1 da cultivar monóica “Felina 32”. Essa população foi avaliada para medir a variabilidade genética e fenotípica (as características observáveis das plantas). Com base nessa análise, foi possível mapear genes relacionados ao tempo de floração e ao rendimento de biomassa, fatores essenciais para o cultivo do cânhamo em diferentes condições climáticas e para distintas finalidades industriais.
Benefícios do GSAS para a agricultura e indústria
A nova abordagem tem potencial para transformar o setor agrícola de várias maneiras:
Aceleração do melhoramento genético: o GSAS permite que pesquisadores selecionem características desejáveis de forma mais rápida e eficiente, encurtando o tempo necessário para desenvolver novas cultivares.
Maior precisão: como o método foca em variações genéticas específicas dentro de uma única geração, as seleções são mais assertivas.
Aplicação em outras espécies: embora o estudo tenha sido feito com cânhamo, a técnica pode ser utilizada para melhorar geneticamente outras plantas altamente heterozigotas.
- Redução de custos: métodos tradicionais exigem investimentos altos para a manutenção de grandes populações experimentais ao longo de várias gerações. O GSAS simplifica esse processo, reduzindo custos operacionais.
O desenvolvimento do GSAS representa um avanço significativo para a genética do cânhamo e pode impulsionar a criação de cultivares mais produtivas e adaptáveis. A possibilidade de identificar características desejáveis de forma rápida e eficiente tem um grande potencial para beneficiar tanto agricultores quanto indústrias que utilizam o cânhamo em seus produtos.
Com essa nova ferramenta, o setor pode avançar para um futuro onde o melhoramento genético do cânhamo seja mais acessível, sustentável e inovador.