Alzheimer: O segredo da mente sã pode estar na resiliência de “super-idosos” e no potencial da cannabis
Reportagem de O Globo sobre pesquisa que cita Fernanda Montenegro ajuda a entender a resiliência ao Alzheimer e abre debate sobre o potencial da cannabis medicinal
Publicada em 13/03/2026

Estudos em neurociência investigam como a resiliência cerebral pode ajudar a entender e combater o Alzheimer.
A busca por respostas definitivas contra o Alzheimer está deixando de olhar apenas para o que adoece o cérebro e passando a focar no que o mantém saudável. Em entrevista recente à repórter Ana Lucia Azevedo, do jornal O Globo, o neurocientista brasileiro Mychael Lourenço, professor da UFRJ, destacou que a chave para novos tratamentos pode estar em indivíduos “super-resistentes”.
O estudo de Lourenço utiliza exemplos de longevidade lúcida, como a atriz Fernanda Montenegro e o cantor Toni Tornado, para entender os mecanismos biológicos que protegem o sistema nervoso. “‘A resposta para combater o Alzheimer pode estar nas pessoas saudáveis’, disse ao O Globo o pesquisador”, que recentemente foi laureado com o prêmio internacional ALBA-Roche.
A Ciência da Resiliência Cerebral
A pesquisa identifica dois grupos cruciais para a ciência: os resistentes, que não desenvolvem as placas de proteína beta-amiloide (o “lixo” tóxico que sufoca os neurônios), e os resilientes, pessoas que possuem as placas no cérebro, mas não manifestam perda de memória ou demência.
A descoberta central da equipe da UFRJ foca na proteína TGF-beta 1. Em cérebros saudáveis, ela protege as sinapses; no Alzheimer, seus níveis despencam. A restauração dessa via biológica surge como uma das maiores promessas da neurociência atual.
O Elo com a Cannabis Medicinal
Enquanto a UFRJ investiga a resiliência biológica, outra frente terapêutica ganha corpo no cenário de Life Sciences: a modulação do sistema endocanabinoide. De acordo com dados técnicos do portal Sechat, a cannabis medicinal tem demonstrado propriedades neuroprotetoras que se alinham à busca pela preservação das funções cognitivas.
Evidências no Combate à Degeneração
Estudos apontam que os componentes da planta podem atuar diretamente nos mecanismos de defesa do cérebro:
• Limpeza de Toxinas: Pesquisas do Salk Institute (EUA) sugerem que o THC auxilia na remoção do acúmulo de beta-amiloide, o mesmo alvo estudado por Lourenço.
• Ação Anti-inflamatória: O canabidiol (CBD) reduz a neuroinflamação, um dos principais aceleradores da morte neuronal no Alzheimer.
• Reversão de Sintomas: No Brasil, estudos da UNILA e da USP já relataram casos de reversão parcial de sintomas cognitivos e melhora na qualidade de vida de pacientes que utilizam o óleo de cannabis de forma controlada.
Estilo de Vida e Reserva Cognitiva
A convergência entre a genética privilegiada e o uso de fitocanabinoides não exclui o fator humano. Conforme reforçado na reportagem de O Globo, a manutenção de uma “reserva cognitiva” — através da leitura, do convívio social e, principalmente, do exercício físico — é o que permite ao cérebro criar caminhos alternativos para driblar as lesões da doença.
A integração desses pilares — o estudo da resiliência natural e o suporte farmacológico da cannabis medicinal — desenha um futuro onde o Alzheimer poderá ser, se não curado, manejado como uma condição crônica sem a perda da identidade e da dignidade humana.
Fontes e Referências:
• Texto baseado em entrevista original publicada n’O Globo por Ana Lucia Azevedo em 11/03/2026.
• Dados técnicos e estudos sobre canabinoides extraídos do portal Sechat.

