Formas de acesso aos produtos de cannabis no Brasil

Entenda o passo a passo para fazer a aquisição dos derivados da planta para fins medicinais

Formas de acesso aos produtos de cannabis no Brasil
Formas de acesso aos produtos de cannabis no Brasil

Por João R. Negromonte

Mesmo com o crescimento exponencial no número de autorizações concedidas pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) para a compra de medicamentos à base de cannabis nos últimos anos, por causa das restrições da legislação brasileira, os pacientes ainda dispõem de alternativas escassas de acesso aos produtos produzidos. Principalmente  à base de canabidiol (CBD), que é o composto da planta mais utilizado na área da saúde.

São três as formas mais comuns de acesso: importação, associações de pacientes e aquisição em farmácias. Existem casos em que a produção caseira do óleo por meio do autocultivo da planta é permitida. No entanto, há a necessidade de habeas corpus preventivo, ou seja, é preciso judicializar o processo. 

Por isso, até o momento, apenas os modos de importação, aquisição em drogarias e associações de pacientes estão regulamentados pela legislação. 

Tudo começa na consulta médica 

O primeiro passo para quem deseja fazer o uso medicinal da cannabis é encontrar um médico prescritor para obter os documentos necessários e, posteriormente, realizar a compra do produto ou medicamento. 

O número de médicos prescritores de cannabis para fins terapêuticos no Brasil, segundo dados da Anvisa, era de aproximadamente 2.400 profissionais até o final de 2021, isto é, menos de 1% dos 550.000 profissionais ativos hoje no país.

O médico é responsável por indicar a composição, ou seja, quais canabinoides e qual a concentração do produto a ser utilizado pelo paciente. Segundo sugere o Conselho Federal de Medicina (CFM), apenas neurologistas, neurocirurgiões e psiquiatras podem prescrever medicamentos à base de cannabis. 

No entanto, a Anvisa, por meio das normativas RDC 335 e a RDC 570 (que em abril de 2022 foram unidas na RDC 660/22, a qual dispõe sobre a importação de produtos derivados de cannabis para uso medicinal), além da RDC 327/19, a qual permite a prescrição para a compra destes medicamentos em farmácias de todo país, autorizou profissionais de saúde em geral, desde que previamente habilitados a receitarem esses produtos.  

O que difere os critérios burocráticos no encaminhamento de solicitação à Anvisa é o tipo de receita emitida. Segundo a RDC Nº 327/19, no caso dos medicamentos com concentração de THC inferior a 0,2%, o produto deverá ser prescrito por meio de receituário do tipo B.

Ainda de acordo com a norma, produtos de cannabis poderão conter teor de THC acima de 0,2% e serem prescritos nacionalmente, desde que sejam destinados a cuidados paliativos exclusivamente para pacientes sem outras alternativas terapêuticas e em situações clínicas irreversíveis e terminais, mas, nesse caso, deve ser utilizado o receituário do tipo A.

(Imagem: Arquivo Sechat)

Sechat oferece gratuitamente lista de prescritores

Entre os inúmeros obstáculos que os pacientes, que se tratam com produtos ou que desejarem experimentá-los enfrentam, está a dificuldade em conhecer ou em ter acesso a um profissional prescritor. 

Para auxiliar nessa busca, a Sechat disponibiliza gratuitamente uma lista de profissionais da saúde a todos que necessitarem. São mais de 150 profissionais espalhados pelo Brasil. A lista com os nomes dos médicos cadastrados e com os dados para contato está disponível no link “Lista de médicos”.  É possível selecionar os profissionais pelo estado onde atuam e obter nome, telefone, e-mail, endereço, número do CRM e especialidade médica. 

O custo mensal de um tratamento à base de cannabis 

Para ter acesso a um produto ou medicamento à base de cannabis, além da receita de um prescritor de cannabis medicinal e da autorização da Anvisa, o paciente terá que estar disposto ou ter condições financeiras para arcar com um custo, que pode ser relativamente alto. 

Segundo o Dr. Pedro Pierro, diretor científico da Sechat, o investimento mensal de um tratamento com medicamento ou produto à base de cannabis pode variar de acordo com o tipo de doença, idade e peso do paciente. Também são variáveis o tipo de óleo: “quanto mais THC e/ou CBD isolado houver no produto, a tendência é que o mesmo seja mais caro”, explica o neurocirurgião.

Já os produtos à base de CBD full spectrum (que contém todos os canabinoides) são mais baratos por não necessitarem de processos de purificação, como é o caso do CBD isolado. 

Outro elemento que gera variação no custo mensal do tratamento é o tipo de acesso ao medicamento: se feito por meio de importação, aquisição em drogarias ou por intermédio de associação de pacientes. Assim, o valor mínimo de um tratamento com produtos ou medicamentos à base de cannabis começa em torno de R$ 300 por mês, mas pode chegar, de acordo com cada caso, a uma despesa mensal de cerca de R$ 2.500.

É importante destacar também, que há tratamentos com valor mínimo menor e com valor máximo maior, conforme as variáveis de cada processo já comentadas anteriormente.