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Suplicy relata benefício da cannabis medicinal em tratamento

Após melhora nos sintomas do Parkinson, deputado estadual defende a democratização do tratamento e a ampliação do acesso a medicamentos à base de cannabis pela rede pública.

Suplicy relata benefício da cannabis medicinal em tratamento
Eduardo Suplicy relata melhora nos sintomas do Parkinson após tratamento complementar com cannabis medicinal e defende ampliar o acesso pelo SUS. Reprodução Rede Social @eduardosuplicy

Suplicy defende cannabis medicinal no SUS

  • Eduardo Suplicy relata melhora nos sintomas do Parkinson após tratamento complementar com cannabis medicinal. A partir da própria experiência, o parlamentar defende ampliar o acesso aos medicamentos pelo SUS e reduzir as barreiras financeiras enfrentadas pelos pacientes.

O deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP) voltou a defender a democratização do acesso à cannabis medicinal em discurso após ser reeleito para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Diagnosticado com a doença de Parkinson em 2023, o parlamentar relata melhora nos tremores, nas dores musculares, no sono e na mobilidade após incorporar derivados da planta ao tratamento, com acompanhamento profissional. A partir da própria experiência, Suplicy defende que o acesso a esses medicamentos não dependa da capacidade financeira dos pacientes.

A defesa ganhou relevância à medida que Suplicy passou a compartilhar publicamente sua trajetória como paciente e a cobrar medidas para viabilizar o acesso aos produtos à base de cannabis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em setembro de 2026, o parlamentar também defendeu a oferta gratuita do tratamento em encontro com o médico Pedro Tourinho, em Campinas (SP), destacando a necessidade de regulamentação e de preços acessíveis.

Do diagnóstico à busca por alternativas terapêuticas

Suplicy tornou público o diagnóstico de Parkinson em setembro de 2023. Na época, relatou tremores nas mãos, especialmente ao segurar talheres e se alimentar, além de dores musculares na perna esquerda. A condição também afetava atividades cotidianas que exigiam precisão dos movimentos.

Inicialmente, o parlamentar utilizou medicamentos convencionais para controlar os sintomas. Em paralelo, passou a conhecer experiências de pacientes que recorriam à cannabis medicinal, entre elas as de pessoas atendidas por associações voltadas ao acolhimento e ao acesso a tratamentos.

O contato com essas iniciativas contribuiu para aproximá-lo do tema. Suplicy também passou a acompanhar o trabalho de organizações como a Cultive e a Flor da Vida, que atuam no campo da cannabis medicinal.

O parlamentar iniciou o uso de óleo de cannabis e, ao longo do acompanhamento, relatou avanços na qualidade de vida. Entre as mudanças que descreveu estão a redução das dores, a melhora dos tremores durante as refeições e maior firmeza ao caminhar.

Pesquisa registrou melhora de 54,55% nos sintomas

A evolução clínica de Suplicy também foi documentada em um estudo de caso publicado em julho de 2025 na Revista Brasileira de Farmacognosia. O trabalho descreveu os resultados observados durante o tratamento com óleo de cannabis rico em tetraidrocanabinol (THC).

Segundo o estudo, houve redução de 54,55% na pontuação da escala MDS-UPDRS, utilizada para avaliar a gravidade dos sintomas da doença de Parkinson. A evolução foi acompanhada por relatos de melhora na mobilidade e em tarefas diárias, além de benefícios relacionados ao sono e à qualidade de vida.

O tratamento foi conduzido com acompanhamento clínico e ajustes graduais de dose. Na fase em que o paciente relatou melhor resposta motora, a dose chegou a 18,25 mg de THC por dia, divididos em três administrações. Posteriormente, foi ajustada para 20 mg diários.

O estudo contou com a participação de pesquisadores vinculados à Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), além de profissionais e instituições envolvidos na investigação clínica e no acompanhamento do paciente.

Os autores, entretanto, ressaltam que os resultados de um relato individual não permitem concluir que a mesma resposta será observada em outros pacientes. São necessários estudos clínicos mais amplos e controlados para avaliar a eficácia, a segurança e as condições de uso dos canabinoides no tratamento dos sintomas do Parkinson.

A cannabis foi utilizada como terapia complementar, e não como substituta automática dos medicamentos convencionais para a doença.

Experiência pessoal alimenta defesa do acesso pelo SUS

Ao falar publicamente sobre o tratamento, Suplicy passou a relacionar a experiência individual à realidade de pacientes que enfrentam dificuldades para obter medicamentos à base de cannabis.

Em carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, publicada em outubro de 2025, o parlamentar defendeu a regulamentação da cannabis medicinal e manifestou preocupação com as dificuldades enfrentadas por associações que atendem pacientes. No documento, também destacou a importância de democratizar o acesso aos tratamentos.

A discussão envolve diferentes barreiras, como o custo dos produtos, a necessidade de prescrição e acompanhamento profissional e as condições regulatórias para produção e distribuição. Para pacientes que dependem de tratamentos contínuos, a dificuldade de manter o fornecimento pode comprometer a continuidade do cuidado.

Em setembro de 2026, ao defender a oferta de cannabis medicinal pelo SUS, Suplicy voltou a enfatizar que os medicamentos precisam chegar à população a preços acessíveis. Sua posição parte do relato de quem utiliza o tratamento e considera importante que outros pacientes tenham a possibilidade de acesso, desde que observadas as indicações clínicas e a supervisão profissional.

O que a experiência de Suplicy representa para o debate

A trajetória do parlamentar evidencia como relatos de pacientes podem contribuir para ampliar o debate público sobre tratamentos à base de cannabis. Ao mesmo tempo, a experiência individual precisa ser analisada em conjunto com as evidências científicas disponíveis, que variam conforme a condição clínica, o produto utilizado, a composição dos canabinoides e o protocolo terapêutico.

No caso do Parkinson, a pesquisa sobre cannabis medicinal ainda enfrenta questões relacionadas à eficácia, à segurança, às doses e aos efeitos de longo prazo. Os resultados observados em Suplicy constituem um registro clínico relevante, mas não substituem ensaios controlados capazes de estabelecer conclusões mais abrangentes.

A defesa do acesso pelo SUS acrescenta outra dimensão à discussão: como transformar evidências científicas e necessidades clínicas em políticas públicas que considerem a segurança dos pacientes, a avaliação dos tratamentos e a sustentabilidade da oferta.

Para Suplicy, a experiência com a cannabis medicinal tornou a questão também pessoal. Seu relato passou a integrar a defesa de um modelo em que o acesso ao tratamento prescrito não seja determinado exclusivamente pela renda do paciente.

 

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