Suplicy apresenta melhora de 54% nos sintomas do Parkinson após tratamento com cannabis medicinal

Estudo de caso com uso de THC destaca avanços em mobilidade, qualidade de vida e sono

Publicada em 08/08/2025

Suplicy apresenta melhora de 54% nos sintomas do Parkinson após tratamento com cannabis medicinal

Deputado estadual de São Paulo Eduardo Suplicy, de 83 anos, apresentou uma redução de 54,55% nos escores da Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson (UPDRS) Imagem: Bruna Sampaio/ Alesp

Após oito meses de tratamento com cannabis medicinal, o deputado estadual de São Paulo Eduardo Suplicy, de 83 anos, apresentou uma redução de 54,55% nos escores da Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson (UPDRS).

O resultado indica uma melhora significativa nos sintomas motores da Doença de Parkinson (DP), como mobilidade, bradicinesia e tremores nas mãos. A evolução permitiu ao parlamentar recuperar funções essenciais do dia a dia, como amarrar cadarços, escrever com clareza e segurar uma xícara sem derramar.

Os benefícios secundários relatados incluem melhora da qualidade de vida, sono, comunicação e redução de sintomas depressivos e ansiosos. Nenhum efeito adverso significativo foi registrado ao longo do tratamento.

Os resultados foram publicados em julho de 2025 na Revista Brasileira de Farmacognosia, em um estudo de caso que detalha a evolução clínica de Suplicy. A dose utilizada — 18,25 mg de tetraidrocanabinol (THC) por dia, dividida em três administrações — foi suficiente para alcançar o pico de bem-estar físico relatado pelo paciente. Com o tempo, a dose foi passada para 20mg de THC por dia, divididos no café, almoço e janta.

Resumo gráfico:

 

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Resumo gráfico do relato de caso com informações do paciente, dosagem e melhoras com o uso da cannabis. Imagem: Arquivo do estudo

 

Cannabis como terapia adjuvante no tratamento do Parkinson


A Doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa progressiva, caracterizada por sintomas motores (como tremores, rigidez e instabilidade postural) e manifestações não motoras. Antes de iniciar o uso da cannabis, Suplicy utilizava apenas Levodopa, medicamento convencional para a DP, mas apresentava sintomas motores graves, como tremores intensos e dificuldade para caminhar.

A cannabis foi introduzida como tratamento complementar. Apesar do uso de doses consideradas altas de THC, o paciente relatou poucos efeitos adversos. Isso se deve, em parte, à baixa biodisponibilidade da administração oral — apenas 4% a 12% do THC atinge a corrente sanguínea nesse formato, em comparação com até 35% por inalação. Suplicy não apresentou sedação ou letargia, indicando ausência de acúmulo de canabinoides no organismo.

Os autores do estudo sugerem que os dados obtidos podem inaugurar uma nova linha de pesquisa focada no uso oral de doses elevadas de THC no tratamento da Doença de Parkinson e outras condições neurológicas. No entanto, destacam a necessidade de estudos mais robustos, com amostras maiores e metodologia controlada, para confirmar os efeitos observados.

O relato de caso foi constituido por meio de uma parceria entre as entidades: Laboratório de Cannabis Medicinal e Ciência Psicodélica da Universidade Federal da Integração Latino-Americana; Laboratório Interdisciplinar de Estudos do Meio Ambiente; 3 F Ensaios Clínicos; Hospital Sírio-Libanês; Associação Cultive e Associação de Cannabis Medicinal Flor da Vida