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Tailândia recua no uso recreativo de cannabis e redesenha mercado medicinal

Uso recreativo de cannabis pode perder espaço na Tailândia. Entenda o novo projeto que amplia o controle e prioriza o uso medicinal. Saiba mais.

Tailândia recua no uso recreativo de cannabis e redesenha mercado medicinal
Uso recreativo de cannabis pode perder espaço na Tailândia com avanço de projeto que restringe a planta a finalidades medicinais | Canvapro

Recua no Uso Recreativo e Foca Cannabis Medicinal

  • Após abrir o mercado em 2022, a Tailândia avança para proibir o uso recreativo da cannabis. Novo projeto aprovado pelo gabinete exige prescrição médica, restringe a publicidade, estabelece licenças de 3 anos para cultivo e força a adaptação de mais da metade dos dispensários até 2028

A Tailândia pode estar prestes a virar uma nova página quando o assunto é o uso recreativo de cannabis. Depois de abrir espaço para o mercado da planta em 2022, o país agora caminha na direção oposta: restringir o uso não médico e reforçar a finalidade medicinal. Em 22 de setembro de 2026, o gabinete aprovou um projeto de Lei de Controle da Cannabis que ainda será analisado pelo Parlamento.

Cannabis medicinal na Tailândia ganha protagonismo

A mudança do uso recreativo de cannabis acontece quatro anos depois de a Tailândia retirar a cannabis da lista de narcóticos, em 2022. A decisão transformou o país em um dos mercados de cannabis mais movimentados da Ásia e levou à rápida expansão de lojas e dispensários.

O cenário, porém, também trouxe desafios regulatórios. A ausência inicial de uma legislação abrangente deixou diferentes interpretações sobre os limites do uso adulto e comercial.

Segundo o El Planteo, o novo projeto do uso recreativo de cannabis busca estabelecer regras mais rígidas para cultivo, produção, comercialização, importação, exportação e utilização da planta.

A proposta prevê licenças com validade de três anos para determinadas atividades relacionadas à cannabis. Os cultivos também deverão ser registrados de acordo com sua localização e tamanho, aumentando a possibilidade de rastreamento da cadeia produtiva.

A ideia é construir um mercado mais controlado e direcionado para aplicações médicas e de pesquisa.

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Uso recreativo de cannabis pode ficar mais restrito

O principal ponto da proposta é a redução do espaço destinado ao uso adulto não medicinal.

Pelo projeto aprovado pelo gabinete, a venda de cannabis e seus extratos deverá estar relacionada a finalidades médicas ou de pesquisa. Pessoas com mais de 20 anos poderão ter acesso dentro das condições previstas na legislação, incluindo situações em que houver indicação de profissional autorizado.

A proposta também prevê restrições à publicidade e à promoção de produtos de cannabis.

Para atividades realizadas fora das regras, o texto estabelece sanções que podem envolver multas e outras penalidades.

Mas há uma ressalva importante: o projeto ainda não é uma lei definitiva. A proposta seguirá para o Parlamento tailandês e poderá sofrer alterações durante a tramitação.

Portanto, falar em fim definitivo do uso recreativo de cannabis na Tailândia neste momento seria antecipar uma decisão que ainda depende do processo legislativo.

O que já mudou na Tailândia?

Apesar de o novo projeto ainda estar em tramitação, o país já havia começado a restringir o acesso à cannabis.

Em junho de 2025, o governo anunciou novas regras para a flor da planta. O acesso passou a ser direcionado ao uso medicinal, com exigência de prescrição e fornecimento limitado a uma quantidade correspondente a até 30 dias de tratamento.

Também foram estabelecidas restrições para vendas pela internet e por máquinas automáticas, além da proibição de publicidade.

As medidas representaram uma mudança importante em relação ao ambiente criado após a descriminalização de 2022.

O governo também intensificou a fiscalização dos estabelecimentos que comercializam cannabis. Segundo autoridades tailandesas, operações realizadas em diferentes regiões passaram a verificar licenças, origem dos produtos e cumprimento das normas.

Essa fiscalização ajuda a explicar o movimento atual em direção a um modelo mais estruturado.

Dispensários de cannabis enfrentam nova fase

As mudanças também atingem diretamente os estabelecimentos que surgiram durante a expansão do mercado.

Segundo o El Planteo, as licenças de diferentes estabelecimentos existentes devem vencer gradualmente entre 2026 e 2028. Para permanecerem em atividade, os negócios precisarão cumprir as exigências previstas na nova regulamentação.

Uma das possibilidades é a transformação de parte desses estabelecimentos em unidades voltadas ao atendimento medicinal.

O ministro da Saúde Pública, Pattana Promphat, afirmou, segundo o veículo, que mais da metade dos estabelecimentos existentes poderá precisar se adaptar ao novo modelo.

A proposta também prevê maior participação de profissionais de saúde no processo de dispensação.

Na prática, isso pode mudar a experiência de quem hoje encontra cannabis em lojas comerciais. O modelo tende a aproximar a venda de uma estrutura de atendimento e acompanhamento médico.

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Regulamentação da cannabis muda o mercado

A experiência tailandesa mostra como políticas públicas relacionadas à cannabis podem passar por diferentes fases.

Primeiro, o país abriu espaço para a planta e permitiu o crescimento de uma nova atividade econômica. Depois, diante da necessidade de estabelecer limites mais claros, iniciou um movimento de controle.

Uma análise publicada em 2026 na revista científica Addiction abordou justamente essa transição e o processo de reorganização do mercado tailandês em torno de um modelo mais regulado e medicinal.

A mudança também ocorre em meio a um debate internacional sobre como governos devem estabelecer regras para cannabis, considerando aspectos de saúde pública, segurança, pesquisa, comércio e acesso terapêutico.

No caso tailandês, o próximo passo depende da tramitação parlamentar.

O que pode acontecer daqui para frente?

Se aprovado, o projeto deverá consolidar uma política mais restritiva para o uso adulto e estabelecer regras específicas para toda a cadeia da cannabis.

Entre os principais pontos estão:

  • controle sobre cultivo e produção;
  • licenciamento de atividades comerciais;
  • rastreabilidade dos produtos;
  • restrições à publicidade;
  • maior fiscalização dos estabelecimentos;
  • direcionamento do acesso para finalidades médicas e científicas.

A trajetória da Tailândia, portanto, ainda está em construção. O país não apagou a história iniciada em 2022, mas parece buscar uma nova forma de organizar o mercado.

Para pacientes e profissionais envolvidos com a cannabis medicinal, a mudança pode representar um cenário de maior controle institucional. Para empresas e dispensários, significa a necessidade de adaptação às novas exigências.

Enquanto o Parlamento analisa a proposta, a pergunta que permanece é como a Tailândia encontrará o equilíbrio entre acesso, pesquisa, atividade econômica e controle sanitário.

Fonte - El Planteo