Paciente troca coquetel de fármacos pela Cannabis para tratar a espasticidade

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Hoje aos 41 anos, Pedro Andrade vivia praticamente saltando da cadeira de rodas, com espasmos e dores que impressionavam (Foto: Carlos Vidigal/Global Imagens/Notícias Magazine)

Curadoria e edição de Sechat Conteúdo, com informações de Notícias Magazine (Inês Schreck)

Em Portugal, centenas de pacientes recorrem a produtos à base de Cannabis para aliviar dores e espasmos provocados por certas doenças, eliminar efeitos adversos de tratamentos, reduzir convulsões e ganhar qualidade de vida. A maior parte destes preparados têm THC (tetrahidrocanabinol, a substância da Cannabis com efeito psicoativo) e CBD (Canabidiol), os dois principais canabinoides da planta. A utilização de substâncias à base de Cannabis para fins medicinais, quando os tratamentos convencionais não funcionam ou provocam efeitos adversos relevantes, está prevista na lei portuguesa desde 2018. Mas as limitações no acesso têm sido muitas.

Verão de 2007. Pedro Andrade tinha 28 anos e era salva-vidas num hotel de Vilamoura, no Algarve, em Portugal. Mas, numa manhã, quando se dirigia para o trabalho de moto, foi atropelado por um carro. Ficou 13 meses internado, quatro em reabilitação física, e ganhou sequelas para sempre. Em suma, ficou paraplégico, com total ausência de sensibilidade e de movimento nos membros inferiores. 

Os espasmos vieram três meses depois do acidente e com eles um coquetel de medicamentos antiespasmódicos, relaxantes musculares e ansiolíticos, em doses crescentes e efeito praticamente nulo. Nas sessões de reabilitação, ouviu enfermeiros falarem entre dentes sobre os benefícios da cannabis na espasticidade. Nem queria acreditar. 

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Na juventude, já havia experimentado, mas há anos deixou aqueles consumos recreativos. Quando a sugestão partiu de sua médica, decidiu experimentar. “Na primeira vez, os meus pais foram testemunhas. Estavam habituados a me ver praticamente saltando da cadeira de rodas, com espasmos e dores, e ficaram impressionados”, recorda. Durante duas a três horas, o corpo ficou relaxado, as dores passaram. Desde então, manteve o consumo e trocou o “cocktail” de fármacos pela cannabis.

Dificuldade de acesso à cannabis legal

O mais difícil é obtê-la. Chegou a cultivar a planta em casa, arriscando ser detido, mas perdeu tudo. “Entraram na minha casa e roubaram as plantas”, conta. Agora compra na rua, nos bairros, ao lado de dependentes que consomem heroína e cocaína. Para ter acesso à erva que tira suas dores, choques e contraturas musculares, é forçado, tal como muitos outros doentes, a frequentar os ambientes mais degradantes do submundo algarvio, provavelmente vigiados pelas autoridades. “Me arrisco a ser pego pela Polícia, a ser considerado um traficante porque tenho mais droga do que posso, mas também não quero ter que sempre ir a esses lugares”, desabafa. Além disso, a qualidade do produto é outro problema.

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No dia 1 de abril, chegou às farmácias de Portugal a flor seca da cannabis, da empresa Tilray, com uma concentração de 18% de THC e menos de 1% de CDB. Mas, além da flor seca da Tilray, o Infarmed está avaliando outros dois pedidos de autorização de colocação no mercado (ACM) para flor de cannabis inteira seca. Mas há mais produtos para chegar às farmácias. Entretanto, antes da chegada do produto da Tilray em Portugal, o único medicamento à base de cannabis que existia no país custa em torno de 300 euros – sendo o grande motivo que leva os pacientes a comprarem a planta de traficantes.

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