Gata tetraplégica é o primeiro animal a fazer tratamento legal com canabidiol no Brasil

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Denise e seu remédio à base de cannabis (Foto: FMVZ/USP)

Ela já é idosa, tem 15 anos, passou por maus-tratos e foi resgatada por uma cuidadora de animais na capital paulista. A história poderia ser a de qualquer outra gatinha de rua do Brasil, mas não: a vira-latas Denise, que sofre de convulsões e ficou tetraplégica, se tornou oficialmente o primeiro animal doméstico a fazer tratamento com canabidiol no país, segundo a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, onde o bichinho é cuidado.

A Denise chegou até a universidade com um quadro de convulsão “exacerbada”, conta a médica veterinária Maira Formeton, do ambulatório de dor e cuidados paliativos da faculdade. A equipe dela conseguiu fazer a reabilitação da gata, mas o quadro convulsivo continuava aumentando, somado a dores crônicas devido aos machucados na coluna.

A gatinha começou a tomar anticonvulsivantes tradicionais, que apresentaram pouca ou nenhuma melhora, seguido de um quadro refratário (sem resposta) e agravado por danos no fígado.

“Conversei com a tutora sobre o canabidiol veterinário, que é indicado para esses casos graves. E sem agressão no fígado. A gente conseguiu com que esse laboratório fornecesse pra ela, pois é uma tutora carente que resgata animais, então ela não teria condições”, contou a veterinária.

Maira explica que não é possível saber quantos tutores já deram CBD para seus pets no Brasil, já que foram adquiridos de forma ilegal. A Denise, no entanto, foi o primeiro animal a tomar essa medicação importada legalmente por uma empresa farmacêutica veterinária brasileira, com registro no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento.

“A gente usou extrato de canabidiol isolado. E a gatinha mudou bastante, já nos 10 primeiros dias teve bastante redução das convulsões. Ela ainda tem convulsões, mas tem dias que não. Ela está sendo acompanhada, e a gente está bem animado com os resultados, pretendemos ampliar para outros animais”, espera Maira.

Como ainda não existe regulamentação específica para importação de derivados de cannabis na área veterinária, o laboratório conseguiu importar o medicamento e fazer sua distribuição. A intenção da empresa agora é facilitar o acesso do remédio a mais pets.

Maira Formeton, Denise, outra gatinha e a tutora delas, Simone Gatto (Foto: FMVZ/USP)

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