“Grande desafio para 2020 será sensibilizar os médicos sobre a Cannabis medicinal”

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Por Dr. Wilson Lessa, graduado em Medicina pela UFMS. Médico especialista em Psiquiatria e Psiquiatria Forense pela AMB. Professor efetivo do curso de Medicina da UFRR e colunista do portal Sechat

Resoluções sobre o uso medicinal já são realidade em mais de 40 países, e o Brasil, com sua RDC 327 de 9 de dezembro de 2019, avança quando faz muito parecido com o modelo da Dinamarca, que está em vigor desde o início de 2018. Curiosamente, poucos meses após entrar em vigor, o país nórdico teve que adicionar a questão do plantio, que não estava na proposta original, mas que com a previsão de desabastecimento iminente, teve de ceder. E eles não se arrependeram.

A Anvisa fez um trabalho de pesquisa primoroso para ousar deliberar sobre o tema, embasada em revisões literárias extensas, avaliando programas  semelhantes na Holanda, Canadá e Israel. O órgão seguiu as diretrizes de pesquisas e evidências do famigerado relatório da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos de 2017, entidade que conclamou a comunidade científica a dar crédito às evidências já disponíveis sobre produtos à base de Cannabis.

Devido à segurança e tolerabilidade dos produtos para fins medicinais, a Academia também incentivou pesquisas em cenário real nos casos de uso compassivo nas seguintes indicações: epilepsia, autismo, Parkinson, demências, dores neuropáticas crônicas, esclerose múltipla, fibromialgia, enxaqueca, ansiedade, insônia, coadjuvante em tratamento de neoplasias (tumores) para controle dos efeitos colaterais da quimioterapia, doença de Crohn, psoríase, eczema etc.

A decisão foi acertada, só faltou a aprovação e regulamentação do plantio (tanto em escala industrial como associativo). Mas isto está nas mãos da Câmara Federal, que discute sobre o tema no PL 399 de 2015 e em abril de 2020 trará um relatório para votação. 

Talvez o grande desafio para o ano de 2020 seja a educação e sensibilização dos profissionais de saúde que poderão prescrever e o acesso aos produtos a base de Cannabis. É uma revolução sem volta, mas com muitos desafios pela frente. E como disse certa vez o Dr. Tod Mikuriya, psiquiatra estaduniense e quem trouxe o tema do uso medicinal à tona no final dos anos 60: “Não se trata apenas da proibição da maconha, mas da verdade sobre a história”.

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