Saúde

Médico esclarece uso medicinal do THC após fala polêmica de deputada do PL

Existem outras espécies, como o cacau e a trema africana, que contêm canabinoides, mas não em quantidades adequadas para os seres humanos

Médico esclarece uso medicinal do THC após fala polêmica de deputada do PL
Médico esclarece uso medicinal do THC após fala polêmica de deputada do PL

Opinião: Jimmy Fardin

As pessoas confundem vários conceitos. A planta possui vários canabinoides com propriedades medicinais incluindo o Canabidiol - CBD - e o Tetraidrocanabinol, o famoso THC. Tanto o CBD quanto o THC têm efeito psicoativo, ou seja, ambos têm atuação em receptores cerebrais. O café, que é uma outra planta muito comum no Brasil e no mundo, também tem efeito psicoativo.

Jimmy Fardin

A questão é o estigma que é atribuído ao THC, principalmente, porque o canabinoide tem uma ligação maior com os receptores cerebrais podendo gerar efeitos como sonolência, euforia, aumento do apetite, tontura e lapso de memória recente. Quanto à possibilidade de alucinação, isso irá depender da dose administrada. Se a pessoa fuma a erva acontece a reação química de descarboxilização do THC, logo ele irá ingerir uma quantidade muito além da dose recomendada, dependendo do caso. Nessas situações, podem surgir efeitos colaterais como sedação, sonolência, adinamia, e a clássica imagem de usuário atribuída a quem usa.

Entenda a polêmica:

Deputada se posiciona contra a liberação da maconha para fins medicinais; veja a opinião de especialistas

A deputada federal Silvia Waiãpi, do Partido Liberal do Amapá, afirmou que está atuando no Congresso Nacional para que a maconha não seja liberada para fins medicinais no Brasil.

“Nós sabemos que o discurso de liberação da maconha para fins medicinais é baseado no uso de uma substância chamada canabidiol. Porém, a maconha é considerada ilícita por conta do THC, que é o alucinógeno que também faz parte da cannabis sativa”, disse.

O uso medicinal da cannabis

O uso medicinal é exatamente o cuidado com a dosagem e acompanhamento do paciente para que ele tome a quantidade adequada para o tratamento de uma determinada patologia. Qualquer substância em demasia irá causar efeitos deletérios no corpo como o café, o álcool e até a água. Por isso, a regulamentação é importante para haver o controle do fornecimento de produtos com qualidade e quantidade adequadas.

Pesquisas não faltam para comprovar os efeitos benéficos do CBD e do THC para o tratamento de diversas patologias. A questão? É o paciente ter a segurança de ser acompanhado por um profissional habilitado e com experiência na prescrição da medicina endocanabinoide para assegurar a indicação do produto adequado com todo o respaldo de qualidade, dosagem e quantidade

Os canabinoides não são exclusivos da Cannabis Sativa

Existem outras espécies que também possuem os canabinoides como o cacau e a trema africana. Porém, não há nessas espécies a quantidade adequada de canabinoides com efeito medicinal para o ser humano.

Os estudos iniciais com animais, inclusive, apresentam efeitos de intoxicação pelo uso da Trema na tentativa de atingir as doses de CBD que a cannabis fornece.

Por isso, é importante desenvolver estudos sim, com canabinoides tanto na Cannabis sativa, quanto em outras plantas, pois já é sabido que o sistema endocanabinoide interage muito bem com os fitocanabinoides. Para isso, é preciso parar de fertilizar o preconceito e a informação errônea sem embasamento.