África do Sul inicia plantio piloto com sementes locais de cânhamo
Iniciativa na província de Limpopo testa genética nacional do cânhamo para impulsionar o desenvolvimento rural e econômico
Publicada em 09/01/2026

O projeto piloto busca estruturar uma economia baseada na planta, voltada especificamente para o desenvolvimento rural. Imagem: Canva Pro
A província de Limpopo, localizada no extremo norte da África do Sul, iniciou o plantio das primeiras sementes de cânhamo desenvolvidas localmente pelo Conselho de Pesquisa Agrícola (ARC), conforme informações do Cannabiz África. O projeto piloto busca estruturar uma economia baseada na planta, voltada especificamente para o desenvolvimento rural.
A ação é coordenada pela Associação de Agricultores de Cânhamo e Cannabis de Limpopo (LHCFA) em parceria com o governo provincial. O objetivo central é gerar dados de produção robustos sobre a variedade nacional.
Cultivo experimental do cânhamo
A atividade principal ocorreu no dia 8 de dezembro, com uma demonstração prática na fazenda Joanne Herbs Farm, em Levubu. Na ocasião, foi introduzida no solo a variedade ARC Can 1.
O Dr. Rudzani Mathobo, do Departamento de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Limpopo (LDARD), liderou a ação. Ele apresentou técnicas de cultivo e discutiu o vasto potencial do cânhamo para o setor de agroprocessamento.
Dias antes, em 5 de dezembro, a Secretária de Agricultura de Limpopo, Nakedi Kekana, realizou a entrega técnica das sementes. Um grupo de 15 agricultores foi selecionado para monitorar o desempenho dessa genética de cânhamo em campo, visando justificar uma futura expansão comercial.
Cânhamo como ferramenta de transformação
O projeto é fruto de uma articulação entre órgãos governamentais, universidades e produtores, liderada por Mashudu Jennifer Badane, presidente da LHCFA. A estratégia provincial visa posicionar o cânhamo como um motor de transformação econômica para comunidades rurais, indo além do uso apenas medicinal.
“A Secretária Kekana tem enfatizado consistentemente a simplificação do processo regulatório para o cânhamo e a necessidade de mercados industriais mais claros”, afirmou Badane ao Cannabiz África. “Ela também é orientada para resultados e sua liderança tem impulsionado o desenvolvimento em toda a província. A LHCFA apoia essa visão”, disse Badane ao Cannabiz África.
Organização da cadeia do cânhamo
O modelo adotado em Limpopo prioriza a organização dos produtores em níveis locais antes da expansão provincial. Em novembro de 2025, foi lançado o núcleo da associação no Distrito de Capricórnio, evento que contou com a presença da Polícia Sul-Africana (SAPS) e representantes da agricultura.
Para a presidente da associação, a descentralização é vital para a sustentabilidade do setor de cânhamo. “Isso marcou o início de esforços estruturados para construir associações em nível distrital, reconhecendo que a verdadeira transformação acontece na base”.
Ela reforça que o planejamento foge da gestão centralizada tradicional. “Esta não é uma abordagem de comando e controle de cima para baixo, mas sim um modelo colaborativo, onde cada distrito contribui para a cadeia de valor do cânhamo.”
Futuro do cânhamo na região
O avanço prático do plantio foi precedido por uma cúpula realizada em junho de 2025. O encontro, que envolveu a Universidade de Venda e institutos de pesquisa, estabeleceu as bases para o suporte técnico que agora chega aos produtores de cânhamo.
Para 2026, a LHCFA projeta a ampliação do acesso às sementes e o estabelecimento de unidades de processamento. O foco é a agregação de valor local alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “2025 foi um ano definido pela ação”, concluiu Badane.
Com informações de Cannabiz África



